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25/10/2026
20/10/2019
A festa da natureza
Chegando o tempo do
inverno,
Tudo
é amoroso e terno,
Sentindo
o Pai Eterno
Sua
bondade sem fim.
O
nosso sertão amado,
Estrumicado
e pelado,
Fica
logo transformado
No
mais bonito jardim.
Neste
quadro de beleza
A
gente vê com certeza
Que
a musga da natureza
Tem
riqueza de incantá.
Do
campo até na floresta
As
ave se manifesta
Compondo
a sagrada orquesta
Desta
festa naturá.
Tudo
é paz, tudo é carinho,
Na
construção de seus ninho,
Canta
alegre os passarinho
As
mais sonora canção.
E
o camponês prazentero
Vai
prantá fejão ligero,
Pois
é o que vinga premero
Nas
terras do meu sertão.
Patativa
do Assaré
30/09/2019
O sertão
O
sertão não conhece o mar. O mar não conhece o sertão. Não se
tocam. Não se veem. Não se buscam. Mas há em ambos a mesma
grandeza, a mesma imponência, a mesma inescrutabilidade. Sobre um e
outro se estende esse mesmo enigma das majestades indecifráveis. De
um e outro ressalta a mesma expressão de energia, força e poder a
que se não resiste. Um e outro se nos antolham, do mesmo modo, como
dois reservatórios insondáveis e inesgotáveis de vida.
Ante
um e outro nos sentimos nulos, em todo o acanhamento do nosso nada, e
temos a visão da imensidade, a sensação do infinito, a impregnação
do eterno. É a comoção religiosa, que vibrava entre os primeiros
navegadores, quando, ao avistarem a ourela das praias, onde se franja
o pélago azulado, lhes saía d’alma todo um hino em um só grito:
“O mar!”, “o mar largo!”. Assim me rebentava, há pouco, do
seio, ao dar com os olhos na primeira orladura da região das matas e
das serras este clamor íntimo de alvoroço: “O sertão! o sertão
livre!”.
Não
será livre o sertão? É, senhores, como se fizéssemos estoutra
pergunta: “Não é livre o mar?”.
A
questão, quanto ao mar, não existe, embora a vejamos estabelecida,
a outra luz, em termos, que lhe tornem duvidosa a resposta. As
potências navais contendem pelo domínio das suas armas nas estradas
marítimas. Mas não há tratados, que logrem subjugar o indômito
elemento das vagas. Juntasse embora o orgulho humano todos os seus
monstros de guerra; e todos eles juntos não conseguiriam abaixar o
dorso das águas eternas. Fundisse embora a indústria humana todo o
metal, que se acumula nas entranhas da terra; e todo o ferro do
planeta, minerado e forjado, não daria cadeias bastantes, para
acorrentar a fúria de um maremoto. Cobrissem embora todas as frotas
do mundo com o enxame dos seus navios a superfície inteira das
ondas; e um movimento destas as poderia sepultar nas profundezas do
abismo. Só Deus possui o jugo, a que se curva o oceano.
Mas
se o Criador o mandasse calar; se lhe ordenasse às correntes que
parassem, e, esfriando-lhe as entranhas, lhe comprimisse debaixo da
mão onipotente as ondas remansadas, a vasta massa guardaria na sua
imobilidade a imagem do movimento subitamente paralisado, o aspecto
de uma grandeza adormecida à espera de outro milagre do céu, que a
volvesse ao calor e inconstância de sua existência agitada.
Rui
Barbosa, in Antologia
17/09/2019
Encontros e encantos - Guimarães Rosa
[...] A
construção de um lugar fantástico
A
palavra “sertão” é curiosa. A sonoridade sugere o verbo “ser”
numa dimensão empolada. Ser tão, existir tanto. Os portugueses
levaram a palavra para África e tentaram nomear assim a paisagem da
savana. Não resultou. A palavra não ganhou raiz. Apenas nos
escritos coloniais antigos se pode encontrar o termo “sertão”.
Quase ninguém hoje, em Moçambique e Angola, reconhece o seu
significado.
João
Guimarães Rosa criou este lugar fantástico, e fez dele uma espécie
de lugar de todos os lugares. O sertão e as veredas de que ele fala
não são da ordem da geografia. O sertão é um mundo construído na
linguagem. “O sertão”, diz ele, “está dentro de nós.” Rosa
não escreve sobre o sertão. Ele escreve como se ele fosse o sertão.
Em
Moçambique nós vivíamos e vivemos ainda o momento épico de criar
um espaço que seja nosso, não por tomada de posse, mas porque nele
podemos encenar a ficção de nós mesmos, enquanto criaturas
portadoras de História e fazedoras de futuro. Era isso a
independência nacional, era isso a utopia de um mundo sonhado.
