Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

04/05/2024

Monólogo do espectador

 “O teatro dos acontecimentos” — eis aí uma velha expressão que significa muito mais do que parece. Será que tudo não passa mesmo de um faz de conta?

Mário Quintana, in Porta giratória

20/04/2024

Sobre um acerto amor


Em um longo ensaio intitulado Os mitos do amor, ao analisar a história de personagens da Grécia antiga, deuses ou semideuses, Denis de Rougemont estuda a problemática desse sentimento determinante na formação do indivíduo. E escreve:

Eros, que era um deus para os antigos, é um problema para os modernos. O deus tinha asas, era encantador e secundário; o problema é sério, complexo e pesado.

Grande parte da produção artística de Chico Buarque – incluímos aqui canções, peças de teatro e romances – coloca diante de nós os delicados e complicados meandros do amor, comentados por Rougemont. Ciúme, alegria, tristeza, humilhações, súplicas, desprezo, tudo cabe aqui. Pela voz de Chico, por exemplo, canta o homem que observa a amada refletida nas vitrines da cidade, espalhando poesia pelo chão, alheia aos perigos para os quais ele a prevenira: “Te avisei que a cidade era um vão / [...] / – Não vai lá não”. Mas a mulher, triunfante, ignora olhares e súplicas, brinca de ser, multiplica-se, ri e se emociona no cinema, passeia pelas ruas indiferente a seu vigia, que recolhe restos de seu encanto espalhados pelo chão. Pela voz de Chico, o homem, deixado de lado, vê a amada que se vai, cujo corpo pede talvez outros amores. Vencido, tendo apenas o poema de sua agonia para lhe ofertar, o poema agora inútil, incapaz de competir com o esplendor da vida lá fora, ele se rende, aconselha: “Parte, [...] / Que a vida não espera / É uma primavera”.
Essa voz masculina chorosa, tantas vezes cantada pelo autor de “A banda”, pode também, mas raramente, se dizer insensível às dores de amor, que entretanto continua a sentir. Deixa de lado o tom de revanche e avisa: “Não vou lhe dar / O enorme prazer de me ver chorar” – e todos sabemos que ele vai chorar, sim, talvez entre os lençóis manchados.
As mulheres cantadas por Chico, sofridas ou felizes, são de um outro teor. Algumas, mesmo menosprezadas, resignadas, sabem construir para si um espaço de equilíbrio amoroso, realizando sozinhas o amor. Um pouco talvez aquilo que Rilke encara como o jeito feminino de cumprir o amor sem necessidade do amor total do outro. Aquela amada que conheceu uma hora inteira em que realmente existiu, experimentou o amor e nele encontrou refúgio, espaço, busca, pode até dispensar a presença do amado, como o fizeram Louise Labé ou Gaspara Stampa. A personagem de Chico prepara “Com açúcar, com afeto / [o] doce predileto” para o homem amado que não chega. Aceita até que ele encontre felicidade longe dela. E se satisfaz em beijar seu retrato.
Quase sempre a voz do artista canta a liberdade feminina recuperada após uma separação, a de quem conseguiu dar a volta por cima e reencontrou, de outro modo, a felicidade pessoal de outros tempos, assumindo uma nova condição de vida: esquece os sofrimentos do passado e se refaz. Sem queixas, sem atribuir culpa ao parceiro que a abandonou, conseguindo até ser delicada com ele. Trata-o afetuosamente por “meu bem”, ela que se tornou “bem demais”. Abre-lhe as portas da amizade e da casa que foi dele um dia:

Quando talvez precisar de mim
‘Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim

E acrescenta, com um tom que não esconde um pequeno sentimento de revanche:

