Mostrando postagens com marcador Milton Nascimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Milton Nascimento. Mostrar todas as postagens
11/07/2026
18/05/2026
22/12/2025
24/10/2025
02/09/2025
24/08/2025
17/02/2025
18/12/2024
20/11/2024
30/10/2024
24/09/2024
23/08/2024
12/08/2024
17/04/2024
25/09/2023
20/09/2023
Coração de estudante | Wagner Tiso e Milton Nascimento, 1983
Mesmo
que tenha feito sozinho letra e música de muitas canções, em suas
parcerias Milton Nascimento quase sempre assina a melodia. “Coração
de estudante” é das raras em que ele escreveu a letra, a partir de
um tema instrumental que Wagner Tiso criou em 1983, para a trilha
sonora do documentário Jango, de Sílvio Tendler.
Milton
assistiu ao filme numa sessão para convidados, antes de sua estreia
nos cinemas e, ao chegar em casa, com a triste melodia de Wagner
rodando na cabeça e emocionado com a história do presidente deposto
pelo Golpe de 1964, escreveu a letra. Coloquial e lírico, sem usar
mensagens de protesto explícitas, Milton criou um hino político que
tem servido para muitas causas. Foi adotado tanto na campanha pela
volta das eleições diretas para presidente, em 1984, quanto, no ano
seguinte, como o tema da agonia e morte de Tancredo Neves, cantada
pelas multidões ao longo de todo o cortejo.
Além
de estar associada a tristes lembranças, a canção continua como
uma ode à generosidade da juventude e prova de fé no ser humano.
Nascido
em Três Pontas, Minas Gerais, Wagner Tiso Veiga (1945) é amigo e
companheiro musical de Milton desde a adolescência, quando fizeram
parte do grupo The W’s Boys. Continuaram juntos em Belo Horizonte,
pelos bailes da vida, indo onde o povo estava, até a consagração
de Milton com “Travessia” no festival de 1967 e Wagner se tornar
um dos grandes pianistas e arranjadores brasileiros.
No
início dos anos 1970, Tiso liderou o grupo Som Imaginário, que
jogava eletricidade, timbres e sonoridades de rock na MPB de Milton.
O parceiro também esteve junto no lançamento de “Coração de
estudante”, como pianista e regente da orquestra do show em São
Paulo, em novembro de 1983, registrado no disco Ao vivo.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
14/02/2023
Nada será como antes | Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971
Gravada
em 1971 por Joyce, num compacto com o grupo A Tribo, formado por
Nelson Ângelo, Naná Vasconcellos, Toninho Horta e Novelli, e logo
depois por Elis Regina, “Nada será como antes” entrou no mundo
das canções eternas no álbum duplo Clube da Esquina, em
1972. Ela é uma das muitas preciosidades lapidadas por Milton
Nascimento com Ronaldo Bastos (1948), um carioca nascido em Niterói
que integrou, ao lado de Fernando Brant e Márcio Borges, a
fundamental troika de parceiros que o carioca mais mineiro do mundo
alternou na sua carreira luminosa. Durante a década de 1970, no
período mais intenso da dupla, Milton e Ronaldo também assinaram
“Cais”, “Fé cega, faca amolada”, “Cravo e canela” e
“Circo Marimbondo”.
Com
sua pegada pop, a música revelava o amor de Milton e seus parceiros
pelos Beatles e companhia, que eram execrados pela MPB ortodoxa da
época. A letra de Ronaldo refletia o turbulento período político
que o Brasil atravessava, com a repressão aterrorizando a juventude
e o perigo escondido em cada esquina, quando a vida na estrada passou
a ser uma opção para tantos jovens insatisfeitos com o estado de
coisas. A outra era cair na clandestinidade e na luta armada.
Além
das possíveis esperanças da estrada, premonitoriamente, a canção
também parecia anunciar que nada mais seria igual na música
brasileira após o álbum duplo feito por Milton Nascimento & Lô
Borges e quase duas dezenas de compositores, arranjadores e
intérpretes, que entrou para a história como Clube da Esquina.
Uma reunião informal de amigos e talentos que, sem planos, receitas
ou restrições culturais, misturou samba, jazz, rock, bolero,
abrindo uma riquíssima terceira via para a música brasileira, que
seria uma das mais influentes nas décadas seguintes.
O
sucesso de “Nada será como antes” mostrou sua perfeita sintonia
com o momento, e logo a canção também começou a ser reconhecida
fora do Brasil. Inicialmente entre os músicos de jazz, que adotaram
a versão para o inglês de Rene Vincent, “Nothing Will Be As It
Was”, lançada no álbum Milton (1976), gravado em Los
Angeles, ao lado de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Hugo Fattoruso e
Airto Moreira. E seguiu com o pé na estrada, nas vozes jazzísticas
de Sarah Vaughan, Flora Purim e Tânia Maria.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
08/12/2022
Travessia | Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967
Em
1967, depois de cinco anos ralando como músico da noite paulista e
nos bailes da vida, Milton Nascimento (1942) viu a roda da fortuna
girar a seu favor, quando a já popularíssima Elis Regina gravou a
sua “Canção do sal” e o encorajou a participar, como
intérprete, do II Festival Nacional de Música Popular Brasileira,
na TV Excelsior. Milton se classificou em quarto lugar com “Cidade
vazia”, de Baden Powell e Lula Freire, mas detestou a experiência
de ver colegas se digladiando na disputa e jurou nunca mais
participar dos festivais competitivos que empolgavam o país.
Promessa
feita e cumprida, certa noite o carioca mais mineiro do Brasil foi
surpreendido pelos telefonemas de parabéns de amigos. Para sua
surpresa, ele estava entre os selecionados no II Festival
Internacional da Canção, da TV Globo, com nada menos que três
músicas, inscritas à sua revelia pelo amigo Agostinho dos Santos.
Sabendo da decisão do compositor, Agostinho – um dos principais
intérpretes brasileiros –, pediu-lhe uma fita com “Morro Velho”,
“Travessia” e “Maria, minha fé” para mostrar a seu produtor
e inscreveu-as no festival.
O
resto é história. “Maria, minha fé”, interpretada por
Agostinho dos Santos, caiu na primeira eliminatória, mas as outras
duas, ambas na voz privilegiada de Milton, chegaram à finalíssima:
“Travessia” ficou com o segundo lugar (atrás de “Margarida”,
de Guttemberg Guarabyra) e “Morro Velho”, com o sétimo. De
quebra, Milton saiu do Maracanãzinho com o prêmio de melhor
intérprete. Aos 24 anos, também chamou a atenção dos convidados
internacionais que participavam do festival, como o produtor
americano Creed Taylor, com quem assinou um contrato para gravar nos
Estados Unidos. Como na canção que o consagrou, soltou a voz nas
estradas para não mais parar. Foi a sua travessia do anonimato ao
sucesso e ao prestígio.
“Travessia”
foi a primeira parceria de Milton com o mineiro Fernando Brant
(1946-2015), que até então nunca tinha escrito letras. Milton vinha
trabalhando numa canção que batizara de “O vendedor de sonhos”,
mas, empacado na letra, foi até Belo Horizonte em busca da ajuda do
amigo. Só depois de muita insistência, Brant concordou em tentar e
acabou também fazendo a sua travessia pessoal para se tornar um dos
mais importantes letristas brasileiros.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil
Assinar:
Postagens (Atom)


