Albert Speer foi o arquiteto e o
ministro de armamentos e produção de guerra de Hitler. Duas
características o diferenciam dos demais assassinos nazistas.
Primeiro, havia nos sentimentos de Speer em relação a Hitler um
núcleo de afeto desinteressado, de calor humano que ultrapassava a
fascinação animal. Em 23 de abril de 1945, sendo Berlim um oceano
de chamas, todas as possibilidades de escapar em segurança quase
esgotadas, Speer voltou à capital para se despedir pessoalmente do
Führer. A absoluta frieza na reação de Hitler o abalou. Segundo,
Speer conservou dentro de si um pouco de sanidade e senso moral
durante o circo absurdo do Reich, e depois durante quase vinte anos
de prisão em Spandau. São esses dois elementos — o sortilégio
que a pessoa de Hitler exerceu sobre ele e a decisão de emergir
mantendo a saúde mental depois de duas décadas de sepultamento em
vida — que dominam Spandau: O diário secreto, de Speer
(tradução do alemão de Richard e Clara Winton, para a Macmillan).
Nos julgamentos de guerra em
Nuremberg, Albert Speer reconheceu que tinha sido ele, em última
análise, o responsável por usar os milhões e milhões de
trabalhadores escravos no arsenal do Reich. Não estivera diretamente
envolvido na mecânica bestial da deportação que trazia esses
pobres seres humanos dos territórios ocupados, nem nos maus-tratos e
no extermínio rotineiro que tantas vezes se seguiam. Mas o comando
da produção e da mobilização industrial estivera a seu cargo, e
nesta medida Speer admitiu — na verdade, pormenorizou longamente —
sua culpa. A condenação a vinte anos de prisão pareceu brutal
desde o início, e houve quem considerasse que ela refletia a
insistência dos soviéticos. Logo após Nuremberg, circularam
rumores de que as autoridades russas não tinham a menor vontade de
ver um empresário tão brilhante no setor de armas e fornecimento de
materiais passar são e salvo para as mãos ocidentais.
Speer deu entrada na prisão de
Spandau em Berlim no dia 18 de julho de 1947; saiu de lá em 30 de
setembro de 1966, à meia-noite em ponto. Somado o tempo que passou
na cadeia de Nuremberg durante o julgamento, foram exatamente vinte
anos. Speer cumpriu a segunda década da sentença com apenas outros
dois homens — Baldur von Schirach, ex-líder da Juventude
Hitlerista, e Rudolf Hess. Speer entrou no caixão ressonante de
Spandau aos 42 anos, no auge de suas forças e após uma carreira
meteórica. Foi solto aos 61 anos. Mas, durante o cativeiro, ele
escreveu: mais de 20 mil páginas de notas no diário, cartas
autorizadas e clandestinas, fragmentos autobiográficos. Escrevia em
folhas de calendário, em tampas de caixas de papelão, em papel
higiênico (o tradicional papiro do prisioneiro). E,
clandestinamente, conseguiu remeter essa prodigiosa montanha de
material para fora dos muros de Spandau, apesar da vigilância atenta
dos guardas americanos, russos, britânicos e franceses. Speer
contrabandeou material suficiente para seu primeiro livro, Por
dentro do III Reich, para este diário da prisão
e, a se confirmarem algumas insinuações, para um possível estudo
completo de Hitler. Como ele fez? A explicação de Speer é ao mesmo
tempo arredia e curiosamente pormenorizada. Ele nos conta que
precisava proteger a identidade das pessoas que o ajudaram. O canal
principal foi um dos médicos assistentes da prisão, o qual, por
ironia, tinha sido um dos deportados da máquina de guerra do Reich.
Mas devia haver outras vias. É difícil evitar a impressão de que
as autoridades, em particular as três potências ocidentais, deviam
saber algo sobre o volumoso intercâmbio de Speer com o mundo externo
e com o futuro. De fato, já em outubro de 1948 a esposa de um
importante editor judeu em Nova York entrou em contato com uma pessoa
da família de Speer, a respeito de suas memórias (se não a
senhora, pelo menos Speer se sentiu enojado com a sutil indecência
da proposta).