A
instauração de um outro tempo
Já
vimos que o sertão é o não-território. Veremos que o seu tempo
não é o vivido mas o sonhado. O narrador do Grande sertão:
veredas diz: “Estas coisas de que me lembro se passaram tempos
depois”. E ele poderia dizer de outro modo: as coisas importantes
passam sempre para além do tempo.
O
que Rosa perseguiu na escrita foi (estou citando) “essa coisa
movente, impossível, perturbante, rebelde a qualquer lógica, a que
chamamos de ‘realidade’, e que é a gente mesmo, o mundo, a
vida”. A transgressão poética é o único modo de escaparmos à
ditadura da realidade. Sabendo que a realidade é uma espécie de
recinto prisional fechado com a chave da razão e a porta do
bom-senso [...].
Mia
Couto, in E se Obama fosse africano?
21/06/2016
Saudade dessa terra infernal
“–
Não
interrompendo... Como é que se tem saudade dessa terra infernal?
–
Moço,
sertanejo não se adoma no brejo. O sertão é pra nós como homem
malvado pra mulher: quanto mais maltrata, mais se quer bem. Aperreia,
bota pra fora e, na primeira fuga, se volta em cima dos pés.
E
levantando-se para fechar a porta:
-
E foi a seca que me deu coragem. Porque saber sofrer, moço, isso é
que é ter coragem.”
José
Américo de Almeida, in
A Bagaceira
08/05/2016
28/04/2016
Lulinha Alencar - Cem Gonzaga*
*Belíssimo CD de Lulinha Alencar, grande sanfoneiro potiguar, de Rafael Godeiro, que afirma no encarte: "Nasci no sertão potiguar no dia treze de dezembro e fui batizado como nome de Luiz. Não deve ser por acaso que esse meu primeiro disco seja uma homenagem a outro Luiz também nascido em treze de dezembro, no sertão pernambucano. Reside nessa ligação afetiva e artística o motivo para o Cem Gonzaga, que faz um trocadilho com a influência e ao mesmo tempo a ausência de um dos maiores mestres da música brasileira."
22/01/2016
Ia chover: a caatinga ressuscitaria

Google Imagens
Seu
Tomás fugira também, com a seca, a bolandeira estava parada. E ele,
Fabiano, era como a bolandeira. Não sabia porquê, mas era. Uma,
duas, três, havia mais de cinco estrelas no céu. A lua estava
cercada de um halo cor de leite. Ia chover. Bem. A catinga
ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano,
seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos
animariam a. solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no
chiqueiro das cabras, Sinha Vitória vestiria saias de ramagens
vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda
verde.
Lembrou-se
dos filhos, da mulher e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo
de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia,
ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra.
Subiu a ladeira. A aragem morna acudia os xiquexiques e os
mandacarus. Uma palpitação nova. Sentiu um arrepio na catinga, uma
ressurreição de garranchos e folhas secas.
Chegou.
Pôs a cuia no chão, escorou-a com pedras, matou a sede da família.
Em seguida acocorou-se, remexeu o aió, tirou o fuzil, acendeu as
raízes de macambira, soprou-as, inchando as bochechas cavadas. Uma
labareda tremeu, elevou-se, tingiu-lhe o rosto queimado, a barba
ruiva, os olhos azuis. Minutos depois o preá torcia-se e chiava no
espeto de alecrim.
Eram
todos felizes. Sinha Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. A
cara murcha de sinhá Vitória remoçaria, as nádegas bambas de
Sinha Vitória engrossariam, a roupa encarnada de Sinha Vitória
provocaria a inveja das outras caboclas.
A
lua crescia, a sombra leitosa crescia, as estrelas foram esmorecendo
naquela brancura que enchia a noite. Uma, duas, três, agora havia
poucas estrelas no céu. Ali perto a nuvem escurecia o morro.
A
fazenda renasceria - e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer
seria dono daquele mundo.
Os
troços minguados ajuntavam-se no chão: a espingarda de pederneira,
o aió, a cuia de água o baú de folha pintada. A fogueira estalava.
O preá chiava em cima das brasas.
Uma
ressurreição. As cores da saúde voltariam a cara triste de Sinha
Vitória. Os meninos se espojariam na terra fofa do chiqueiro das
cabras. Chocalhos tilintariam pelos arredores. A catinga ficaria
verde. Baleia agitava o rabo, olhando as brasas. E como não podia
ocupar-se daquelas coisas, esperava com paciência a hora de mastigar
os ossos. Depois iria dormir.
Graciliano
Ramos, in Vidas Secas
21/01/2016
Invernada no sertão
O
sertanejo amola a enxada,
Bate estaca na cerca, troca arame,
Faz o broque da malva e do velame,
Ara as terras da serra e da baixada,
Quando a nuvem destampa a invernada,
Corta a terra, abre cova, põe o grão,
E espera, do céu, a redenção,
E da terra, a fartura pro seu lar,
O inverno chegou para animar
O caboclo sofrido do sertão.