[...] quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

Na Ópera do malandro, comédia musical baseada na Ópera dos mendigos, de John Gay, autor do século XVIII, e na Ópera dos três vinténs, de Brecht e Kurt Weill, Chico põe em cena personagens de diversas classes sociais, sobretudo as chamadas subalternas, bicheiros, bandidos, mulheres da vida, vivendo o dia a dia da malandragem carioca, às voltas com as contradições do capitalismo moderno e do amor. Duran, proprietário de um bordel, diz ter “mil quatrocentas e trinta e duas funcionárias”, ajudado por Vitória, a esposa. Ele educa ou “investe” em Teresinha, a filha, para que ela seja recebida em altas rodas da sociedade, para que seja uma grande dama: “O que a gente aplicou nela é pra futura mulher de ministro de Estado, pelo menos”. Duran dirige seu negócio como um verdadeiro comerciante: paga salário mínimo, oferece carteira assinada, assistência médica e exige oito horas de trabalho. Um pai e um patrão duro, como o nome o sugere.
Mas eis que um dia Teresinha se rebela: mesmo envolvida pelos turbilhões da vida e do ambiente em que vive a família, consegue se impor, rompe com a autoridade do pai, escolhendo um marido ao seu gosto, um malandro que vive de falcatruas, Max. Teresinha sonha com uma vida pequeno-burguesa, sugere a Max uma casinha que é “uma graça”, no Cosme Velho, deseja ter luz elétrica, bonde na porta, telefone, policiamento por perto, num ambiente diferente daquele onde Max vive e lhe propõe viver. Escandaliza Duran, quando anuncia que se casou com Max, horroriza a mãe, que tenta inutilmente convencê-la do erro de tal casamento. Ousada, ela é peremptória. Chega a proclamar sem rodeios que está casada e emancipada. E acrescenta: “Vou viver do trabalho do meu esposo”. Quando Vitória, chocada, replica, ela ironicamente faz apelo à ideologia vigente na classe média. Vai viver do trabalho do esposo, como toda mulher decente. Fica implícito que ela se tornará igual às mulheres do mundo, sua mãe inclusive. Desconstrói em seguida a autoridade que a mãe busca exercer pela palavra: “Pode chamar de ladrão quanto quiser que eu nem ligo”.
“Eu nem ligo.” Com essas palavras Teresinha se liberta da autoridade paterna e das pessoas que vivem ao seu redor, ou que apenas a conhecem. E se serve de outros argumentos que desqualificam as atividades financeiras de Duran, que empresta a juros de agiota, mora numa casa infecta da Lapa para melhor fiscalizar os negócios. Ante o espanto da mãe, ela faz apelo a lugares-comuns para justificar seu amor por Max: “O amor não tem fronteiras. O amor destrói barreiras. Só o amor constrói”.
A ideologia fala, pois, por ela e a justifica, num tipo de discurso que Vitória se apressa em desmentir, servindo-se de seu próprio exemplo: “se você ama uma pessoa, é lógico que não vai casar com ela”. A prova: seu casamento durou esses anos todos porque ela e Duran não se amavam.
Um dos momentos mais interessantes da Ópera do malandro, no que concerne à construção – irônica? contraideológica? divertida? inesperada? – de uma personagem feminina por meio de sua definição do amor, é certamente aquele em que Teresinha canta descrevendo o amado, as atitudes dele em relação a ela. E ela o faz ao lado de Lúcia: em contraponto as duas cantam, dividindo a cena, relatando quase de igual modo a descrição das suas relações físicas com o malandro. Até então o espectador ignorava a presença de Lúcia, que só agora aparece, revolucionando a ação dramática, o que levanta o interesse no desenrolar da história. Elas são rivais. Então sabemos que essa segunda personagem feminina também se considera esposa de Max.
Pouco antes da entrada de Teresinha em cena, Lúcia chega à delegacia onde Max se encontra preso e algemado. Ela descobriu que Max se casara e sua fala inicial atesta de sua determinação em disputar a preferência do malandro, insultando-o, e logo amansando a fala, ante as palavras melosas e enganosas do amado. Trata-o por “barba-azul de merda”, “canalha”, “veado”, “filho do cão”. Diz, antevendo o futuro, que vai aplaudir a cena de tortura que ele sofrerá dentro em pouco. A esse discurso exaltado, o malandro responde com apelos que fazem lembrar o amor e o carinho passados: “Lúcia, você se esqueceu do meu beijo”, “Você não tem dó da situação do teu marido?”. Para acalmar a mulher, lembra-lhe que está grávida e que o nervosismo é um perigo nos primeiros meses de gravidez. E pinta um futuro idílico, com a chegada do primogênito, o herdeiro, enquanto acaricia o ventre de Lúcia. O filho consolidará a união, será uma goma-arábica. Lúcia não se deixa enternecer, cobra uma quantia que Max lhe deve, deseja que morra e deixe viúva a rival. Segue-se um diálogo divertido em que os dois trocam insultos, mentem, atacam e se defendem, e que vai se encerrar com a chegada de Teresinha. “Mulher já não prima pelo intelecto”, diz Max, e acrescenta: “Quando tá com ciúme então, aí é que emburrece de vez”. Lúcia replica com o mesmo tom insultuoso: “Tô cagando [...]. Quero que você morra!”. Max amansa a mulher com abraços, reafirma sua paixão por ela e a elogia: “Quem já deitou contigo não esquece”.
É então que entra Teresinha, desprevenida. Desconhecia a existência da rival, que também não a conhece. Quando Teresinha se apresenta como “a senhora Max Overseas”, o tom das falas vai se elevar e os insultos se multiplicam, num crescendo que espicaça o interesse do espectador e o diverte, ele a quem o autor já deixou antever o quiproquó que se formará. Aqui as falas dos personagens se tornam curtas, pontuadas por ameaças, perguntas destinadas a fazer rir o espectador e esclarecer a situação das duas mulheres, entre elas e com relação a Max, o que torna mais eficaz e rápida a ação dramática:

LÚCIA: Ah, é? Andando com as putas de novo? Seu cachorro!
TERESINHA: [...] Max, você tá me ouvindo? Por que não olha pra tua esposinha?
LÚCIA: [...] Você nunca vai ver os cornos do teu filho, viu?
TERESINHA: Que filho?
LÚCIA: [...] Tá pensando que é chope?
[...]
MAX: Não exagera, tá?
[...]
LÚCIA: [...] Vai confessar ou não vai?

