Great Day
De Paul McCartney
Lançamento: Flaming Pie, 1997
When you’re wide awake
Say it for goodness sake
It’s gonna be a great day
While you’re standing there
Get up and grab a chair
It’s gonna be a great day
And it won’t be long (oh no it
won’t be long)
It won’t be long (no no it won’t
be long)
It won’t be long (oh no it won’t
be long)
It won’t be long, oh
Ooh oh yeah
Gonna be a great day
And it won’t be long (oh no it
won’t be long)
It won’t be long (no no it won’t
be long)
It won’t be long (oh no it won’t
be long)
It won’t be long, ooh yeah
When you’re wide awake
Say it for goodness sake
It’s gonna be a great day
While you’re standing there
Get up and grab a chair
It’s gonna be a great day
Após o rompimento dos Beatles, eu
tinha bastante tempo livre. Às vezes, eu me sentava na cozinha
enquanto as crianças brincavam. Talvez elas estivessem desenhando.
Ou fazendo o dever de casa.
Desta vez, os acordes me vieram e
fiquei otimista. Agradou-me a ideia de uma canção dizendo que a
ajuda está chegando e uma luz está brilhando no horizonte. Não
tenho prova alguma disso, mas não custa acreditar. Ajuda a levantar
o meu ânimo, a me levar adiante e, com sorte, também pode ajudar
outras pessoas a seguir em frente.
Um dos pontos fortes das canções é
que, se você tiver muita sorte, elas tocam as pessoas. E, muitas
vezes, estou ciente de que pode haver muita gente por aí que está
passando por um momento delicado, ou só estão preocupadas, e
realmente precisam que a sorte mude. Por isso, se eu puder ser uma
voz tranquilizadora, acho isso importantíssimo. Acho que boa parte
da música que eu ouvia quando criança, ou até mesmo a música da
geração do meu pai, era inspiradora. Uma canção pode melhorar o
seu astral. A música que nos anima é muito valiosa, então me
agrada a ideia de criá-la e acho que isso explica muito do que eu
faço. Mas esta canção é bem simples, quase uma canção de ninar:
“When you’re wide awake/ Say it for goodness sake/ It’s
gonna be a great day”.
O fato de a letra ser muito parecida
com a canção dos Beatles “It Won’t Be Long” não passou
despercebido, mas eu me lembro de uma conversa que eu tive com John
sobre algo que estávamos escrevendo, e houve uma situação
parecida. Não me lembro de qual era o verso, mas digamos que fosse
de uma canção do Dylan, e eu o estivesse meio que roubando para a
minha canção. John comentou: “Bem, isso não é roubar, sabe? É
fazer uma citação”. E assim eu me sentia melhor.
Esta canção é a que fecha o álbum
Flaming Pie. Foi incluída no finzinho, a exemplo do que
ocorreu com a minha canção “Her Majesty”, que arremata o álbum
Abbey Road. Acho que isso cria um bom efeito, quando você tem
um conjunto de canções claramente bem pensadas e então termina com
algo feito meio de improviso. É um lembrete de que nem tudo está
arquitetado, e isso pode deixar você de bom humor pelo resto da
noite.
Para entender como surge a letra, você
tem que perceber o estágio da vida do compositor. Hoje eu posso
compor de forma totalmente distinta, mas, quando você tem filhos
pequenos, como eu tinha na época, você costuma fazer cantigas como
“Her Majesty”, “Hey Diddle” ou coisa parecida.
Nem sempre você tenta ser muito
significativo. Eu fazia essas musiquinhas só para divertir as
crianças. Mas a verdade é que eu ainda componho para crianças.
Talvez signifique que nunca cresci de verdade, mas tenho uma que se
chama “A canção saltitante”. Outra, confesso, chama-se
“Correndo pela sala”, mais um clássico familiar. Também temos
uma que diz assim: “Peixinhos, peixinhos nadando no mar”. Fiz
várias na época em que as crianças estavam crescendo – canções
que acabei não lançando. Então, suponho que esta siga essa
tradição; é uma musiquinha que expressa muita coisa.
John e eu levávamos umas três horas
para escrever uma canção. Não estabelecíamos um limite de tempo.
Simplesmente em três horas tínhamos o suficiente, e aprendemos que
o principal estava pronto. Depois era só polir. Essas duas a três
horas são uma espécie de tempo natural. É por isso que a maioria
das aulas, seminários e sessões de gravação levam duas a três
horas. Daí em diante, o seu cérebro se dispersa um pouco.
Essa janela de tempo foi transferida
para a nossa vida em família. Se eu soubesse que Linda estava lá
embaixo fazendo alguma coisa – uma sessão de fotos ou um programa
de culinária –, então eu fugia e tentava compor algo, em parte
pensando em surpreendê-la, dar a ela um presentinho no final dessas
duas horas e ser capaz de dizer: “Adivinhe o que eu andei
fazendo!”.
Até os dias de hoje, eu continuo
sumindo em quartinhos. Tem a ver com encontrar um lugar tranquilo
para pensar, criar um espaço privado para dar asas à imaginação.
Mas você não quer que outros acabem se inserindo nesse processo.
Por exemplo, digamos que tenha alguém na sala ao lado, lavando os
pratos, mas de orelha em pé, meio que prestando atenção em mim. Eu
reapareço e me dizem: “Que som legal”. E eu penso: “Não era
para você ouvir. Mas tudo bem, agora que está pronta”.
Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

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