Em mil regos água se derrama,
Rebentando nas pedras do serrote,
Bezerro pelo prado dá pinote,
Galinha cacareja, cisca a grama,
Marmeleiro ligeiro pega rama,
Passarada entoa uma canção,
Mané Besta na ponta dum mourão,
Faz firula por não saber cantar,
O inverno chegou para animar,
O caboclo sofrido do sertão.
Papa-sebo bicora uma saúva,
Berra um bode ao longe, a vaca muge,
A ovelha se farta na babuge,
Abrem flores nas “Toucas de Viúva,”
Natureza celebra quando a chuva,
Se despenca do céu e cai no chão,
Cada vivo renasce numa ação,
Que o milagre da chuva fez brotar,
O inverno chegou para animar,
O caboclo sofrido do sertão.
Bate estaca na cerca, troca arame,
Faz o broque da malva e do velame,
Ara as terras da serra e da baixada,
Quando a nuvem destampa a invernada,
Corta a terra, abre cova, põe o grão,
E espera, do céu, a redenção,
E da terra, a fartura pro seu lar,
O inverno chegou para animar
O caboclo sofrido do sertão.
Em mil regos água se derrama,
Rebentando nas pedras do serrote,
Bezerro pelo prado dá pinote,
Galinha cacareja, cisca a grama,
Marmeleiro ligeiro pega rama,
Passarada entoa uma canção,
Mané Besta na ponta dum mourão,
Faz firula por não saber cantar,
O inverno chegou para animar,
O caboclo sofrido do sertão.
Papa-sebo bicora uma saúva,
Berra um bode ao longe, a vaca muge,
A ovelha se farta na babuge,
Abrem flores nas “Toucas de Viúva,”
Natureza celebra quando a chuva,
Se despenca do céu e cai no chão,
Cada vivo renasce numa ação,
Que o milagre da chuva fez brotar,
O inverno chegou para animar,
O caboclo sofrido do sertão.
Zenóbio
Oliveira
07/12/2015
Eita bixiga taboca, isso só tem no sertão
Xarope
de Malvarisco,
Pra curar tosse puxada,
Um rosário na portada,
Pra proteger de corisco,
Um cordão de São Francisco,
Pra frear assombração,
Catuaba com limão,
Pra animar velho coroca,
Eita bixiga taboca,
Isso só tem no sertão.
Um pirão de Sabaru,
Na hora da gororoba,
Café de Mangirioba,
Com o mel do Capuxu,
Melador de Cumaru,
Pra curar constipação,
Uma piraca a carvão,
Pra espantar muriçoca,
Eita bixiga taboca,
Isso só tem no sertão.
Pra curar tosse puxada,
Um rosário na portada,
Pra proteger de corisco,
Um cordão de São Francisco,
Pra frear assombração,
Catuaba com limão,
Pra animar velho coroca,
Eita bixiga taboca,
Isso só tem no sertão.
Um pirão de Sabaru,
Na hora da gororoba,
Café de Mangirioba,
Com o mel do Capuxu,
Melador de Cumaru,
Pra curar constipação,
Uma piraca a carvão,
Pra espantar muriçoca,
Eita bixiga taboca,
Isso só tem no sertão.
Uma
tigela de fuba,
Peneirada
em urupemba,
Um
cavalo de catemba,
De
talo de carnaúba,
Reza
braba que derruba,
Mau-olhado
e maldição,
Duas
moças num pilão,
Caçulando
uma paçoca
Eita
bixiga taboca
Isso
só tem no sertão.
O
povo escutando um jogo,
Num
rádio antigo da SEMP,
Um
bule em riba da trempe,
Com
café pegando fogo,
Uma
galinha com gogo,
Babando
que só o cão,
Um
galo ciscando o chão,
Doido
pra achar minhoca,
Eita
bixiga taboca,
Isso
só tem no sertão.
Tarrafa
malha miúda,
Pra
pesca de sabaru,
Banha
de tejuaçu,
Pra
dor de garganta aguda,
O
chá da folha de arruda,
Pra
descer menstruação,
Ninho
de palha no chão,
Pra
deitar galinha choca,
Eita
bixiga taboca,
Isso
só tem no sertão.
Um
baú na camarinha,
E
um monte de troço dentro,
Uma
horta de coentro,
No
terreiro da cozinha,
Um
poleiro de galinha,
Nos
dois ganchos dum pinhão,
E
o roçado de feijão,
Precisando
duma broca,
Eita
bixiga taboca,
Isso
só tem no sertão.