A disputa entre as duas mulheres vai se acirrando até que elas chegam ao argumento final e nisso finalmente elas coincidem, nas descrições do prazer que tiveram e têm nas relações sexuais com o malandro, moeda de troca entre os insultos e prova da importância que Max dá a uma e a outra. As falas vão alternar a evidência e o julgamento subjetivo:

TERESINHA: [...] O Max me protege.
LÚCIA: [...] O negócio do Max é aqui comigo.

Quando Lúcia ouve a rival falar de amor, evoca o que é para ela a maior prova de amor, do interesse do malandro por ela e do vigor sexual que ela consegue despertar nele:

LÚCIA: Te ama? Pois em mim ele dá cinco sem sair de cima.

Teresinha replica, as duas rivalizam em notações indicadoras da força que exercem seus corpos sobre o corpo do marido, com detalhes que divertem certamente a plateia:

TERESINHA: Comigo ele chora de prazer!
LÚCIA: Comigo ele rola no tapete!
TERESINHA: Comigo ele fica vesguinho...
LÚCIA: Comigo ele fala um montão de porcaria…

É então que a orquestra ataca a introdução da canção que as duas mulheres entoarão, alternadamente. Uma canção de amor, finalmente, em que a ternura implícita, a felicidade da plenitude física se diz, ora com sentimento e delicadeza, ora de modo grosseiro, como convém ao que o espectador espera da classe social a que pertencem as duas personagens. Sob a crueza de alguns detalhes, sente-se que pulsa algo mais sério, mais profundo, talvez, entre a troca de carinhos enunciada. Teresinha e Lúcia falam quase a mesma linguagem, denunciadora do prazer que dão e que recebem. Essa semelhança entre as duas, que as palavras corroboram, já se encontra nos dois primeiros versos de cada uma de suas falas:

O meu amor*
Tem um jeito manso que é só seu

“O meu amor”. As duas assumem aqui ser possuidoras do homem. Conhecendo a grosseria do personagem de Max tal qual foi construído ao longo da peça, o espectador faz uma primeira constatação: é apenas no espírito das duas mulheres, levadas pela lembrança de momentos de amor, que o amor e o próprio Max se constroem. E que a relação sexual tem o dom de tornar delicado alguém que é normalmente bruto e enganador: o encontro do malandro com o corpo das duas mulheres o torna outro, manso, conforme enunciam. A primeira fala de Teresinha traz um laivo de emoção, sentimentalismo, que não encontramos no discurso de Lúcia. Teresinha fala de pele e de beijo calmo que chega até a alma. Só quando Lúcia mergulha em detalhes de suas relações com Max é que Teresinha vai mais longe, como se quisesse suplantar a rival, em descrições mais fortes. Lúcia fala de umbigo, mordidas, palavras indecentes, beijos na nuca, descreve movimentos envolvendo as coxas dos dois amantes. Teresinha replica, assinalando os beijos que Max lhe faz em partes de seu corpo, seios, ventre, sexo, que a deixam transtornada como acontece com a rival, servindo-se não de expressões banais e uma palavra como “maluca”, mas com uma expressão metafórica, mais rebuscada, portanto: “E o mundo sai rodando / E tudo vai ficando / Solto e desconexo”. Interessante notar o modo como Chico Buarque nos evidencia que, finalmente, as duas mulheres se valem e se unem, no gozo do amor sem pejo: as estrofes em que cantam juntas lembram ao espectador que a linguagem do amor é uma só, apesar das diferenças que caracterizam as pessoas.
A canção entoada por Lúcia e Teresinha é uma espécie de interlúdio que serve para fazer repousar o espectador, cansado talvez da velocidade com que fatos, diálogos rápidos e insultos se acumulam ao longo da peça. O que aqui acontece se passa igualmente em outros momentos, em que a voz do autor se enternece e nos enternece por meio de canções como “Doze anos”, “Teresinha”, “Pedaço de mim”. Ou ri e nos faz rir com outros textos como “Ai, se eles me pegam agora”. Fazendo-nos mergulhar em um certo momento da história da sociedade brasileira, Chico Buarque nos entrega com essa sua comédia musical um retrato do que fomos e do que somos, ao mesmo tempo em que coloca diante de nós toda a gama dos sentimentos contraditórios experimentados quando o amor e a paixão penetram no mais fundo dos indivíduos, qualquer que seja a classe social a que pertençam. Uma problemática comum a todos nós, sujeitos todos a nos tornar, um dia ou outro, joguetes daquele pequeno deus brincalhão de que fala Denis de Rougemont.

* Trecho da versão de “O meu amor” para a peça: Teresinha: “O meu amor / Tem um jeito manso que é só seu / E que me deixa louca / Quando me beija a boca / A minha pele toda fica arrepiada / E me beija com calma e fundo / Até minh’alma se sentir beijada // Lúcia: O meu amor / Tem um jeito manso que é só seu / Que rouba os meus sentidos / Viola os meus ouvidos / Com tantos segredos / Lindos e indecentes / Depois brinca comigo / Ri do meu umbigo / E me crava os dentes // As duas: Eu sou sua menina, viu? / E ele é o meu rapaz / Meu corpo é testemunha / Do bem que ele me faz”. Cf. BUARQUE, Chico. Ópera do malandro. São Paulo: Círculo do Livro, 1978, p. 142-144.

