segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Great Day, de Paul McCartney


Great Day
De Paul McCartney
Lançamento: Flaming Pie, 1997

When you’re wide awake
Say it for goodness sake
It’s gonna be a great day
While you’re standing there
Get up and grab a chair
It’s gonna be a great day

And it won’t be long (oh no it won’t be long)
It won’t be long (no no it won’t be long)
It won’t be long (oh no it won’t be long)
It won’t be long, oh

Ooh oh yeah
Gonna be a great day

And it won’t be long (oh no it won’t be long)
It won’t be long (no no it won’t be long)
It won’t be long (oh no it won’t be long)
It won’t be long, ooh yeah

When you’re wide awake
Say it for goodness sake
It’s gonna be a great day
While you’re standing there
Get up and grab a chair
It’s gonna be a great day

Após o rompimento dos Beatles, eu tinha bastante tempo livre. Às vezes, eu me sentava na cozinha enquanto as crianças brincavam. Talvez elas estivessem desenhando. Ou fazendo o dever de casa.
Desta vez, os acordes me vieram e fiquei otimista. Agradou-me a ideia de uma canção dizendo que a ajuda está chegando e uma luz está brilhando no horizonte. Não tenho prova alguma disso, mas não custa acreditar. Ajuda a levantar o meu ânimo, a me levar adiante e, com sorte, também pode ajudar outras pessoas a seguir em frente.
Um dos pontos fortes das canções é que, se você tiver muita sorte, elas tocam as pessoas. E, muitas vezes, estou ciente de que pode haver muita gente por aí que está passando por um momento delicado, ou só estão preocupadas, e realmente precisam que a sorte mude. Por isso, se eu puder ser uma voz tranquilizadora, acho isso importantíssimo. Acho que boa parte da música que eu ouvia quando criança, ou até mesmo a música da geração do meu pai, era inspiradora. Uma canção pode melhorar o seu astral. A música que nos anima é muito valiosa, então me agrada a ideia de criá-la e acho que isso explica muito do que eu faço. Mas esta canção é bem simples, quase uma canção de ninar: “When you’re wide awake/ Say it for goodness sake/ It’s gonna be a great day”.
O fato de a letra ser muito parecida com a canção dos Beatles “It Won’t Be Long” não passou despercebido, mas eu me lembro de uma conversa que eu tive com John sobre algo que estávamos escrevendo, e houve uma situação parecida. Não me lembro de qual era o verso, mas digamos que fosse de uma canção do Dylan, e eu o estivesse meio que roubando para a minha canção. John comentou: “Bem, isso não é roubar, sabe? É fazer uma citação”. E assim eu me sentia melhor.
Esta canção é a que fecha o álbum Flaming Pie. Foi incluída no finzinho, a exemplo do que ocorreu com a minha canção “Her Majesty”, que arremata o álbum Abbey Road. Acho que isso cria um bom efeito, quando você tem um conjunto de canções claramente bem pensadas e então termina com algo feito meio de improviso. É um lembrete de que nem tudo está arquitetado, e isso pode deixar você de bom humor pelo resto da noite.
Para entender como surge a letra, você tem que perceber o estágio da vida do compositor. Hoje eu posso compor de forma totalmente distinta, mas, quando você tem filhos pequenos, como eu tinha na época, você costuma fazer cantigas como “Her Majesty”, “Hey Diddle” ou coisa parecida.
Nem sempre você tenta ser muito significativo. Eu fazia essas musiquinhas só para divertir as crianças. Mas a verdade é que eu ainda componho para crianças. Talvez signifique que nunca cresci de verdade, mas tenho uma que se chama “A canção saltitante”. Outra, confesso, chama-se “Correndo pela sala”, mais um clássico familiar. Também temos uma que diz assim: “Peixinhos, peixinhos nadando no mar”. Fiz várias na época em que as crianças estavam crescendo – canções que acabei não lançando. Então, suponho que esta siga essa tradição; é uma musiquinha que expressa muita coisa.
John e eu levávamos umas três horas para escrever uma canção. Não estabelecíamos um limite de tempo. Simplesmente em três horas tínhamos o suficiente, e aprendemos que o principal estava pronto. Depois era só polir. Essas duas a três horas são uma espécie de tempo natural. É por isso que a maioria das aulas, seminários e sessões de gravação levam duas a três horas. Daí em diante, o seu cérebro se dispersa um pouco.
Essa janela de tempo foi transferida para a nossa vida em família. Se eu soubesse que Linda estava lá embaixo fazendo alguma coisa – uma sessão de fotos ou um programa de culinária –, então eu fugia e tentava compor algo, em parte pensando em surpreendê-la, dar a ela um presentinho no final dessas duas horas e ser capaz de dizer: “Adivinhe o que eu andei fazendo!”.
Até os dias de hoje, eu continuo sumindo em quartinhos. Tem a ver com encontrar um lugar tranquilo para pensar, criar um espaço privado para dar asas à imaginação. Mas você não quer que outros acabem se inserindo nesse processo. Por exemplo, digamos que tenha alguém na sala ao lado, lavando os pratos, mas de orelha em pé, meio que prestando atenção em mim. Eu reapareço e me dizem: “Que som legal”. E eu penso: “Não era para você ouvir. Mas tudo bem, agora que está pronta”.

Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

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