Hitler paira neste livro como uma
bruma negra. Nos primeiros anos de cativeiro, Speer procurou
relembrar e expor metodicamente a história de sua relação com o
Führer. Há muitas vinhetas memoráveis. Vemos Hitler planejando
transformar sua cidade natal de Linz num centro de arte mundial.
Podemos observá-lo durante os anos de ascensão sonambúlica ao
poder, entre as multidões enlouquecidas ansiando pelo furacão de
sua passagem num carro aberto, ou na íntima companhia de seus
capangas — discursando, zombando, pontificando e então caindo
bruscamente no vórtice silencioso de suas visões. Há alguns
instantâneos extraordinários de Hitler com uma disposição
doméstica em Obsersalzberg, trabalhando numa socialidade espontânea
entre subordinados, ajudantes, simpatizantes cuja vida dependia do
ânimo do líder. Speer registra os comentários de Hitler sobre
literatura (o sujeito adorava Karl May, a versão germânica de
Fenimore Cooper), sobre escultura, sobre o significado da história.
Traz à memória os momentos de generosidade do Führer com seus
primeiros apoios e associados, e fala da obsessão de Hitler pelo
fogo, pelas chamas na lareira e pelas labaredas na cidade.
Speer sabe que Hitler está
intimamente entrelaçado com as raízes de sua identidade. A 20 de
novembro de 1952, escreve: “Seja qual for o rumo de minha vida no
futuro, sempre que meu nome for mencionado, todos pensarão em
Hitler. Nunca terei uma existência independente. E às vezes vejo-me
aos setenta anos, os filhos adultos faz muito tempo, os netos
crescendo, e aonde eu for vão me perguntar apenas sobre Hitler”.
Três anos antes, Speer reflete sobre a lógica predestinada de seu
encontro com o Mestre: “Eu via Hitler acima de tudo como o
preservador do mundo do século xix, contra aquele mundo
metropolitano inquietante que eu temia que se estendesse no futuro de
todos nós. Sob essa luz, posso ter realmente esperado por Hitler.
Além disso — o que o justifica ainda mais —, ele me transmitiu
uma força que me elevou muito acima dos limites de minhas
potencialidades. Se assim é, não posso dizer que ele me afastou de
mim: pelo contrário, foi através dele que encontrei pela primeira
vez um fortalecimento de minha identidade”.
No interminável túnel dos dias na
prisão, Speer tenta chegar a um retrato nítido do homem que ergueu
e esmagou sua vida. Se havia crueldade — embora de uma espécie
estranhamente abstrata, indiferente —, megalomania, vulgaridade
grosseria, autopiedade, uma falsidade para além do âmbito humano
normal, havia também o exato contrário. Speer conhecia Hitler como
“solícito páter-famílias, um superior generoso, amigável,
dotado de autocontrole, orgulhoso, capaz de se entusiasmar com a
beleza e a grandeza”. Este último ponto persegue Speer. As
políticas de Hitler nas artes e na arquitetura podiam nascer de uma
miopia brutal. Mas, em outros momentos, havia clarões de um
verdadeiro discernimento, altos voos de criatividade e erudição. O
carisma do homem era profundo, gélido, ao mesmo tempo magnético e
paralisante. E assim era também sua perspicácia intelectual em
relação à tática política, ao domínio retórico, à penetração
psicológica dos atores cansados ou corruptos naquele teatro de
sombras, que o encaravam no país ou no exterior. “Ele realmente
vinha de outro mundo. […] Todos os militares tinham aprendido a
lidar com uma grande variedade de situações incomuns. Mas estavam
totalmente despreparados para lidar com esse visionário.”