Luzilá Gonçalves Ferreira, in Chico Buarque: o poeta das mulheres, dos desvalidos e dos perseguidos

05/04/2024

Os artistas da capital

O casalzinho visitante desceu da jardineira que vinha de Três Pontas. O jeito e as roupas indicavam que os dois eram de cidade grande, não eram de cidade vizinha. Perguntaram por um hotel ou pensão em que se hospedar. Explicaram que eram artistas e que estavam à procura de um teatro onde pudessem mostrar sua arte. Ao que tudo indica os hotéis que o Almanak mencionava não haviam prosperado, possivelmente por falta de hóspedes. Não havia. Ficaram lá os dois como almas perdidas, sem saber o que fazer. Como o meu pai era um dos homens mais importantes da cidade, dono do cinema, o jeito foi os dois se hospedarem na casa do Diano. Queriam dar um espetáculo de arte. Alugaram o cinema. Cidadezinha pequena, os homens entusiasmados com a loura, as mulheres com raiva da loura e raiva dos maridos de cabeça virada, era de todo improvável que alguém gastasse dinheiro com o espetáculo. O Diano imaginou os dois diante do auditório vazio. Ficou com dó. E tomou uma decisão de homem rico que pode jogar dinheiro fora: comprou de si mesmo a lotação total do teatro e distribuiu os bilhetes gratuitamente pela cidade. O teatro encheu. O espetáculo foi um sucesso. O casalzinho de artistas ficou encantado. Deixaram Dores felizes, carteira cheia. Nunca suspeitaram do que havia ocorrido. O nome do homem eu não sei. Mas o nome da mulher era Dercy Gonçalves. Até hoje ela não sabe. Eu sei porque quem me contou foi o Diano, meu pai.

Rubem Alves, in O Velho que Acordou Menino

13/11/2023

Por que o teatro?

Por que o teatro?
“Nós vivemos num mundo em que as pessoas querem se comunicar de uma forma urgente e terrível. Comigo aconteceu também isso. Só poesia já não me bastava. A poesia sofre um desgaste terrível. A gente diz as coisas, mas as edições, além de serem pequenas, vendem pouco. Então procurei o teatro. Procurei conservar nas minhas peças certas dignidades da linguagem. Considero o teatro uma arte de elite, mas não no sentido esnobe da palavra. O que eu quero dizer é que o homem quando entra no teatro deve sentir uma atmosfera diferente daquela que sente no cinema. Uma sala de teatro deve ser quase como um templo. Todo aquele que se pergunta em profundidade é um ser religioso. Tentei fazer isso em todas as minhas peças.”

Cristiano Diniz, in Fico Besta Quando Me Entendem – Entrevistas com Hilda Hilst 

26/03/2016

Teatro da vida

“No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel.”
Fernando Pessoa, in Aforismos e afins

18/04/2015

Projeto Matinê


Respeitável público, neste domingo tem mais Projeto Matinê! O Espetáculo Espaço Artístico, que funciona há cerca de um mês no Alto de São Manoel fará neste domingo dia 19 mais uma apresentação do Projeto Matinê, com atrações a partir das 17:30h. O espetáculo Lona Estrelada, de Jeyzon Leonardo, que envolve atores das Companhias Pão Doce e A Máscara de Teatro, é a atração do momento. O Lona Estrela é um espetáculo lúdico-circense-teatral, e trata-se da história da Resistência do povo de Mossoró ao Bando de Lampião, contada a partir do universo circense. Os personagens principais são o prefeito e Lampião, que são respectivamente, o dono do circo e o temido cuspidor de fogo.
Senhas antecipadas na Loja ZZ e Carmen Steffens.

05/04/2014

Cena VI - (um bom "arranjo")