Quixó,
fojo, landuá,
Arataca
e arapuca,
Tocaia,
facho, cumbuca,
Mundé
de pegar preá,
Anzol,
rede de pescar,
Negaça,
sangra, alçapão,
Garrucha,
funda, facão,
E
espingarda de soca,
Eita
bixiga taboca,
Isso
só tem no sertão.
Batata
de macambira,
Pra
fazer ração bovina,
Uma
cerca de faxina,
Amarrada
com embira,
Cortiço
de Jandaíra,
Pendurado
no oitão,
Um
pinto na plantação,
Pinicando
tamboroca,
Eita
bixiga taboca,
Isso
só tem no sertão.
Zenóbio
Oliveira
21/08/2015
24/09/2014
Sertão é quando menos se espera

“Um
lugar conhece outro é pôr calúnias e falsos levantados; as pessoas também,
nesta vida. Sendo isto. Ao doido, doideiras digo. Mas o senhor é homem
sobrevindo, sensato, fiel como papel, o senhor me ouve, pensa e repensa, e
rediz, então me ajuda. Assim, é como conto. Antes conto as coisas que formaram
passado para mim com mais pertença Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que
não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda não sabe. Só umas raríssimas
pessoas — e só essas poucas veredas, veredazinhas. O que muito lhe agradeço é a
sua fineza de atenção.
Sertão é isto: o senhor empurra para
trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é
quando menos se espera; digo. Quadrante que assim viemos, pôr esses lugares,
que o nome não se soubesse. Até, até. A estrada de todos os cotovelos. Sertão,
— se diz –, o senhor querendo procurar, nunca não encontra. De repente, pôr si,
quando a gente não espera, o sertão vem. O sertão não chama ninguém às claras,
mais, porém, se esconde e acena. Mas o sertão de repente se estremece, debaixo
da gente…”
Guimarães
Rosa, in Grande sertão: veredas
24/04/2014
O Sertão, do mesmo ângulo*
Foto de 03 de janeiro de 2013
Foto de 19 de abril de 2014
Fotografei do
mesmo ângulo, a partir da janela da cozinha de minha sogra, D. Socorro Marinho,
em Pau dos Ferros – RN, em épocas diferentes, ou seja, antes e durante o inverno.
Reparem nos arvoredos e nas Moitas ressequidos, esquálidos, sem vida. Com as
chuvas, viçosas, revigoradas. O pasto já não deixe ver o arame farpado. É o
milagre da água, da invernada.
04/03/2014
A seiva doce do massapê
Mesmo
a grafia indicando som aberto, a sonoridade do mato consagrou o som fechado,
massapê. Mais bonito e mais próximo da sua compleição. Até porque cada palavra
acaba incorporando na sonoridade da pronúncia o formato da coisa nominada.
Quando
no sertão, vítima das secas e dos teóricos distantes, que se arvoram em
conhecedores das dores daqui, as primeiras chuvas do ano adocicam a seiva dos
tabuleiros e recepcionam a maciez colorida do capim de seda, o plantador de
feijão remexe com as mãos a umidade do massapê. Depois, põe a mão em forma de
aba sobre os olhos e paquera as torres do Nascente.
Os
primeiros brotos da cebola braba animam-se nos quintais anunciando mais uma
espera. Junta-se a eles o cantar dobrado do sabiá, que só canta assim nas
vésperas de chuva. Em ano de seca fechada, o sabiá trina uma toada linear, sem
dobra, sem risco do desafino. Ele não quer iludir as sementes guardadas num
frasco de plástico, longe do gorgulho, que semearão a terra molhada para a
colheita no tempo das fogueiras.
Quem
sabe disso tudo é Tico de Quinola, habitante da ponta do banco de cumaru, na
parte oeste do balcão da bodega de Priquitim, onde ele se aboleta desde cedo, a
receber agrados de cachaça, acompanhada de pequenos pedaços de laranja ou mais
raramente um naco de queijo de coalho.
Fala
pouco, como toda gente sabida. Ouve primeiro, para não desagradar a opinião do
freguês passante. Pode lhe custar uma dose perdida. Já foi aluno do “Almino
Afonso”.
“Tão
falando numa seca verde”, diz Leon de Amância, puxando conversa. Não foi
suficiente pra Tico manifestar-se. Aguardou mais alguma extensão da fala. “Nem
sei o que danado é isso, seca verde”? Essa observação meio pergunta de Leon foi
a deixa pra ele expor sua opinião sem medo.
“Seca
verde é o governo. Nós aqui só conhecemos secas cinza”. Falou animado, já
recebendo uma boa bicada do visitante, acompanhada duma lasca de queijo. E aí
deitou lição: “Mostrar juazeiro verde, mesmo na seca, não é vantagem. Nem
floração do mofumbo. Nem pingos nas rochas da Casa de Pedra. Pra isso não se
precisa das promessas calejadas do governo. E quem enricou com promessa foi São
Severino dos Ramos”.
