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12/09/2024

Acerca da riqueza

 “O que é a riqueza? Para um, uma velha camisa já é a riqueza. Outro é pobre com dez milhões. A riqueza é uma coisa relativa e pouca satisfatória. No fundo não passa de uma situação particular. Ser rico significa depender de coisas que se possui e que se é obrigado a proteger da destruição, acumulando as posses e as novas dependências. A riqueza não passa de uma materialização da insegurança.”

Franz Kafka, em Conversas com Kafka, de Gustav Janouch

19/10/2019

Os ricos, ricos e os pobres, pobres

A cultura, o sentido cultural, tem hoje muito mais que ver com o espetáculo do que com a cultura reflexiva, ponderada, que faz pensar. Tudo virou espetáculo.
Todos os dias desaparecem espécies animais, vegetais, idiomas, profissões. Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. A cada dia há uma minoria que sabe mais e uma maioria que sabe menos. A ignorância se expande de forma espantosa. Temos um problema grave na redistribuição da riqueza. A exploração atingiu uma esquisitice diabólica. As multinacionais dominarão o mundo […]. Não sei se são as sombras ou as imagens que ocultam de nós a realidade. Isso pode ser discutido indefinidamente, mas estamos perdendo a capacidade crítica em relação ao que acontece no mundo […]. Estamos abandonando nossa responsabilidade de pensar, de agir.
José Saramago, in As palavras de Saramago

27/12/2016

Morrer podre de rico

Morrer rico é extrema incompetência. Significa que você não usufruiu, ou pelo menos não usufruiu todo o seu dinheiro. Além disso, um rico que gasta tudo o que tem antes de morrer, livra os seus herdeiros do odioso imposto de transmissão.
Millôr Fernandes

12/08/2016

A riqueza

O que é a riqueza? Para um, uma velha camisa já é riqueza. Outra é pobre com dez milhões. A riqueza é uma coisa relativa e pouco satisfatória. No fundo não passa de uma situação peculiar. Ser rico significa depender de coisas que se possui e que se é obrigado a proteger da destruição, acumulando as posses e as novas dependências. A riqueza não passa da materialização da insegurança.”
Franz Kafka

11/07/2016

Amigos ausentes

Uma das alegrias da literatura está em que ela cria a possibilidade de estabelecer conversas mansas com pessoas ausentes e mesmo mortas. Muitos dos meus melhores amigos, pessoas com quem converso longamente, estão mortos há muito tempo. É o caso de Albert Camus. Ler Camus é um exercício de felicidade. Poderíamos até formar uma dupla... Seus pensamentos mais pessoais não se encontram em seus livros com princípio, meio e fim. Encontram-se nos seus diários, onde registrava os pensamentos que lhe ocorriam sem imaginar que um dia seriam transformados em livros. Muitas das suas experiências batem com as minhas. Num certo lugar ele escreve notas para um romance: “Infância pobre. Eu tinha vergonha da minha pobreza e da minha família. Só conheci essa vergonha quando me puseram no liceu. Antes, toda a gente era como eu e a pobreza parecia-me o próprio ar desse mundo. No liceu foi-me dado comparar”. Num outro lugar ele comenta: “Que pode um homem desejar de melhor do que a pobreza? Não disse miséria nem o trabalho sem esperança do proletário moderno. Mas não vejo o que pode desejar-se a mais do que a pobreza ligada a um ócio ativo”. Foi exatamente essa a minha experiência. Minha infância foi vivida na pobreza. A princípio, grande pobreza. Depois, pobreza simplesmente. Desses anos não tenho uma única memória infeliz. Tive dores, como toda criança tem: dor de dente, dor de tombo, dor de barriga, dor de queimadura. Mas não tive experiência de infelicidade. Minha infelicidade começou quando a vida melhorou e nos mudamos de uma cidade do interior de Minas para o Rio de Janeiro. Meu pai me matriculou num colégio de cariocas ricos. Foi então que, como Camus, senti vergonha da minha pobreza e da minha família: eu era diferente, não pertencia ao mundo elegante dos meus colegas. Num outro lugar do seu diário, Camus registrou: “Atenção: Kierkegaard, a origem dos nossos males está na comparação”. Kierkegaard foi um solitário filósofo dinamarquês. Os desbravadores são sempre solitários. Veem coisas que os outros não veem. Como foi o caso de Nietzsche. Kierkegaard foi meu primeiro amigo filósofo. Com ele tive longas e mansas conversas. Sua filosofia é construída em meio a uma teia de sutis percepções psicológicas. O sofrimento da pobreza, quando não é miséria, se encontra na comparação. A miséria é diferente da pobreza. A pobreza está muito próxima da simplicidade. Simplicidade tem a ver com as coisas que são essenciais. Simplicidade é caminhar com uma mochila leve. A riqueza, ao contrário, é caminhar arrastando muitas malas pesadas, sem alças... A pobreza simples é uma pobreza feliz. Feliz porque leve. É a comparação, origem da inveja, que a torna infeliz. Camus e eu experimentamos a infelicidade da comparação na escola. Mas hoje não é preciso ir à escola para sentir a sua maldição. Basta ligar a televisão. A televisão é uma máquina de infelicidade, na medida em que ela nos obriga a comparar. Os pobres, nos lugares mais distantes, ligam as novelas e sentem a sua desgraça. A comparação é um exercício dos olhos: vejo-me; estou feliz.
Rubem Alves, in Ostra feliz não faz pérola