Limoeiro — Então o que diz do nosso doutor?
Chico Bento — Não é de todo desajeitado.
Limoeiro — Desajeitado! É um rapaz de muito talento!
Chico Bento — E diga-me cá uma coisa: a respeito de política, quais são as idéias dele?
Limoeiro — Tocou o tenente-coronel justamente no ponto que eu queria ferir.
Chico Bento — Omnibus tulit puntos, quis miscuit util et dolcet.
Limoeiro, gritando — Olá de dentro? Tragam duas cadeiras. O negócio é importante, devemos discutir com toda a calma.
Chico Bento — Estou às suas ordens (Entra um negro e põe as duas cadeiras em cena). Tem a palavra o suplicante. (Sentam-se.)
Limoeiro — Tenente-coronel, cartas na mesa e jogo franco. É preciso arrumar o rapaz; e não há negócio, neste país, como a política. Pela política cheguei a major e comendador, e o meu amigo a tenente-coronel e a inspetor da instrução pública cá da freguesia.
Chico Bento — Pela política, não, porque estava o parti-do contrário no poder; foi pelos meus merecimentos.
LIMOEIRO — Seja como for, o fato é que, apesar de estar o meu partido de cima, o tenente-coronel é e será sempre a primeira influência do lugar. Mas vamos ao caso. Como sabe, tenho algumas patacas, não tanto quanto se diz…
Chico Bento — Oxalá que eu tivesse só a metade do que possui o major.
LiMOEiRO — Ouro é o que ouro vale. Se a sorte não o presenteou com uma grande fortuna, tem-lhe dado, todavia, honras, considerações e amigos. Eu represento o dinheiro; o tenente-coronel a influência. O meu partido está escangalhado, e é preciso olhar seriamente para o futuro de Henrique, antes que a reforma eleitoral nos venha por aí.
Chico Bento — Quer então que.. .
Limoeiro — Que o tome sob a sua proteção quanto antes, apresentando-o seu candidato do peito nas próximas eleições.
Chico Bento — Essis modus in rebus.
Limoeiro — Deixemo-nos de latinónos. O rapaz é meu herdeiro universal, casa com a sua menina, e assim conciliam-se as coisas da melhor maneira possível.
Chico Bento (com alegria concentrada) — Confesso ao major que nunca pensei em tal; uma vez, porém, que este negócio lhe apraz…
Limoeiro — é um negócio, diz muito bem; porque, no fim de contas, estes casamentos por amor dão sempre em água de barreia. O tenente-coronel compreende… Eu sou liberal.. . o meu amigo conservador…
Chico Bento — Já atinei! Já atinei! Quando o partido conservador estiver no poder.. .
Limoeiro — Temos o governo em casa. E quando o partido liberal subir.. .
Chico Bento — Não nos saiu o governo de casa.
Limoeiro (batendo na coxa de Chico Bento) — Maganão!
Chico Bento (batendo-lhe no ombro) — Vivório! E se se formar um terceiro partido?.. . Sim, porque devemos prevenir todas as hipóteses. . .
Limoeiro — Ora, ora.. . Então o rapaz é algum bobo? Encaixa-se no terceiro partido, e ainda continuaremos com o
governo em casa. O tenente-coronel já não foi progressista no tempo da Liga?
Chico Bento — Nunca. Sempre protestei contra aquele estado de coisas; ajudei o governo, é verdade, mas no mesmo caso está também o major, que foi feito comendador naquela ocasião.
Limoeiro — é verdade, não o nego; mudei de ideias por altas conveniências sociais. Olhe, meu amigo, se o virar casaca fosse crime, as cadeias do Brasil seriam pequenas para conter os inúmeros criminosos, que por aí andam.
Chico Bento — Vejo que o major é homem de vistas largas.
Limoeiro — E eu vejo que o tenente-coronel não me fica atrás.
Chico Bento — Então casamos os pequenos… Limoeiro — Casam-se os nossos interesses… Chico Bento — Et cetera e tal…
Limoeiro — Pontinhos… (Vendo Henrique) Aí vem o rapaz, deixe-me só com ele.
Chico Bento — Fiam voluntatis tue. Vou mudar estas botas. (Sai).
França Júnior, in Como se fazia um deputado

06/08/2013

A obscena senhora D, de Hilda Hilst

Suzan Damasceno em "A obscena senhora D"

Todas as quintas-feiras em São Paulo, dezenas de pessoas se reúnem, à meia luz, para ouvir as divagações, lamúrias e impropérios de Hillé, a obscena senhora D (de Derrelição – desamparo, abandono) – uma mulher de sessenta anos que decide viver embaixo de um vão de escada, na companhia de peixes de papel pardo, por sua impraticabilidade com os assuntos terrenos e ânsia por descobrir os motivos da negligência (ou ausência) do “pai celestial”.
Quem dá vida à personagem do romance de Hilda Hilst é a atriz Suzan Damasceno, responsável também pela concepção e co-direção (ao lado de Rosi Campos e Donizeti Mazonas) do monólogo A obscena senhora D, em cartaz no Teatro Eva Herz desde abril, mas que já rodou por todo o Brasil, em 2011, com o projeto do Sesc, Palco Giratório, além de breve temporada no Sesc Consolação quando estreou, em 2008, e uma turnê por Santa Catarina em 2010. Em setembro, o espetáculo entra em cartaz em dois locais: aos sábados, na Casa do Sol (Campinas -SP), antiga residência de Hilst; e, aos domingos, no Club Noir, também na cidade de São Paulo.
Ávida leitora de Hilst, Damasceno fala sobre os motivos que a levaram a adaptar o romance e a relação que mantém com a obra da escritora paulista.
Veja matéria completa aqui.

31/01/2013

Com mais de 400 peças, festival de Curitiba traz Angeli e produção argentina

"Homem Vertente" usa cerca de 30 mil litros de água em cada apresentação
“Homem Vertente” usa cerca de 30 mil litros de água em cada apresentação

De 26 de março a 7 de abril, a capital paranaense recebe a 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba com 32 espetáculos da Mostra 2013 e cerca de 370 da mostra paralela Fringe. O preço dos ingressos varia de gratuito até R$ 60 e cada companhia decidirá o valor para sua peça, informou Leandro Knopfholz, diretor do festival, em coletiva nesta quarta (30) em São Paulo.
Com música, circo e dança, a mostra principal traz sete estreias nacionais e duas montagens internacionais. Destacam-se "Parlapatões Revistam Angeli", criada especialmente para o Festival, e "Homem Vertente", montagem brasileira do espetáculo "Hombre Vertiente" da companhia argentina Ojalá.
Matéria completa aqui.