Nas
telas das TVs do Sudeste, o Nordeste aparece muito rapidamente, nas previsões
do tempo. E o Rio Grande do Norte inexiste. A moça passa a mão depressa pelo
mapa daqui, enquanto se detém demoradamente nas nuvens de cada pedaço dos
Estados de lá.
Mesmo
assim, o furabarreira continua animando o matuto. O inchu e o inchuí tão nem
aí. Enchem de mel claro suas capas, como a dar o dedo aos “sertanistas” de
longe. Não conhecem nem as cidades onde moram e exibem cultura, querem conhecer
o Sertão, que não permitiu ainda suas entranhas a ninguém. Quando muito, uma
brecha à linguagem.
Enquanto isso, Tico de Quinola toma mais
uma no cumaru de Priquitim. Té mais.
François
Silvestre, in Novo
Jornal, de 01/03/2014
23/10/2013
Salmo Sertânico
Cruzo esses mundos sertânicos
que me habitam o âmago,
a escalar pedras e montes,
pisando a vegetação rasteira e outras palavras miúdas...
Nas costas, um matulão de incertezas,
de inquirições agnósticas,
perguntas tantas vezes repetidas,
sob o Sol desses desertos...
Carrego a minha Dúvida,
mas não, meu ateísmo.
Saibam todos que Deus, nessas léguas perdidas,
é uma necessidade vital.
É como o ar fresco e úmido, que leva as cabras
sempre mais alto, nesses montes desertos.
Deus está nas nuvens mais densas
e umedece o nariz dos caprinos...
Nesses sertões,
busca-se Deus, com olhos de cabra sedenta.
Os olhos dos viajores bramam por Deus.
Assim são os olhos da alma.
Alma?
Sim, isso, que nos faz ter gana de viver.
Isso, em que flui, instintiva, a lei natural da sobrevivência.
Esse vapor d'água,
que brilha nos olhos dos rebanhos assustados;
Essa nuvem cor de chumbo sobre a caatinga, está prenhe de Deus,
O mesmo Deus de Baruch Spinoza, encobre os céus dos sertões.
O Deus que de repente desabará, pluvial, sobre essa Dúvida
e encharcará a chã sequiosa dessa caminhada.
Deus, nessas léguas sertânicas, é essa necessidade radical,
no âmago estremecido da vida.
Subo este monte, carregando a minha sede,
e alço meus olhos aos céus cinzentos.
Sopra, invisível, um vento umedecido.
Sinto o sagrado em minhas narinas...
a escalar pedras e montes,
pisando a vegetação rasteira e outras palavras miúdas...
Nas costas, um matulão de incertezas,
de inquirições agnósticas,
perguntas tantas vezes repetidas,
sob o Sol desses desertos...
Carrego a minha Dúvida,
mas não, meu ateísmo.
Saibam todos que Deus, nessas léguas perdidas,
é uma necessidade vital.
É como o ar fresco e úmido, que leva as cabras
sempre mais alto, nesses montes desertos.
Deus está nas nuvens mais densas
e umedece o nariz dos caprinos...
Nesses sertões,
busca-se Deus, com olhos de cabra sedenta.
Os olhos dos viajores bramam por Deus.
Assim são os olhos da alma.
Alma?
Sim, isso, que nos faz ter gana de viver.
Isso, em que flui, instintiva, a lei natural da sobrevivência.
Esse vapor d'água,
que brilha nos olhos dos rebanhos assustados;
Essa nuvem cor de chumbo sobre a caatinga, está prenhe de Deus,
O mesmo Deus de Baruch Spinoza, encobre os céus dos sertões.
O Deus que de repente desabará, pluvial, sobre essa Dúvida
e encharcará a chã sequiosa dessa caminhada.
Deus, nessas léguas sertânicas, é essa necessidade radical,
no âmago estremecido da vida.
Subo este monte, carregando a minha sede,
e alço meus olhos aos céus cinzentos.
Sopra, invisível, um vento umedecido.
Sinto o sagrado em minhas narinas...
Eurico,
sertânico
(bramando, "como o cervo, pelas correntes das águas...")
(bramando, "como o cervo, pelas correntes das águas...")
Com humilde dedicatória a Elomar,
imenso criador de cabras, palavras e canções.
16/08/2013
Ser tão resistência

Fonte da imagem: Google
I
João Carnaúba, dos Carnaúbas da Várzea
de Baixo, nos seus 56 anos de vida, afirmava que nunca tinha visto uma seca
daquela. Já não dormia, e quando isso
ocorria, não era sono, só pesadelos. Apareciam os animais de sua gleba gigantes,
mas esquálidos, a superlativar o sofrimento na forma de mugidos, relinchos,
balidos e berros, numa onomatopeia que o despertava em alvoroço.