Não há nada de novo nisso. Outros
testemunhos converteram em rotina a imagem do pesadelo. Mas, quando
procura diagnosticar o antissemitismo de Hitler, Speer toca de fato
em questões de primeira importância. Mal consegue lembrar uma única
conversa que tenha tido com Hitler sobre o tema (no miasma
nauseabundo das conversas de Hitler à mesa, dificilmente encontramos
alguma alusão ao mundo dos campos de concentração). Mas,
vasculhando mais detidamente os grandes destroços da memória, Speer
chega à conclusão de que o ódio aos judeus era o eixo absoluto, o
pivô inabalável do próprio ser de Hitler. A totalidade da política
e dos planos de guerra de Hitler “era mera camuflagem deste
verdadeiro fator motivador”. Refletindo sobre o testamento de
Hitler, com sua visão apocalíptica da culpa dos judeus pela guerra
e do extermínio do judaísmo europeu, Speer vem a entender que, para
o Führer, este extermínio era mais importante do que a vitória ou
a sobrevivência da nação alemã.
Os historiadores racionalistas
discutem esse ponto. Têm se empenhado em encontrar um quadro
econômico-estratégico “normal” para a carreira de Hitler. Speer
está muito mais próximo da verdade. Não há muito como entender o
fenômeno Hitler — seu feitiço venenoso e a enormidade da
autodestruição — se não se concentrar rigorosamente o foco sobre
o tema central do antissemitismo. De alguma maneira tenebrosa, Hitler
via na união messiânica do povo judeu, em seu isolamento dos
demais, na metáfora de serem “os eleitos”, um contrapeso
inabalável que escarnecia de seus mais íntimos impulsos. Ao
proclamar que o nazismo e o judaísmo não podiam coexistir, que um
dos dois devia ser aniquilado num confronto final, estava afirmando
uma verdade alucinada. Ao saber do julgamento de Eichmann e da
quantidade sempre maior de provas do Holocausto, Speer anota que seu
próprio desejo de sair da prisão lhe parece “quase absurdo”.
Mas o desejo persistiu, claro. Este é
o ponto central de toda a literatura do cárcere: a esperança contra
todas as esperanças de que mais de 7 mil dias inalteráveis vão se
passar e será possível atribuir ao tempo algum sentido ou algum
feitio consolador num vácuo de vinte invernos. A asfixia de Speer
apenas piorava com os surtos de boatos que se sucediam. John McCloy,
o alto-comissário dos eua para a Alemanha, estava fazendo pressão
para a soltura ou a redução da pena; Adenauer estava solidário com
ele; o Departamento de Relações Exteriores da Inglaterra tinha
abordado os russos. Certamente a Guerra Fria levaria à evacuação
de Spandau e a uma avaliação mais oportuna dos crimes de Speer. Por
que as potências ocidentais deixariam o grande gênio dos armamentos
alemães apodrecer na cadeia, quando elas mesmas estavam
remilitarizando a Alemanha? Mas, uma a uma, as esperanças se
revelavam falsas, e Speer veio a se resignar com a certeza de que
teria de cumprir sua pena até a última e quase inimaginável
meia-noite.
Ele manteve a sanidade por meios
consagrados nos anais do sepultamento em vida. Diariamente fazia
caminhadas vigorosas pelos terrenos de Spandau, mantendo uma contagem
exata das distâncias percorridas. No final, ele tinha andado 31.936
quilômetros. Mas essa marcha forçada não se resumia a um exercício
abstrato. Speer se imaginava andando pelo globo, saindo da Europa,
passando pelo Oriente Médio, chegando à China e ao estreito de
Bering, então descendo e atravessando o México. Enquanto andava,
invocava com os olhos do espírito tudo o que sabia sobre as
paisagens, a arquitetura, o clima dos lugares por onde estava
passando imaginariamente. “Já estou bem adiantado na Índia”,
diz uma anotação típica do diário, “e segundo a programação
chegarei a Benares em cinco meses.” E havia também o jardim da
prisão. Da primavera de 1959 em diante, Speer passou a devotar cada
vez mais tempo e energia ao trabalho de jardinagem. Cada arbusto,
cada canteiro se converteu em objeto de persistente atenção e
dedicação: “Spandau se tornou um sentido em si. Muito tempo
atrás, tive de organizar minha sobrevivência aqui. Não é mais
necessário. O jardim se apoderou totalmente de mim”.