05/05/2015

Neurose

Estamos neuróticos. Não só existe desigualdade na distribuição da riqueza como também na satisfação das necessidades básicas. Não nos orientamos por um sentido de racionalidade mínima. A Terra está rodeada de milhares de satélites, podemos ter em casa cem canais de televisão, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? É uma neurose coletiva, as pessoas já não sabem o que é que lhes é essencial para a sua felicidade.”
José Saramago

04/03/2015

Acerca da riqueza

 “O que é a riqueza? Para um, uma velha camisa já é a riqueza. Outro é pobre com dez milhões. A riqueza é uma coisa relativa e pouco satisfatória. No fundo não passa de uma situação particular. Ser rico significa depender de coisas que se possui e que se é obrigado a proteger da destruição, acumulando as posses e as novas dependências. A riqueza não passa de uma materialização da insegurança.”
Franz Kafka

07/09/2013

Para que as riquezas?

"Todas as riquezas do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à ideia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para a humanidade. Somente seres humanos excepcionais e irrepreensíveis suscitam ideias generosas e ações elevadas. Mas o dinheiro polui tudo e degrada sem piedade a pessoa humana. Não posso comparar a generosidade de um Moisés, de um Jesus ou de um Gandhi com a generosidade de uma Fundação Carnegie Qualquer."
Albert Einstein, in Como vejo o mundo

Ambição e poder

"A ambição comete, em relação ao poder, o mesmo erro que a ganância em relação à riqueza: começa a acumulá-la como meio de felicidade, e acaba a acumulá-la como objetivo."
Charles Caleb Colton

26/06/2013

Esforço pela felicidade

“O animal humano, como os outros animais, está adaptado para uma certa luta pela vida e quando, graças à sua riqueza, o homo sapiens pode satisfazer todos os desejos sem esforço, a simples ausência do esforço na sua vida afasta dele um elemento essencial de felicidade. O homem que adquire facilmente as coisas pelas quais sente apenas um desejo moderado, conclui que a realização do desejo não dá felicidade. Se tem disposição para a filosofia, conclui que a vida humana é essencialmente desprezível, pois o homem que tem tudo o que precisa ainda assim é infeliz. Esquece-se de que privar-se de algumas coisas que precisa é parte indispensável da felicidade”.
Bertrand Russell, in A Conquista da Felicidade

25/10/2012

Nem riqueza nem pobreza

“Uma sociedade em que nem a riqueza nem a pobreza existem produz homens de excelente caráter, já que nela não há lugar para violência ou maldade, nem rivalidade ou inveja.”
Platão