17/11/2012

A solidão em Aurora Boreal

O grupo mossoroense de teatro O Pessoal do Tarará está em clima de celebração dos seus 10 anos de estrada, e apresenta neste fim de semana "Aurora Boreal", espetáculo ainda inédito para o grande público no Estado, em temporada de sexta a domingo, às 20h, na Casa da Ribeira. Escrita,  dirigida e atuada por Dionízio do Apodi, a peça mostra um homem solitário no palco, dividido por um tortuoso conflito interno.

Dionízio do Apodi sobe ao palco para viver o drama da solidão
Dionízio do Apodi sobe ao palco para viver o drama da solidão

O monólogo conta a história de um homem dividido entre o desejo de ser padre - um sonho de infância - e a vontade de se lançar em uma aventura amorosa. Através de metáforas, há debate de questões que permeiam a mente do ser humano, como as possibilidades de escolha e o livre arbítrio. "É um texto aberto, que vai muito além da questão religiosa. É mais sobre aquelas escolhas que todos temos que fazer uma vez na vida. Cada um vai se identificar conforme suas referências", explica Dionízio.
Segundo o diretor e ator, "Aurora Boreal" não é uma peça com mensagem. "A história fala sobre algo que acreditamos, do mundo da forma que a gente vê. Todo nós vivemos alguma dúvida, falamos de uma forma ampla", afirma, ressaltando Shakespeare e a Bíblia estão entre as referências do espetáculo.
"Aurora" já foi apresentado no Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza (CE) e Teresina (PI). Em Mossoró, só em dezembro, quando o grupo tiver inaugurado seu espaço próprio na cidade, a Sala Rose e Ludmila. "Um espaço climatizado, para 60 pessoas, onde poderemos experimentar peças, convidar outros grupos, e ter maior liberdade criativa. O teatro de grupo é uma tendência em todo o Brasil", conclui.
Serviço: Aurora Boreal. Sexta, sábado e domingo, às 20h, na Casa da Ribeira. Entrada: R$10. Tel.: 3211-7710.
Fonte: www.tribunadonorte.com.br

18/04/2012

O Pessoal do Tarará estreia novo espetáculo

O grupo mossoroense de teatro O Pessoal do Tarará estreia novo espetáculo na próxima sexta-feira, dia 20, às 20h, na Escola de Artes de Mossoró. Intitulado Sem Palavras ou Uz Kra d'ku Nupal Kunu, apesar de ser uma comédia, o espetáculo é intimista, e, de acordo com seus realizadores, precisa de um público em quantidade limitada.
Os convites poderão ser retirados próxima quinta-feira, a partir das 14h, na sede do próprio grupo. Informações: 84-8726.4008/ 84-9953.0460.

07/02/2012

O Rapadura Cult Recomenda:

..:: Em CaRtaZ::..

Retalhos de Carnaval
Dias 07 e 14 de Fevereiro
Local - Teatro Dix Huit Rosado - 19:30
10,00 Inteira e 5,00 Estudante
Vamos Carnavalizar a vida!

06/01/2012

Meninos, eu (ou)vi: Sem Palavras

Assisti ontem ao espetáculo teatral Sem Palavras, com os artistas Maxson Ariton e Antônio Marcos, dirigido por Dionísio do Apodi, na residência do artista plástico e poeta Rogério Dias. Posso afirmar, com palavras: belo, comovente, criativo. Bravo, bravíssimo.
A iniciativa de O Pessoal do Tarará, grupo teatral mossoroense, com esse Teatro em Domicílio, é aproximar, de forma mais íntima, no aconchego do lar, o público com o espetáculo, com os artistas.
Nessa primeira fase do projeto, temos os espetáculos Sem Palavras e Aurora Boreal.
Que venha em breve outras apresentações! Segue meus flagrantes.

