terça-feira, 26 de agosto de 2025

Diário de Bernardo Soares

52.

O vento levantou-se... Primeiro era como a voz de um vácuo... Um soprar no espaço para dentro de um buraco, uma falta no silêncio do ar. Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo, o sentir-se que tremiam vidraças e que era realmente vento. Depois soou mais alto, urro surdo, um chorar sem ser ante o aumentar noturno, um ranger de coisas, um cair de bocados, um átomo de fim do mundo.

Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego

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