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06/03/2013

O ajudado e o ajudador

Aconteceu que Luís Freijó se encontrou com Manuelzão de Terto, do Juazeiro-de-Dentro, na estrada que dava acesso à fazenda Panati.
Esse Manuelzão, homem espadaúdo, enorme, mas desinteligente, vinha em um reles cavalinho minguado, cadavérico até. Na lua da cela, trazia um volumoso saco de feijão, que dificultava ainda mais a andadura do debilitado animal.
Ambos pararam os seus cavalos e se cumprimentaram:
- Olá, Manuelzão, tudo bem? E a família como vai?
- A família vai bem. E a mulher e os meninos?
- Tão tudo bem também.
Luís, observando o repuxo de ar sôfrego do cavalinho, e aproveitando o mote e a ocasião, argumentou:
- Mas Manuelzão, esse cavalinho não está muito fraco para seu peso e o saco não?
- É, Luís, mas da cidade para casa é quase duas léguas...
- Então, homem, ajude o pobre do animal!
- De que jeito, criatura?
- Você é um homem forte e pode muito bem levar o saco na cabeça para aliviar essa carga do cavalo.
Manuelzão ainda titubeou, quis fazer uma reflexão, mas, num átimo, voltou a ser ele mesmo, o Manuelzão de sempre.  E concordou com a sugestão:
- É mesmo, não é, Luís? – colocando o saco na cabeça e se despedindo.
De vez em quando, Manuelzão se contorcia com esforço para ainda agradecer, com acenos, ao Luís Freijó. Este, por sua vez, volteava-se, folgazão, a confirmar a marcha vacilante do infeliz animal.
Lá se iam distanciando os dois cavaleiros: um, deliciando-se do dever de ajudar ao próximo; outro, degustando o prazer de ter sido ajudado.
E o sol tórrido por testemunha.
Elilson José Batista, in Revista Cruviana – 4ª edição
Acesse a revista: www.revistacruviana.blogspot.com

24/04/2012

O valentão e o oposto (microconto)


A juriti já penou? O frofrou do susto é de perder o tiro do caçador desprecavido: a jitirana fechada, de escurecer a verdura e de se perder a vereda.
A pós.
E era pra menos? A afoiteza nos sorvos do mel e da água ardente na garganta o embebedou.
E apois? Não arrenego o que vi. Aconteceu do jeito do acontecido. Não nego nem disnego - as acontecências foram vindo, e deu no que deu: o menos indicado para pôr fim àquele maldito, o meu pacato compadre Teotonho rasgou o cujo, Ditão das Coivaras, com a faca cega a propósito para a empreitada, e o sujeito com a rodilha de fatos nas mãos, a se debater, mas o ror de gente nem não aí estava para a dor daquele danho, tão mequetrefe o coiso em suas desmesuradas maldades.
O outrora valentão, a choramingar, com os olhos embaçados, ainda viu a Dama da Foice se aproximar e desfaleceu pela última vez, para nunca mais.
Elilson José Batista, in Revista Cruviana – 2ª Edição

23/04/2012

Revista Cruviana - 2ª edição

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlqQV443uHrRxYz2bNoiF692twUwm1Vhu80uzsoBiG708DLF1RTr4Wvi-384JNvqwiHVzq5zEgX21L3vU7x_ocALZwTHvEr3prkzkD5Mz-SqxEP9O9KKgoYl4cU0G4M1uH-M_uLd1Gu6x5/s930/Logo_Cruviana.jpg

Foi lançada a segunda edição da Revista Cruviana, caderno digital de contos, editada pelo escritor mossoroense Jotta Paiva. O blogueiro que vos escreve está presente nesta edição com o microconto O valentão e o oposto. Acessem e baixem gratuitamente em PDF e ótima leitura: 

12/08/2011

Ah, danada!

Imagem - Google


E foi assim. Ela foi chegando de mansinho, como quem não quer nada, mas querendo. De repente... Zás! Deu o bote. Seus olhos agateados fixaram e prenderam a presa como uma hipnose. E ela foi se ‘aprochegando’... Mansa, felina, misteriosa. Assim, que nem só as felinas sabem ser e agir. Na calada da noite, no ‘quilaro’ da lua, ela se tomou de elasticidade e ‘abufelou’ o coitado. Mas, botou abaixo mesmo! Sem dó nem piedade. E o coitado, danou-se pra amolecer, fraquejar, e ficar assuntando.
E assuntando, chegou à conclusão de que fora abarcado pela danada... Ah! Danada! E a danada, com jeito, deixou o cabra ‘abestaiadozinho’ pela moça bonita, puxada à onça Suçuarana. Dizer que foi paixão... É brincadeira. Daí ele passou a chamar a danada de ‘Meuzamô’. E foi assim que tudo se deu, até hoje.

Kydelmir Dantas, poeta e pesquisador paraibano de Nova Floresta, radicado em Mossoró. Conto publicado originalmente na revistacruviana.blogspot.com.

15/07/2011

Lançamento da Revista Cruviana




Fotos: Elilson Batista

Foi lançada ontem em Mossoró, na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, a Cruviana, revista virtual de contos. Acessem www.revistacruviana.blogspot.com. Vida longa à Cruviana!