Rogério agradecendo por estar recebendo em sua residência a 1ª apresentação

Dionísio Explicando ao privilegiado público a iniciativa do projeto

Maxson Ariton e Antonio Marcos









04/11/2011

Artistas de teatro fazem carta aberta ao Governo

"Governadora Rosalba Ciarlini e Diretora geral da Fundação José Augusto Ana Neuma, artistas, grupos, técnicos, críticos e pesquisadores de teatro do Rio Grande do Norte e vindos de vários lugares do país foram convidados, em outubro de 2010, para mais uma edição do Festival Agosto de Teatro, em Natal. 
Pode-se dizer como demonstram os registros já apresentados, que o Festival foi um sucesso, não apenas porque reuniu uma parte da produção cultural do Estado e trabalhos importantes da temporada brasileira, como também porque, durante sua realização, o evento conseguiu mobilizar em torno da arte os cidadãos e cidadãs da cidade, que compareceram sempre com grande entusiasmo, lotando as apresentações, festejando, aplaudindo os espetáculos e acompanhando as oficinas e encontros de avaliação programados.
O que restou inconcluso, não respondido, não praticado, eticamente ignorado, foi a resposta do Governo do Rio Grande do Norte, que até este momento não saldou seu compromisso com os contratados. Veio a mudança de gestão e, com ela, a velha estratégia que há tempos assassina a cultura do país: o estrangulamento da continuidade no andamento da coisa pública. Como se tratasse de empenhos cancelados pela gestão anterior, a atual gestão usou o argumento para justificar durante todos estes meses o não-pagamento da dívida, de maneira que um ano depois do Festival o Governo continua empurrando com a barriga, sem finalmente reconhecer que a dívida é do Estado e não do Governo que está pontualmente de plantão. Sinalizar com um novo empenho que não tem data para ser cumprido é o mesmo que sinalizar com nada.
Afora os argumentos de sempre, e a promessa de que um dia pretende pagar o devido (quando?), a Gestão ainda tem que explicar não só aos artistas, mas à população, por que ignora que o Festival - que mobilizou tanta gente em torno do teatro naqueles dias - é algo que não tem interesse para a vida coletiva, do Estado, dos cidadãos. Pois que é isto o que se evidencia. A pergunta é: por que a cultura e seus agentes (desde que naturalmente não estejam colados a contextos midiáticos, quando o papo muda) é sempre tratada como algo absolutamente não prioritário? Por que a Cultura não interessa aos governantes? - O que esta situação perfeitamente exemplifica.
Por isso, os criadores de teatro envolvidos no Festival exigem uma posição clara do Governo do Rio Grande do Norte e a solidariedade dos cidadãos e cidadãs que julgarem esta uma causa justa. Menos pelo dinheiro, mais pelo tratamento que vem sendo dispensado até aqui.

Assinam a equipe que coordenou o Festival Agosto de Teatro: Ivonete Albano (produtora e atriz da Cia Carpintaria Teatral), Grimário Farias (diretor e ator da Cia Teatral Alegria Alegria), Irlan Albano (produtor), Inaldir Bezerra (produtora) e Judason Marcelino (diretor)."

24/10/2011

Cinema no teatro: utopia sem palavras

Quatro anos depois de Les Éphémères, espetáculo que levou mais de 6 mil pessoas ao Sesc Belenzinho, em São Paulo, a trupe franco-canadense Théâtre du Soleil apresenta no mesmo endereço sua mais recente peça, Os Náufragos da Louca Esperança. Em cena, o grupo – um dos mais importantes do mundo e dirigido por Ariane Mnouchkine - mostra as gravações de um filme mudo no início do século 20. Veja abaixo algumas imagens do espetáculo.


Px

Px

Px

Px

23/09/2011

Carta Aberta

Dos fazedores das Artes Cênicas do RN para a Secretária Extraordinária de Cultura:

