quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Good Day Sunshine


Good Day Sunshine
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: Revolver, 1966

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine

I need to laugh, and when the sun is out
I’ve got something I can laugh about
I feel good in a special way
I’m in love and it’s a sunny day

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine

We take a walk, the sun is shining down
Burns my feet as they touch the ground

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine

Then we’d lie beneath a shady tree
I love her and she’s loving me
She feels good, she knows she’s looking fine
I’m so proud to know that she is mine

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine

Uma agradável e ensolarado dia de verão. Para variar, lá estava eu na casa de John em Weybridge. De minha casa em Londres fui rodando até lá, a bordo de meu belo Aston Martin na cor Sierra Blue, com assento ejetor e tudo. Adoro dirigir, e uma hora ao volante é uma hora boa para pensar nas coisas; se você tiver metade de uma ideia, pode desenvolvê-la no caminho.
Em geral, eu chegava à casa de John com a ideia plenamente formada. Às vezes, eu tinha que esperar, se o John se atrasasse para se levantar. Ele era um adorável preguiçoso, e eu, um jovem para lá de entusiasmado. Mas isso não é problema, se você pode esperar à beira de uma charmosa piscina. Comprada com o dinheiro de nossas composições. A gente costumava brincar com isso. Tão logo percebemos o valor monetário de nossas canções, costumávamos brincar: “Vamos compor uma piscina”.
Havia uma enxurrada de canções de verão naquela época. “Daydream” e “Summer in the City”, do The Lovin’ Spoonful; “Sunny Afternoon”, do The Kinks... Acho que todas essas foram lançadas no mesmo ano, 1966. Queríamos compor algo ensolarado. John e eu crescemos enquanto a tradição do music hall ainda era muito vibrante, então isso sempre esteve no fundo de nossas mentes. Muitas canções clássicas sobre o sol nos deixam contentes: “The Sun Has Got His Hat On” ou “On the Sunny Side of the Street”.
Estava na hora de fazer a nossa. Temos amor, temos sol, e o que mais queremos? “We take a walk, the sun is shining down/ Burns my feet as they touch the ground” – essa era uma bonita lembrança de verão. “Then we’d lie beneath a shady tree/ I love her and she’s loving me”. Sem dúvida, é uma canção bem alegre.
Já conversei com compositores clássicos que ficam quebrando a cabeça com a notação de tempo, mas nunca fazíamos a notação de tempo. A gente só pensava: “É mais ou menos assim...”. Musicistas com formação clássica não dizem “É mais ou menos assim”, pois se interessam pela notação formalizada – têm que saber se é 3/4, 5/4 ou coisa parecida – e essa era definitivamente a tradição com todos os grupos. Claro, todos nós frequentamos aulas de piano, mas nenhum de nós gostou delas. Muitos anos depois, conversei sobre isso com Jeff Lynne, o líder da Electric Light Orchestra, e ele me disse: “Bem, nós simplesmente inventávamos tudo, não é?”. Se George Harrison escrevesse “Here comes the sun, de-de-de-de”, só precisávamos nos lembrar disso.
Vale lembrar que não tínhamos partituras para ler. É bem complicado, mas o nosso método era só ouvir uma canção e aprendê-la, e era daí que vinha a nossa energia. Se alguém só fica lendo as notas – “um dois três, um dois três quatro” –, eu sempre tenho a sensação de que não está curtindo tanto. É um emprego.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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