sábado, 17 de janeiro de 2026

Persona

A inocência fora de seu tempo ameaça como
os saqueadores. Isso seria um argumento, não
fosse a carne exposta. Inocentes e saqueadores
compram alimentos, vão ao comício, se apertam
e, por um segundo, desenham a linha sem norte
da intolerância.
Entre vozes perdidas, uma canção vidente.

Não é por ela que a tarde paralisa e avança.

Turbulento navio.

Por tão explícito motivo, a pele que antes nos
cobria, escama-se.

Na desnuda paisagem, vocifera a infância.

Edimilson de Almeida Pereira, em Guelras

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