Exma. Profa. Isaura Rosado
Secretária Extraordinária de Cultura do RN

“(…) Eles passarão…
Eu passarinho”
Mário Quintana

Com o passar dos anos, passam-se também os Gestores da Cultura do nosso estado. Cada um ou cada uma tentou contribuir, ao seu modo, com o desenvolvimento das políticas públicas para a Arte e a Cultura Norteriograndense.
Observamos ao passar desses anos, tentativas frustradas de efetivação de um projeto para nossa área. Auxílios-montagens, Projetos de Circulação, Festivais e inúmeras outras ações que se esvaíram na total ausência de um programa integrado e de qualidade. Sempre foram ações isoladas em si, sem qualquer relação uma com a outra. Com verbas ínfimas e que muitas vezes caíram no gargalo das contas públicas de um Estado endividado. Passado um pouco mais de seis meses de Gestão da Senhora Secretária Isaura Rosado, nós, artistas das Artes Cênicas do Rio Grande do Norte a convidamos para discutir a total pasmaceira e inércia que se encontra parte dos Grupos teatrais de nosso estado, a convidamos para refletir conosco a total ausência de políticas públicas “continuadas” para o nosso setor.
Diferentemente dos Gestores que mudam com o passar dos anos, nós, artistas, somos os mesmos. E somos nós que sofremos com essa política descontinuada, heterogênea e que não nos favoreceu em nada para o fortalecimento de nosso fazer artístico. Até quando vamos nos orgulhar de exportar nossos melhores artistas? Será que não seria melhor dizer “expulsar” ao invés de “exportar”, pois não é dada a mínima condição de fazer com que ele, o artista, possa escoar a sua produção artística e intelectual, de forma independente e livre, assim como fazem os grandes produtores agrícolas ou de indústrias? Estamos vendo ao longo dos anos, um Estado burocrático, despreparado, que não entende a complexidade de nossa cultura e que sua valorização não depende, apenas, da realização de “é-ventos” com datas e locais isolados e totalmente atrelados aos equipamentos públicos, como se neste momento se caracterizasse um programa de prestação político partidário de uma gestão.
A verdadeira cultura, acontece nos galpões dos grupos de teatro e dança de todo o estado, nas casas de músicos, nas praças, nos terreiros de Griôs, nos ateliês, nas paredes descascadas de prédios abandonados, nas lonas de Circo, nos clubes e nas agremiações, uma Cultura pulsante, latente e que vibra no corpo desse povo brasileiro, em sua diversidade e pluralidade, e que independentemente da máquina do Estado, nós fazedores de teatro sempre estaremos produzindo. É importante que estes projetos possam se transformar em ações que venham a desempenhar um papel importante no escoamento de toda essa produção, fomentando um trabalho cada vez mais de qualidade, digno, com direitos trabalhistas garantidos, fazendo com que nossa arte circule pelo Brasil e seja reconhecida pelo cuidado, pelo tratamento, pela pesquisa e principalmente por sua qualidade estética.
Apesar da total descrença com as últimas gestões de cultura no Estado e nos municípios do RN, ainda sonhamos com dias melhores, dias mais tranquilos, em que não tenhamos que brigar por cachês que não saem, por editais não realizados, e que a verba para a cultura do RN fortaleça cada vez mais a produção local, tanto em termos qualitativos como em quantitativos. Só para ilustrar, em São Paulo, com a Lei de Fomento ao Teatro, os grupos participam de editais com valores de até R$500.000,00 (quinhentos mil reais) por projeto, realidade essa que está muito longe da nossa.
Sendo assim, Senhora Secretária, viemos por meio desta abrir um diálogo com a Secretaria Extraordinária de Cultura e a Fundação José Augusto para efetivarmos essa Política Pública para as Artes Cênicas Potiguar. E para deixar bem claro o que entendemos por “Política Pública para as Artes Cênicas Potiguar” elencamos alguns pontos descritos abaixo, a fim de afinarmos o nosso discurso e começarmos esse diálogo com algo palpável.
Editais de Montagem, Circulação, Pesquisa e Manutenção/formação, lançados semestralmente ou anualmente que garantam a produção artística e intelectual dos grupos de forma livre e longe temáticas pré-definidas num contrato, e que dialoguem entre si formando uma verdadeira Cadeia Produtiva do Teatro Potiguar;
Quitação, continuidade e ampliação de editais já existentes, mas que ainda sofrem com a falta de comprometimento do estado para efetivação de seus pagamentos, a exemplo: Edital Chico Vila de Circulação e o Prêmio Lula Medeiros de Teatro de Rua;
Ações integradas que fortaleçam a cadeia produtiva da Cultura, entendendo a existência de uma Economia Criativa que acompanha toda essa produção;
Ações que deem visibilidade a produção local, de modo a incentivar seu escoamento por festivais e Mostras de todo o Brasil, como a efetivação de um Festival de Teatro Nacional, a exemplo do Festival Agosto de Teatro, com a presença de apreciadores que propiciem uma reflexão crítica de nosso fazer e que sejam uma “ponte” importante para nossos grupos participarem de outros eventos como este;
Ações de Manutenção que garantam o fortalecimento de Grupos e Fazedores das Artes Cênicas do RN, que passem pela produção e formação intelectual até a manutenção de seus espaços físicos, fazendo de cada lugar um território de produção artística;
Editais de ocupação dos Teatros Públicos do Estado, que aos cofres públicos saem quase a custo zero, e que com o advento de um novo Teatro na Cidade que desocupou em grande escala o TAM, está mais de que na hora de nossa histórica Sala de Espetáculos voltar a ser do artista Potiguar;
Com esses pontos podemos começar esse diálogo, cientes da urgência e de certa inércia a que passa a Cultura de nosso Rio Grande do Norte, deixando bem claro, que qualquer desses pontos se feito de maneira isolada, não mudará em nada a cenografia pobre, porém pulsante, que ilustra o espetáculo da Cultura do nosso estado. Será, apenas, mais uma tentativa de empurrar goela abaixo de nossos artistas mais uma política de governo descontínua e fraca em sua essência e em seu discurso. Caso essa cenografia continue a mesma, parafrasearemos o Poeta Mario Quintana e bradaremos aos quatro cantos: “Todos estes (Gestores) que estão aí/ atravancando ‘nosso’ caminho?/Eles passarão…/nós passarinhos”.
Então, Senhora Secretária, a convidamos para esse simples desafio.
Natal, 19 de setembro de 2011

Assinam essa carta:

Bando La Trupe – Natal/RN
Centro de Cultura da Vila de Ponta Negra – Natal/RN
Carpintaria Teatral – Natal/RN
Cia A Máscara de Teatro – Mossoró/RN
Cia Bagana de Teatro – Mossoró/RN
Cia Empório D’ell Arte – Currais Novos/RN
Cia Pão Doce de Teatro – Mossoró/RN
Cia Teatral Alegria Alegria – Natal/RN
Coletivo Atores à Deriva – Natal/RN
Elas & Cia – Natal/RN
Grupo Arruaça – Mossoró/RN
Grupo Artes e Traquinagens – Natal/RN
Grupo Bela Trupe de Teatro – Mossoró/RN
Grupo Cacimba de Teatro – Caicó/RN
Grupo Casa da Ribeira – Natal/RN
Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare – Natal/RN
Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias – Natal/RN
Grupo de Teatro Retalhos da Vida – Caicó/RN
Grupo Estação de Teatro – Natal/RN
Grupo Estandarte de Teatro – Natal/RN
Grupo Tambor de Teatro – Natal/RN
Grupo Teart de Teatro – Natal/RN
Rede Estadual dos Pontos de Cultura
Tropa Trupe Cia de Artes – Natal/RN