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28/01/2025
18/10/2023
Grandioso e delicado, “Assassinos da Lua das Flores” é triunfo de Scorsese
A
última coisa que Martin Scorsese queria fazer era outro filme sobre
crimes. Ao longo de sua carreira superlativa, o cineasta retratou o
submundo sob diversos pontos de vista, de sua criação e organização
até sua desconstrução. “Assassinos da Lua das Flores” poderia
facilmente seguir esse caminho. Mas Scorsese definitivamente não
queria fazer outro filme sobre crimes.
Publicado
em 2017 por David Grann, o livro que serve de base para o longa
relata a história real de execuções em série ocorridas na América
dos anos 1920 em território Osage, nação nativa então alocada no
Oklahoma, e a subsequente investigação dos crimes por um FBI
nascente. Scorsese, no entanto, optou por enxergar além da
superfície e mudar o foco.
“Assassinos
da Lua das Flores” tornou-se, então, uma história sobre um povo
nobre e orgulhoso, quebrado pela profanação empreendida pelo homem
branco. Uma história de cobiça e poder, de corrupção e genocídio,
disfarçada como recorte de uma América “vitoriosa” em sua
conquista do país, que tem em sua soberba a ousadia em tomar para si
a palavra final sobre a veracidade dos fatos.
Verdadeiramente
épico em metragem e em ambição, e ainda assim tão intimista e tão
verdadeiro, “Assassinos da Lua das Flores” conta a história de
um casal, a nativa Mollie Burkhart (Lily Gladstone) e o “forasteiro”,
Ernest (Leonardo DiCaprio), e como eles espelham de um lado a
tradição compurscada, do outro o mundo exterior invasivo. É um
privilégio observar Scorsese, no alto de seus 80 anos, dispor de seu
talento imensurável para montar esse quadro tão grandioso e tão
delicado.
Depois
da descoberta de petróleo em suas terras, a nação Osage distoa da
imagem de pobreza dos nativos americanos. Milionários com o “ouro
negro”, eles se impõe em uma sociedade que mais os tolera do que
os admira. É nesse cenário que Ernest Burkhart retorna do campo de
batalha da Primeira Guerra Mundial para ser acolhido por seu tio,
William Hale (Robert De Niro), que deixa claro seu preferência por
ser chamado de “Rei”.
Aos
poucos Ernest entende o equilíbrio social delicado que sustenta a
região. Não é com sutileza que Hale, autoproclamado amigo dos
Osage, lhe sugere o matrimônio com uma nativa para garantir que o
fluxo do dinheiro termine com o homem branco. É um ciclo de
manipulação, extorsão e roubo que substituiu a violência física
do avanço “civilizatório” de seus antepassados. Não tarda,
contudo, para assassinatos entrarem nessa ciranda.
A
câmera de Scorsese, sabiamente, faz dos crimes, coadjuvantes. Sua
ótica é, então, dirigida aos Osage, tratados com paternalismo e
condescendência, como um mero incômodo a ser removido. É uma
atitude compartilhada por Ernest que, embora esteja casado com
Mollie, e reafirme que seus sentimentos sejam verdadeiros, engole
seus sentimentos conflitantes quando é forçado a tomar decisões
explicitamente amorais.
Em
2002, Leonardo DiCaprio trabalhou com Martin Scorsese em “Gangues
de Nova York”, primeira de seis parcerias que o fizeram evoluir
drasticamente como ator. Os filmes anteriores, contudo, pareciam um
ensaio para a complexidade que ele demonstra em “Assassinos da Lua
das Flores”. Existem camadas em seu retrato de Ernest Burkhart,
sujeito simplório conduzido passivamente pelas circunstâncias, que
revelam a perturbação interna de alguém incapaz de compreender as
consequências de seus atos.
A
interpretação de DiCaprio, contudo, não busca trazer nenhuma
empatia por seu personagem. Pelo contrário: ele é o retrato
perfeito de alguém que finge estupidez para fugir de
responsabilidades. Suas cenas com Robert De Niro, que não esconde a
virulência do cinismo e da frieza de seu personagem, nos fazem
querer que essa parceria sob o comando de Scorsese tivesse acontecido
há muitos e muitos filmes.
DiCaprio
e De Niro, ambos em total controle de seu imenso talento dramático,
habitam a atmosfera familiar de suas colaborações com o diretor,
uma ciranda de dinheiro e poder, de crime e consequências.
“Assassinos” traz, contudo, um elemento que dilacera esse molde e
conduz o filme para caminhos surpreendentes, mesmo dentro do cinema
de Scorsese. Essa força atende pelo nome de Lily Gladstone.
