A matilha
O cabildo de Santiago comprou uma nova
marca de prata para ferrar os índios na cara. O governador, Alonso
de Ribera, manda que se destine a gastos de guerra e sustento de
soldados a quinta parte do valor de cada araucano vendido nos portos
de Valdívia e Arica.
Se sucedem caçadas. Os soldados
atravessam o Bío-Bío e nas noites dão seus botes. Incendeiam e
degolam e regressam tocando homens, mulheres e crianças amarrados
pelos pescoços. Uma vez marcados, são vendidos para o Peru.
O governador ergue a botija de vinho e
brinda pelas batalhas vencidas. Brinda à flamenca, como Pedro de
Valdívia. Primeiro, por todos os fidalgos e as damas que lhe vieram
à memória, gole após gole. Quando se acabam as pessoas, brinda
pelos santos e anjos; e nunca se esquece de agradecer-lhes o
pretexto.
Eduardo Galeano, em Os Nascimentos
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