Speer era um leitor incansável:
história, filosofia, literatura e, algo um tanto sinistro, livros
sobre acontecimentos nos quais ele mesmo tinha desempenhado papéis
drásticos. Depois de lhe permitirem o acesso a revistas de
arquitetura e engenharia, ele se esforçou em retomar suas
habilidades e em manter alguma espécie de contato com o mundo em
transformação lá fora. Speer fazia projetos residenciais, muito
apreciados por seus carcereiros russos, perfis e contornos de
monumentos agora em ruínas, e de vez em quando desenhava estranhas
cenas alegóricas, de uma solidão gritante. Mais que tudo, ele
escrevia, milhares e milhares de páginas. Foi esse fio sólido que
lhe sustentou a razão.
Mesmo assim, era acometido de acessos
de desespero e chegava à beira da loucura: no final do décimo ano,
quando os almirantes Dönitz e Raeder foram libertados depois de
cumprir a pena; em junho de 1961, quando o medo de ter perdido uma de
suas cartas clandestinas se converteu em pânico descontrolado.
Quando parecia iminente o colapso nervoso, Speer se entregava a uma
“cura pelo sono”, permitindo-se três semanas de soníferos que
lhe garantiam noites bem dormidas e dias vagos e indistintos. Mas ele
recorria principalmente à sua tremenda resistência. Depois de uma
semana numa solitária, sentado imóvel durante onze horas diante das
paredes nuas, Speer saiu “disposto como no primeiro dia”.
Os expedientes usados pelas
autoridades aliadas — agindo, claro, em nome da humanidade
ultrajada — nem sempre são de leitura edificante. Depois de onze
anos de encarceramento, Speer pediu tela e tinta a óleo. Essa
perigosa solicitação foi negada. Os prisioneiros nunca eram
tratados pelo nome — apenas pelo número que traziam nas costas —,
pois chamar um homem pelo nome é honrá-lo em sua humanidade. As
visitas dos parentes eram curtas e esparsas. Deviam ocorrer na
presença de observadores soviéticos, americanos, franceses e
britânicos. Passaram-se dezesseis anos antes que Speer, graças a um
bondoso descuido, pudesse ter um momento a sós com a esposa. Na
ocasião, ele estava entorpecido demais até para lhe tocar a mão.
Há vários estereótipos nacionais caracterizando os diversos
carcereiros e encarregados da prisão (o controle de Spandau tem um
rodízio mensal entre as quatro potências ocupantes). Os ingleses
são meticulosos. Os franceses ostentam uma arrogância fácil. A
inocência e a espontaneidade americana frequentemente têm uma ponta
de brutalidade. Em todo “mês russo”, a dieta da prisão despenca
verticalmente. Mas o pessoal soviético é avidamente letrado.
Enquanto os colegas ocidentais folheiam histórias de detetives ou
cabeceiam de sono em cima de palavras cruzadas, os russos em Spandau
estudam química, física e matemática, ou leem Dickens, Jack London
e Tolstói. Dependendo das oscilações da Guerra Fria, as relações
entre os aliados no cárcere ficam tensas ou se distendem, e os
prisioneiros são tratados de acordo com essas variações. Na crise
dos mísseis em Cuba, a tensão dá aos prisioneiros um centro de
gravidade. É o guarda russo que traz as notícias de paz.