Embora
“Assassinos da Lua das Flores” não transcorra sob o ponto de
vista de sua personagem, é em Lily Gladstone que o filme tem sua
âncora emocional. A atriz de 37 anos, com uma carreira que vai do
cinema independente (“Certas Mulheres”, “First Cow”) a séries
de TV (“Billions”, “Reservation Dogs”), consolida com firmeza
a complexa relação destrinchada ao longo de anos com o Ernest de
DiCaprio, traduzida em um casamento que flutua num éter de amor e
conveniência.
Com
o holofote narrativo no casal de protagonistas, Scorsese expande
habilmente outros elementos - personagens e acontecimentos - nos
espaços e momentos de respiro que costuram a trama principal. São
os crimes que empilham corpos Osage. É a chegada tardia do FBI nesse
cenário de morte. Ou o destino, pelo crime ou pela justiça, de
peças muitas vezes sem nome em um tabuleiro definido por ganância e
impunidade. Cada detalhe importa: nesse equilíbrio de história
intimista e épico expansivo não existe espaço para o acaso.
Essa
dualidade é a matéria-prima com a qual Scorsese define o dilema de
cada núcleo narrativo, traçando paralelos brilhantes sem nunca
perder o foco. Como observado no definhamento de Mollie ante a
traição de sua confiança e a indiferença daqueles que a cercam: é
uma alegoria para concentrar em uma só pessoa a dor e o pesar
experimentados pelos Osage, uma tragédia que ajudou a definir a
própria história americana do século 20.
Martin
Scorsese não tem pressa em desfraldar “Assassinos da Lua de
Flores”. Um artista sabe exatamente o tempo necessário para contar
uma história, e a metragem de três horas e meia não pesa quando
somos absorvidos pelo mundo fascinante e trágico que ele desenha.
Inabalável em suas convicções, o diretor ergue-se como uma voz que
defende a experiência cinematográfica sem tratar a plateia como
crianças hiperativas, incapazes de manter a atenção para além de
um TikTok.
Os
fatos corroboram sua determinação. “Oppenheimer”, com suas três
horas de projeção, tornou-se um fenômeno nas bilheterias, por
pouco encostando na marca de US$ 1 bilhão arrecadados nas
bilheterias. A plataforma de streaming AppleTV+, co-produtora de
“Assassinos” e que bancou boa parte dos US$ 200 milhões do
orçamento, enxergou então uma oportunidade, optando por ampliar sua
janela de lançamento nos cinemas e adiar a estreia em casa.
A
cultura pop hoje é dominada por marcas, e não há problema em
manter a máquina funcionando com filmes de super-heróis,
dinossauros e personagens de videogames. Existe, por outro lado, sede
por um cinema mais maduro e menos óbvio, por um cinema que pede para
ser visto, sentido e absorvido. Por um cinema mais inteligente e, por
que não, mais necessário.
A
arte sempre foi um reflexo do espírito do tempo. O novo trabalho de
Martin Scorsese estreia em um momento de turbulência, em que o homem
mais uma vez mergulha em violência e intolerância para determinar
sua dominância. Um ciclo que parece se perpetuar, seja no cenário
global, seja numa comunidade nativa que viu seus recursos e seu
legado tomados à força. “Assassinos da Lua das Flores” não é
sobre os crimes que mancharam a história americana. É sobre um país
que se recusa a fazer as pazes com seu próprio passado.
Roberto Sadovski, in Splashuol, 18/10/2023. Acesse aqui
07/11/2019
Martin Scorsese e a linguagem cinematográfica dos grandes blockbusters
Após
semanas de debate sobre o futuro do cinema e repercussões a torto e
a direita da polêmica declaração de Martin Scorsese sobre o
Universo Cinematográfico Marvel, o cineasta publicou um artigo de
opinião no jornal The New York Times explicando a extensão de sua
fala e aprofundando o tema.
O diretor do recente O Irlandês,
da Netflix, escreve defendendo a sua afirmação anterior e
detalhando que seu ponto de vista refere-se tanto à linguagem
cinematográfica como forma de arte e às consequências da
massificação de grandes blockbusters para a distribuição de obras
autorais e independentes.
Ele escreveu:
Muitas
franquias cinematográficas são feitas por pessoas de talento
artístico considerável. Você pode ver isso na tela. O fato de os
filmes em si não me interessarem é uma questão de gosto e
temperamento pessoais. Sei que, se eu fosse mais jovem, talvez eu me
empolgasse com estes filmes e talvez até quisesse fazer um. Mas eu
cresci quando eu cresci e desenvolvi um senso de que filmes — o que
eles eram e o que eles poderiam ser — estava tão longe do universo
Marvel quanto a Terra está de Alpha Centauri.
Para mim, para os cineastas que eu amo e
respeito, para os meus amigos que começaram a fazer filmes na mesma
época em que eu comecei, cinema era sobre revelação — estética,
emocional e espiritual. Era sobre os personagens — a complexidade
das pessoas e suas naturezas contraditórias e paradoxais, a forma
como podem machucar umas às outras e amar umas às outras e de
repente se virem cara a cara com si mesmas.
