52.
O vento levantou-se... Primeiro era
como a voz de um vácuo... Um soprar no espaço para dentro de um
buraco, uma falta no silêncio do ar. Depois ergueu-se um soluço, um
soluço do fundo do mundo, o sentir-se que tremiam vidraças e que
era realmente vento. Depois soou mais alto, urro surdo, um chorar sem
ser ante o aumentar noturno, um ranger de coisas, um cair de bocados,
um átomo de fim do mundo.
Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego
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