Todos sofrem com a seca. Todavia, João Carnaúba
não se preocupava tanto com os seus familiares e agregados. Os animais,
domesticados, dependiam sobremaneira dos zelos e encaminhamentos do homem. E a
escassez d’água e de alimentos atingiam mais duramente os brutos que os
humanos.
Para fugir dos pesadelos, esse homem já
saia de casa de madrugada, a perscrutar o céu, a forçar indícios que viessem
amenizar o seu sofrimento e dos outros. Em vão. Com os primeiros raios, como
que a trazer-lhe à realidade, encaminhava-se ao curral para levar os animais
para beber da pouca água que ainda restava no açude.
Quanto à comida, não tinha mais que se
falar da existência de ração verde para os animais: palmas e macambiras já
tinham se acabado, restando só recolher – cada vez mais distante – xique-xiques
e mandacarus para serem assados em fogueiras para a queima dos espinhos, para
serem juntados a uma forragem que
incluía até papelão.
Estava uma situação estarrecedora. Dona
Chiquinha, esposa de João, repisava: “Homem, venda esse gado por qualquer
preço, fiado se necessário. Eu não aguento mais esse sofrimento desses pobres brutos.
Eles estão consumindo nossos recursos e nossas forças”. Carnaúba retrucava: “A
quem, mulher? Se nossos vizinhos estão na mesma penúria, sem pasto e sem água,
lutando para escapar com os seus. Além do mais, vender a um marchante para
descarnar o quê nessas ossadas?”
Certo era que não havia mais dinheiro
para sustentar o gado com rações de farelos e outros nutrientes caros, pois se
vendesse uma rês por mês, só dava para sustentar, com parcimônia, duas reses. A
matemática era infalível: nessa pisada, o pequeno rebanho desapareceria...
A longa estiagem afetava os homens e os
animais. Não se ouviam os cantos dos pássaros; tão-só, um agouro, longe, a
deprimir mais o contexto e o ambiente. A tristeza dos animais, notadamente a
bovina, contaminava a todos. João Carnaúba, típico sertanejo do semiárido,
tinha um constante olhar vago, marcante nos desesperançado.
II
Tudo parado. De vez em quando, o
silêncio é quebrado pelo cantar monótono das cigarras, aqui e alhures. O
mormaço é sufocante. Animais e pássaros evitam se deslocar e se agasalham nas
raríssimas sombras e abrigos. A terra está ressequida há cerca de oito meses,
num estado abiótico. Não há que se falar em flora: tão-só galhos e troncos, que
acinzentam a visão.
Às vezes surge um pequeno pé-de-vento, que
não traz frescor, mas sim vai crescendo e se transforma num redemoinho,
levantando tudo que posso ser suspenso com sua força. Findo o fenômeno
agourento, observa-se a sujidade deslocada.
Visto por cima, o tom cinza é
pontilhado por carcaças de animais, notadamente reses que não resistiram à fome
e à sede. No mais, pequenos oásis, os juazeiros, esses sertanejos que teimam em
permanecer verdes, num ambiente tão adverso para se demonstrar verdura.
Nos barreiros, pequenos açudes e
riachos resta quase nada, ou estão totalmente vazios. Difícil encontrar água,
nessas condições, que não seja para o consumo do astro-rei. Jogue-se um pouco
de água que, instantaneamente, o precioso líquido se esvai.
Nada se move. De repente os animais se
inquietam. E se apercebe a mudança. O mormaço cresce. E a torre se avoluma,
refletindo os raios solares num tom laranja. Já se veem raios, e se ouve os
trovões, ao longe. Uma aragem benfazeja e contínua prepara o terreno para o
grande ato. O rebombo está mais próximo e mais forte, replicado até as abas da
serra.
Cai o primeiro pingo e outro, e outro,
e outro, de forma lenta, aqui, ali, acolá. Surge o cheiro característico da
terra ressequida sendo aguada, que envolve a tudo e a todos. Já se ouve a chuva
grossa se aproximando. A Natureza agora atua com vigor.
Pequenos filetes de água se avolumam,
descem nas depressões e se agrupam nos córregos, que afluem nos riachos, a
desaguar nos açudes e barragens ressequidos.
Chove forte. Já a força da água
barrenta dos riachos carrega carcaças de animais, galhos, árvores inteiras,
tudo que estava no seu leito seco.
Quem não conhece esse fantástico
ecossistema se impressionará com o antes e o depois. Como que por milagre,
rebrota toda a fauna sertaneja logo após a primeira chuva. Parece que
adormecido, em estado de torpor, à espera da sagrada água, o pasto vigora no
outrora campo desnudo. As árvores trocam a sobriedade da cor cinza. Há alegria,
o estado de ânimo é outro quando chove no sertão. A flora e a fauna
revigoradas, em todo seu esplendor.