Era sobre confrontar o inesperado nas
telas e na vida que ela dramatiza e interpreta, engrandecendo o senso
do que é possível na forma da arte.
E
essa é a chave para nós: era uma forma de arte. Houve um debate na
época, e nós defendemos o cinema como uma arte no mesmo patamar da
literatura, da música ou da dança. E nós entendemos que a arte
poderia ser encontrada em muitos lugares e formas diferentes — em
Capacete de Aço
de Sam Fuller ou Quando
Duas Mulheres Pecam
de Ingmar Bergman, em
Dançando
nas Nuvens
de Stanley
Donen e Gene Kelly
e em Scorpio Rising
de Kenneth Anger, em Viver
a Vida
de Jean-Luc Godard e Os
Assassinos
de Don Siegel.
(...)
Sessenta ou 70 anos depois, ainda estamos
assistindo àqueles filmes e nos deliciando com eles. Mas é pelo
choque e pela emoção que voltamos? Eu acho que não. Os cenários
de Intriga Internacional são incríveis, mas eles não seriam nada
mais do que uma sucessão de composições dinâmicas e elegantes e
cortes sem a emoção dolorosa no centro da história e com o
personagem de Cary Grant.
(...)
Alguns
dizem que os filmes de Hitchcock
eram muito parecidos, e talvez isso seja verdade — o próprio
Hitchcock se questionava quanto a isso. Mas essa semelhança
nos filmes de franquia de hoje é ainda outra coisa. Muitos dos
elementos que definem o cinema como eu conheço estão ali nos filmes
da Marvel. O que não está é a revelação, o mistério ou o perigo
emocional genuíno. Nada está em risco. Os filmes são feitos para
satisfazer uma leva específica de demandas, e são desenhados como
variações em um número finito de temas.
Eles são sequências no nome mas
refilmagens em espírito, e tudo neles é oficialmente sancionado
porque não tem como ser de outra forma. Essa é a natureza das
franquias cinematográficas modernas: com pesquisas de mercado,
testadas pelo público, vetadas, modificadas, vetadas mais uma vez e
novamente modificadas, até que estejam próprias para o consumo.
Outra
forma de colocar isso seria na forma como eles são tudo o que os
filmes de Paul
Thomas Anderson, Claire Denis, Spike Lee, Ari Aster, Kathryn Bigelow
ou Wes Anderson não
são. Quando eu vejo filmes feitos por qualquer um destes cineastas,
eu sei que vou ver algo absolutamente novo e serei tomado de
surpresa. Meu senso do que é possível em narrativas com imagens em
movimento e com som sempre será expandido.
Então, você se pergunta, qual é o meu
problema? Por que não simplesmente deixar filmes de super-heróis e
outras franquias em paz? A razão é simples. Em muitos lugares neste
país e ao redor do mundo, franquias são agora a escolha primária
se você quer exibir algo nas telonas. É um tempo arriscado em
exibição, e há menos cinemas independentes do que nunca. A equação
se inverteu e o streaming se tornou o principal sistema de entrega.
Ainda assim, eu não conheço um único cineasta que não queira
fazer filmes para a telona, para serem projetados em frente a
públicos no cinema.
(...)
E se você me disser que isso é
simplesmente uma questão de oferta e demanda, de dar às pessoas o
que elas querem, terei que discordar. É uma questão de
ovo-e-galinha. Se as pessoas recebem apenas um único tipo de coisa e
é vendido para elas eternamente um único tipo de coisa, é claro
que elas vão querer mais de um único tipo de coisa.
Mas você pode argumentar, será que
essas pessoas não podem ir para suas casas e assistir a qualquer
outra coisa na Netflix, iTunes ou Hulu? Claro — em qualquer lugar
que não seja a telona, onde o cineasta pretendia que o seu filme
fosse visto.
Nos últimos 20 anos, como sabemos, o
negócio cinematográfico mudou em todas as frentes. Mas a mudança
mais grave aconteceu da noite para o dia: a gradual mas frequente
eliminação do risco. Muitos filmes hoje são produtos perfeitamente
manufaturados para o consumo imediato. Muitos deles são bem feitos
por times ou indivíduos talentosos. Mesmo assim, falta a eles algo
essencial ao cinema: a visão unificada de um artista. Porque, é
claro, o artista individual é o fator mais arriscado de todos.
Certamente, não estou querendo dizer que
os filmes deveriam ser uma forma de arte subsidiada, ou que um dia já
foram. Quando o sistema de estúdios de Hollywood ainda estava vivo e
muito bem, a tensão entre artistas e as pessoas que mandavam no
negócio era constante e intensa, mas era uma tensão produtiva que
nos deu alguns dos melhores filmes já feitos —
nas palavras de Bob Dylan, o melhor deles foi “heróico e
visionário”.