São instantâneos como estes,
risíveis e trágicos, que tornam suportáveis essas páginas
claustrofóbicas. Speer tem olho treinado. Em Nuremberg, ele passa
pelas celas de seus colegas à espera da forca: “Como prescrevem as
regras, estão na maioria deitados de costas, as mãos por cima do
lençol, a cabeça virada para o outro lado. Uma visão
fantasmagórica, todos eles na imobilidade; é como se já estivessem
no caixão”. No inverno de 1953, o prisioneiro número 3,
Konstantin von Neurath, por algum tempo ministro das Relações
Exteriores de Hitler, recebe uma poltrona (a saúde do velho estava
se deteriorando). Speer reconhece a poltrona: era uma peça que ele
tinha projetado para a Chancelaria de Berlim, em 1938. “O forro
adamascado está em farrapos, o brilho desbotado, o verniz riscado,
mas ainda gosto das proporções, sobretudo da curva das pernas de
trás.” As orgulhosas monstruosidades que Speer tinha construído
para o Reich, os pilares em vermelho vivo e os pórticos do triunfo
em mármore, caíram no esquecimento. Restam duas coisas: a lembrança
da impalpável “catedral de gelo” que Speer criou usando as
faixas de luz de 130 holofotes durante uma reunião do partido em
Nuremberg, e essa poltrona.
Conforme se aproxima a data da
libertação, o espírito de Speer começa a lhe pregar peças
sinistras. Deixa de ouvir rádio. Manda que a família interrompa
toda a correspondência. Sonhos vívidos lhe dizem que nunca voltará
ao lar, que a vida que não viveu nunca poderá se converter em algo
bom. Faltam três dias: mais uma vez arranca as ervas daninhas do
jardim, para que tudo fique em perfeita ordem. Ele sente, como todo
prisioneiro de sentença longa, que o relacionamento com a prisão se
tornou “semierótico”, que, de alguma maneira absurda, não quer
mais sair do caixão do qual se assenhoreou. No último dia,
aguardando sua soltura e a de Schirach, Speer acrescenta dez
quilômetros à sua viagem pelo mundo. O clímax é um toque de
terror e desolação humana que supera qualquer ficção. Estão
descarregando grandes montes de carvão no pátio da prisão. Speer
fica ao lado de Hess, olhando: “Então Hess disse: ‘Tanto carvão.
E a partir de amanhã só para mim’”. Era 30 de setembro de 1966.
O velho rufião alucinado, que não chegou a se envolver na pior das
atrocidades nazistas pois tinha fugido para a Escócia, ainda está
em Spandau, sozinho, guardado por quatro exércitos em miniatura e 38
mil metros cúbicos de espaço murado. As potências ocidentais
insistem há tempos que seja libertado. A União Soviética não
aceita, para não perder o único ponto militar que ocupa em Berlim
Ocidental. Nossa aquiescência à chantagem russa em tal nível de
desumanidade está além de qualquer comentário.
Mas dito isso, e reconhecida a força
da narrativa e da sobrevivência de Speer, cumpre frisar mais um
ponto. Em Spandau havia livros, música, cartas da família,
atendimento médico. Em três de quatro meses, a comida era
excelente. Havia água quente para o banho, um jardim para cuidar.
Ninguém era açoitado, ninguém era mergulhado em excrementos,
ninguém era queimado pedacinho por pedacinho até se converter em
cinzas. Em suma, vinte anos em Spandau eram literalmente um paraíso
em comparação a um único dia em Belsen, Majdanek, Auschwitz ou
qualquer uma das centenas de antecâmaras do Inferno construídas
pelo regime a que Albert Speer serviu com tanto garbo. A força, a
dor deste livro consiste em termos de lembrá-lo a nós mesmos, se
não a ele (que agora afirma saber disso). Mas lembrar não basta.
Não é apenas em comparação a Belsen que Spandau parece uma
estação de repouso: em comparação ao gulag, às prisões
psiquiátricas soviéticas, aos cárceres do Chile e aos indizíveis
campos de morte da Indonésia, Speer foi apenas um dos construtores —
mesmo que, talvez, o mais severamente punido. A arquitetura da morte
ainda prospera.
19 de abril de 1976
George Steiner, em Tigres no Espelho e Outros Textos

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