Além do mais, retorna à região o tiziu,
com seu característico canto que o nomeou, a saltitar verticalmente para fazer
corte às fêmeas, e impressionar os adversários. Parada a invernada, o tiziu vai
a outras paragens, até o retorno das águas.
III
Após a colheita segura e os animais
engordados, João Carnaúba, garboso e falastrão, proseia no balcão da Botega com
Tenório Barbalho, seu vizinho: “Compadre, três anos seguidos de seca, eles
diziam! E falavam também em esquentamento e esfriamento de água do mar, dos
ventos que vinham da Amazônia e dos oceanos, esses palavreados dos homens das
ciências não quer dizer nadinha de nada, compadre. Eles podem ser sabidos lá
com seus estudos, mas não mandam na natureza. Quando Deus fia, pode cortar as
terras, amigo, e jogar as sementes”. Tenório Barbalho confirmava com a cabeça
e, cofiando a barba, sentenciou: “Amigo João, para justificar os erros das
previsões deles, agora alegam que essa chuvarada é obra de uma frente fria. Que
essa frente fria desgarre todo ano, que será bem vinda”.
Após três meses de invernada, renasce a
alegria sertaneja. As festas juninas são revigorantes, com farturas de comidas,
bebidas e forró. E queima-se mais lenha na fogueira – é certo - em homenagem
aos padroeiros sertanejos. Mas os meteorologistas não se fazem de arrogantes e
participam prazerosamente das festas.
Se
a privação de algumas coisas necessárias é parte essencial da felicidade, então
o sertanejo é feliz. Depois de infindáveis meses em que lutou pela vida – dele
e dos circunjacentes – e aprendeu a suportar as agruras que a natureza lhe
traz, a sua sabedoria empírica já entende que tudo é cíclico: vida e morte; bem
e mal; real e ideal; seca e inverno. E goza esse período de bonança certo que
não será permanente.
Elilson José Batista,
in Revista Cruviana n° 5, p. 126-130
17/11/2012
Factus est
O que fez o verão também fez
esta água parada água de mal viver.
Fez o dia de cacto e macambira, o dia de sono e sol
sobre a sombra dos pequizeiros. Fez a luz nos olhos
das onças pretas. Os bichos bravos
pisando macio nas folhas secas. As passadas fundas
na areia das trilhas
onde os comboios de jumentos
levaram suas cargas
de carne-seca, farinha e rapadura.
O que fez da vida a selva escondida nos troncos
sob o sol. Fez os olhos da pedra
que vence os verões. Fez as palhas da carnaúba
e as águas cortadas
águas mornas
água de barro
água de cacimba
que a sede não refuga.
O que parou as águas fez irreal este silêncio
dos chapadões. Fez os bichos obstinados
de sol e de poeira: as cabras as formigas
os cupins o homem sóbrio
e os seus dias de mal viver.
H.
Dobal, poeta piauiense
15/11/2012
Noel num vem
In todo ano é igual
Se aprochegando o
Natal
Já começa o farnizim
De avistar Papai Noel
Espirrar no meio do
céu
E arrisca é dele num
vim.
Liás, aqui nunca vei
Esse homi de vermei
Cum saco chei de
brinquedo
Só se vê mermo im
retrato
E os minino do mato
Só fica chupando os
dedo.
Me diga, o caba que
veve
Nas frialdade das
neve
No mei daquelas
lonjura
Que diabo vem vê pra
cá?
Só se for pa
esturricar
No oco dessa quentura.
Ele num vem nem a pau
Um caba internacional
Um lorde da
Escandinava
Custumado cum sarmão
Vai vim bater no
sertão
Pra cumer preá cum
fava?
Só se ele for bocó
Pra vim naquele trenó
Que nem pneu num
pissui
Se nas estrada da
roça
As vez inté as
carroça
Se ingancha nos
pidrigúi!?
Inda duvido tombem
Que os animá que ele
tem
Nesses camim lhe
carregue
No mei desses
carrapicho
Só sendo que aqueles
bicho
Vai ter os casco dum
jegue.
O natal de nossas
banda
Num tem os carrim que
anda
Nem robô que conta
estora
Num tem trenzim que
apita
Nem as buneca bonita
Que dorme, que fala e
chora.
Nós tem buneca de
trapo
Feita de tira e fiapo
Dos retaizim de rayon
Tem pião de aruera
E a mió roladera
De lata de mucilon.
Nós tem buneco de
barro
Tem as nota de
cigarro
E os cachorro de
areia
Tudo coisa de
arremedo
Foi num foi se esfola
um dedo
Chutando bola de meia.
Vamo dexar de ilusão
Que o véi da
televisão
Cum baiba branca na
cara
Vistido de incarnado
É um atô custumado
A inganar babaquara.