Hoje, a tensão se foi, e há alguns
neste negócio absolutamente indiferentes à questão da arte e com
uma atitude a respeito da história do cinema que ao mesmo tempo é
desdenhosa e proprietária, uma combinação letal. A situação,
infelizmente, é que agora somos dois campos diferentes: há o
entretenimento audiovisual mundial, e há o cinema. Eles ainda se
sobrepõem de vez em quando, mas isso é incrivelmente raro. E eu
temo que a dominação financeira de um esteja sendo usada para
marginalizar e diminuir a existência do outro.
Para qualquer um que sonhe em fazer
filmes ou quem está começando, a situação neste momento é brutal
e inabitável para a arte. E o simples ato de escrever essas palavras
me enche de uma terrível tristeza.”
Martin
Scorsese,
in The New York Times
Acesse a matéria do Adoro Cinema aqui.
18/02/2012
A invenção de Méliès
Martin Scorsese adora
novidades, adora contar boas histórias e, principalmente, adora o cinema.
Em
seu novo filme, “A Invenção de Hugo Cabret”, que concorre a 11 Oscars e estreia
hoje no Brasil, conseguiu unir tudo isso numa comovente homenagem a um dos
precursores dessa arte, o francês Georges Méliès (1861-1938).
A novidade é o 3D, que o cineasta usa pela primeira vez. “O 3D é o
futuro do cinema, mas é bom lembrar que ele vem lá do passado. O próprio Méliès
já buscava algo parecido no início do século 20. Na verdade, há dois minutos de
um dos seus filmes, ‘Le Cake-Walk Infernal’ [1903], filmados com duas câmeras
simultaneamente, que já é um precursor da técnica. Ele caminhava para isso”,
disse Scorsese, durante entrevista à Folha no final do ano passado em Londres.
A boa história é a do próprio Méliès. Ele era uma das pessoas que
assistiram, no final do século 19, às primeiras projeções em Paris dos filmetes
dos irmãos Auguste e Louis Lumière, que mostravam um trem em movimento. As
imagens assustaram alguns espectadores, mas encantaram Méliès que, na época,
atuava como mágico. Ele comprou uma câmera, montou um estúdio e começou a
filmar narrativas que criava e interpretava. Lançou mais de 400 títulos, que
misturavam magia, ficção científica, comédia e horror.
Fez
sucesso até a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914), quando foi esquecido. Ficou
desiludido, queimou todos os seus cenários, figurinos e a maioria dos originais
de seus filmes. E passou a viver anonimamente.
Para
recontar essa história, Scorsese usou o livro de Brian Selznick, que tem o
mesmo título do filme.
Selznick
acrescentou ficção à realidade. Criou um personagem, o próprio Hugo, um garoto
órfão que vive na estação de trem Montparnasse, de Paris.
É ele
que reencontra o velho cineasta, que escondia seu passado e mantinha uma
lojinha de brinquedos na mesma estação. O garoto acaba sendo o responsável por
seu redescobrimento, o que de fato aconteceu, pouco antes da morte de Méliès.
“É a
recontagem do mito do velho exilado que é resgatado pelas mãos de uma criança
pura”, afirma Ben Kingsley, que interpreta Méliès na produção.
Ele
conta que, no início das filmagens, recebeu de Scorsese uma caixa com vários
filmes do francês.
“Eu
já o conhecia, mas foi valioso rever os filmes e comparar com o que foi
recriado agora, como seu estúdio de vidro em Paris”, disse.
Kingsley,
que já trabalhou com grandes diretores e ganhou o Oscar de ator por “Gandhi”
(1982), não economiza elogios a Scorsese.
“Ele
é um diretor seguro, que te deixa trabalhar. Quando diz ‘corta’, vem com
comentários adoráveis, ajustes que apenas enriquecem seu trabalho. Os diretores
inseguros querem te deixar também inseguro e pedem takes e mais takes”, afirmou
à Folha.
CHAVES
DO CORAÇÃO
A
história ficcional de Hugo também é cheia de dramaticidade. Desde o início do
filme, o garoto abandonado tenta reconstruir um robô que era de seu pai, morto
durante um incêndio.
A
chave para a máquina funcionar, que está perdida, tem o formato de um coração.
“É mais uma das metáforas sutis do filme”, diz Kingsley.
“O
coração do autômato precisa ser aberto com uma chave, assim como o coração de
Méliès, que está fechado, amargurado, precisa que alguém o abra. E a chave é a
mais inocente das crianças.”
A
frase é de Kingsley, mas bem poderia ser do Méliès redescoberto.
Fonte: www.substantivoplural.com.br
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