ave
a raiva desta noite
a
baita lasca fúria abrupta
louca
besta vaca solta
ruiva
luz que contra o dia
tanto
e tarde madrugastes
morra
a calma desta tarde
morra
em ouro enfim, mais seda
a
morte, essa fraude,
quando
próspera
viva
e morra sobretudo
este
dia, metal vil,
surdo,
cego e mudo,
nele
tudo foi e, se ser foi tudo,
já
nem tudo nem sei
se
vai saber a primavera
ou
se um dia saberei
que
nem eu saber nem ser nem era.
Vim
pelo caminho difícil,
a
linha que nunca termina,
a
linha bate na pedra,
a
palavra quebra uma esquina,
mínima
linha vazia,
a
linha, uma vida inteira,
palavra,
palavra minha.
Paulo
Leminski
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