Não vá pensar que é
quexume
Inveja, raiva, ciúme
Ou coisa de quem
fuxica
Mais eu lhe digo: se
aquete
Que esse veim da
charrete
Só é pai de gente rica.
Zenóbio de Oliveira
02/10/2012
Desertão, saartão, sertão…

Imagem: Wikipédia
Andando esses dias, Senhor Redator, pelo
sertão mundo afora, levando na bruaca enfeitada com arte de pregaria a fortuna
das palavras de gente importante como Felipe Guerra, Eloy de Souza, Câmara
Cascudo, Juvenal e Oswaldo Lamartine – fachos luminosos do sertão à luz das
lamparinas feito – olhei o mato esturricado, e pensei cá comigo: a estética da
civilização sertaneja é a caatinga seca. No inverno, os verdes se parecem. Na
fartura, a paisagem épica cede lugar ao dionisíaco. Tudo é festa para os olhos.
Foi
ali, na secura daquele mundo sem brandura e sem amavio que floresceu a
sociedade rude dos vaqueiros, no dizer bonito de Euclydes da Cunha. Longe da
civilização do açúcar, de senhores de engenho aristocráticos, ricos de escravos
pobres de tudo. O compadrio não nasce entre dominadores e dominados. Ao
contrário do sertão, onde o senhor de terras e de gados divide a cria dos
bezerros com os seus vaqueiros, é padrinho dos seus filhos e, juntos, seja na
seca ou no inverno, dividem a vida e a lida.
Nem
citei nas minhas conversas com os alunos do Sesc, sempre tão atenciosos e que
encontrei naqueles vastos auditórios, a Conferência de Lajes que Eloy de Souza
fez para tão poucos ouvidos e passou anos perdida. Foi Vingt-Un Rosado que um
dia encontrou nos guardados de um sertanejo velho e zeloso do que ouvira no
tempo de moço. Não falei do alvoroço do seu coração, mas contei lembranças
antigas de Juvenal Lamartine puxando o fio da memória dos velhos costumes do
seu grande sertão.
Como
foi bom repetir a belíssima e lúdica descrição de Câmara Cascudo a projetar no
plano infantil os traços e costumes da tradição na vida real. A imaginação
recriando no quintal da infância o sertão do menino: dos bois de osso, dos
açudes feitos com cacos de louça, da água escorrendo nas valas abertas a unha.
Um sertão em miniatura, mas, na repetição mágica de cada gesto, o concerto
maquinal de um mundo real, embora vivido num sopro de vida que reinventa,
alegoricamente, o tempo morto.
Olhando
aquela gente ouvindo cada palavra num silêncio monástico fiquei convencido da
velha certeza que tantas vezes aprendi com Oswaldo Lamartine: há qualquer coisa
de bíblico no sertão. Na pastoral dos seus lajedos. Na solidão das suas pedras.
Na tristeza dos bichos no cantochão do aboio a apascentar os rebanhos. Um rio
cheio é um deslumbramento, avisa Câmara Cascudo. E o açude, no sono das suas
águas mansas quando acorda no quebrar da barra para repetir, a cada dia, o
milagre da criação.
Seja como for, é um mundo inteiro que
vive ali encantado naqueles mundos de lonjura e solidão, feitos de abandono,
mas espiados por olhos que ninguém vê. Mundo que nasce e morre a cada inverno e
a cada seca. Morre até que as primeiras chuvas acordem no seu chão velho a
babugem que dormia e que volta para reinaugurar nos homens e nos bichos a
alegria da vida. Sertão vazio, perdido entre caminhos sem ninguém, e que um dia
se levanta depois do sono das horas sem vida. Desertão, saartão, sertão…
Vicente
Serejo, in O Jornal de
Hoje, 28/08/2012
22/06/2012
Vidas Secas - Conversa com Walnice Nogueira Galvão
No acervo de fotografia do Instituto Moreira Salles encontram-se
imagens relevantes do sertão de Minas Gerais e do Nordeste
brasileiro. A convite do blog do ims, a professora Walnice Nogueira Galvão –
especialista em dois escritores que retrataram a geografia física e humana
dessa região, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha – analisa um conjunto de fotos de Maureen Bisilliat, Alfredo Vila-Flor,
Claude Santos, Jair Dantas, Flávio de Barros e Edu Simões.
Segundo a professora, é possível identificar
três módulos no conjunto que lhe foi apresentado: natureza, guerra e estética.
Um outro elemento é ainda destacado: a figura do encourado. A
professora ressalta, por fim, o valor do álbum de Flávio de Barros, único
profissional que fotografou a Guerra de Canudos (1896-1897), recuperado pelo Instituto Moreira Salles. Veja o vídeo aqui: http://blogdoims.uol.com.br/ims/divisoes-do-sertao-conversa-com-walnice-nogueira-galvao/
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