Good Day Sunshine
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: Revolver, 1966
Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine
I need to laugh, and when the sun
is out
I’ve got something I can laugh
about
I feel good in a special way
I’m in love and it’s a sunny
day
Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine
We take a walk, the sun is shining
down
Burns my feet as they touch the
ground
Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine
Then we’d lie beneath a shady
tree
I love her and she’s loving me
She feels good, she knows she’s
looking fine
I’m so proud to know that she is
mine
Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine
Uma agradável e ensolarado dia de
verão. Para variar, lá estava eu na casa de John em Weybridge. De
minha casa em Londres fui rodando até lá, a bordo de meu belo Aston
Martin na cor Sierra Blue, com assento ejetor e tudo. Adoro dirigir,
e uma hora ao volante é uma hora boa para pensar nas coisas; se você
tiver metade de uma ideia, pode desenvolvê-la no caminho.
Em geral, eu chegava à casa de John
com a ideia plenamente formada. Às vezes, eu tinha que esperar, se o
John se atrasasse para se levantar. Ele era um adorável preguiçoso,
e eu, um jovem para lá de entusiasmado. Mas isso não é problema,
se você pode esperar à beira de uma charmosa piscina. Comprada com
o dinheiro de nossas composições. A gente costumava brincar com
isso. Tão logo percebemos o valor monetário de nossas canções,
costumávamos brincar: “Vamos compor uma piscina”.
Havia uma enxurrada de canções de
verão naquela época. “Daydream” e “Summer in the City”, do
The Lovin’ Spoonful; “Sunny Afternoon”, do The Kinks... Acho
que todas essas foram lançadas no mesmo ano, 1966. Queríamos compor
algo ensolarado. John e eu crescemos enquanto a tradição do music
hall ainda era muito vibrante, então isso sempre esteve no fundo
de nossas mentes. Muitas canções clássicas sobre o sol nos deixam
contentes: “The Sun Has Got His Hat On” ou “On the Sunny Side
of the Street”.
Estava na hora de fazer a nossa. Temos
amor, temos sol, e o que mais queremos? “We take a walk, the sun
is shining down/ Burns my feet as they touch the ground” –
essa era uma bonita lembrança de verão. “Then we’d lie
beneath a shady tree/ I love her and she’s loving me”. Sem
dúvida, é uma canção bem alegre.
Já conversei com compositores
clássicos que ficam quebrando a cabeça com a notação de tempo,
mas nunca fazíamos a notação de tempo. A gente só pensava: “É
mais ou menos assim...”. Musicistas com formação clássica não
dizem “É mais ou menos assim”, pois se interessam pela notação
formalizada – têm que saber se é 3/4, 5/4 ou coisa parecida – e
essa era definitivamente a tradição com todos os grupos. Claro,
todos nós frequentamos aulas de piano, mas nenhum de nós gostou
delas. Muitos anos depois, conversei sobre isso com Jeff Lynne, o
líder da Electric Light Orchestra, e ele me disse: “Bem, nós
simplesmente inventávamos tudo, não é?”. Se George Harrison
escrevesse “Here comes the sun, de-de-de-de”, só
precisávamos nos lembrar disso.
Vale lembrar que não tínhamos
partituras para ler. É bem complicado, mas o nosso método era só
ouvir uma canção e aprendê-la, e era daí que vinha a nossa
energia. Se alguém só fica lendo as notas – “um dois três, um
dois três quatro” –, eu sempre tenho a sensação de que não
está curtindo tanto. É um emprego.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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