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24/12/2011

Impressionantes fotografias de Marte

As fotografias da superfície de Marte captadas pela câmera HiRISE a bordo da sonda espacial MRO revelam-nos paisagens surpreendentes e estranhas mas ao mesmo tempo de uma familiaridade perturbante. Venha conhecer mais de perto o planeta vermelho.

 Fotografias de Marte

Que imagem é esta que se assemelha a uma pintura surrealista e que, não obstante, nos evoca formas vagamente familiares? Poderia até ser uma macrofotografia de um pedaço de pele humana com poros, tatuagens e impressões digitais. Mas o infinitamente pequeno e o infinitamente grande tocam-se, afinal. O que estamos a ver é na verdade uma das primeiras fotografias do solo de Marte captada pela câmera HiRISE, que viaja a bordo da sonda espacial MRO e orbita a cerca de 300 quilómetros da superfície do planeta vermelho. Há vários anos que esta câmera tem vindo a realizar imagens de alta resolução, captando pormenores da morfologia do nosso vizinho mais próximo no Sistema Solar e mostrando-nos que afinal não é assim tão diferente de nós. É talvez esta semelhança e a sensação de familiaridade que nos perturba. Se Marte fosse apenas um pouco mais quente poderíamos ver ali facilmente paisagens da Terra, com mares, nuvens, campos verdes e até vida animal. Mas Marte é árido e gelado. Mesmo assim as semelhanças são surpreendentes. Identificamos perfeitamente desertos, montes e vales, dunas, glaciares, formações rochosas, falhas geológicas e toda uma série de acidentes geográficos que bem conhecemos do nosso planeta.
As fotografias são impressionantes. Depois de as vermos ainda somos capazes de sustentar que não pode haver vida fora da Terra?

 Fotografias de Marte

As dunas de Abalos Undae possuem uma tonalidade azulada devido à sua composição basáltica enquanto que as zonas intersticiais são provavelmente sedimentos de poeira. Mas são dunas formadas pela ação do vento, tal como acontece na Terra.

 Fotografias de Marte


Apenas uma pequena percentagem da superfície de Marte está coberta de dunas e algumas delas apresentam uma forma bem curiosa, como esta em forma de crescente.

 Fotografias de Marte  

Fotografia oblíqua da cratera Victoria onde se podem ver os rastos do veículo de exploração Opportunity já a desaparecer. 

 Fotografias de Marte

Uma nuvem de poeira sobre a orla da cratera Hellas. A nuvem tem cerca de 200 metros de diâmetro e encontra-se a 500 metros de altura do solo.

 Fotografias de Marte
Vale na região de Elysium.

 Fotografias de Marte
Afloramento rochoso em Aureum Chaos onde é possível distinguir claramente os contornos irregulares das rochas e as diversas camadas de que se compõem, como se fossem curvas de nível topográficas.

 Fotografias de Marte
Dunas do hemisfério norte. Durante o Inverno marciano uma camada superficial de dióxido de carbono gelado cobre as zonas mais frias, como é o caso deste campo de dunas. Na Primavera o gelo sublima-se (passa diretamente ao estado gasoso) e deixa no solo pequenas partículas que o vento vai arrastando, criando este efeito dinâmico.

 Fotografias de Marte

Tal como na Terra, nas escarpas glaciares junto ao polo norte Marciano também há avalanches. Nesta fotografia pode ver-se uma nuvem com cerca de 180 metros de largura composta de gelo fino, poeira e talvez grandes blocos de gelo a cair pela encosta.

 Fotografias de Marte
Os famosos canais de Marte são afinal rastos de nuvens de poeira na superfície. Nesta fotografia é possível ver também uma pequena cratera de impacto.


Benjamin Júnior, in obviousmag.org

12/11/2011

Hotel Ryugyong - a maior ruína do mundo

É na capital da Coreia do Norte que se situa aquela que é talvez a maior ruína dos tempos modernos: um hotel inacabado com 105 andares. Na sua origem está um projeto megalómano feito para um país onde se vive em permanente miséria e crise econômica. Venha conhecer mais de perto as ruínas do Hotel Ryugyong.

 Hotel Ryugyong - a maior ruína do mundo


Na capital da Coreia do Norte, Pyongyang, situa-se um dos mais grotescos edifícios do mundo, o hotel Ryugyong. A sua forma piramidal estrelada, já de si bastante invulgar, aliada à sua enorme dimensão (105 andares e 330 metros de altura) tornam-no digno de uma qualquer mega-metrópole retrofuturista. Mas o aspecto mais bizarro é o fato de ser uma ruína, uma colossal ruína desde 1992, data em que a sua construção parou. Desde então, no meio da paisagem urbana de Pyongyang, ergue-se da neblina matinal como um fantasma de ar assustador. Até o guindaste que ficou abandonado no vértice do edifício parece evocar uma ave de mau agoiro...
A construção começou em 1987. Julga-se que este projeto megalómano terá sido parte de (mais uma) manobra de propaganda do regime da Coreia do Norte pois, se ficasse concluído no prazo, teria sido o hotel mais alto do mundo. Entre outras características formidáveis teria 360 000 m2 de área habitável, 3000 quartos e 7 restaurantes situados nos andares rotativos do topo.

 Hotel Ryugyong - a maior ruína do mundo

 Hotel Ryugyong - a maior ruína do mundo


Mas, como em tantas outras situações, a ambição foi maior do que a capacidade financeira. Na altura estimou-se que seriam necessários cerca de 750 milhões de dólares para completar a construção do projeto, qualquer coisa como 2% do PIB do país. O governo norte-coreano comprometeu-se inicialmente a pagar uma parte importante das despesas. Entretanto houve problemas com as matérias primas, com o fornecimento de energia elétrica e com o financiamento. As próprias técnicas construtivas utilizadas levantaram várias dúvidas, nomeadamente sobre a resistência da estrutura. As obras foram interrompidas em 1992 e assim permaneceram durante 16 anos.

 Hotel Ryugyong - a maior ruína do mundo

Em 2008, porém, a construção foi retomada. Uma empresa egípcia começou a recuperar os andares de topo e a cobrir de vidro as fachadas. No entanto, as dúvidas sobre a resistência da estrutura subsistem, ainda mais porque 16 anos de exposição ao clima deixaram a sua marca em numerosas fendas e corrosão. A ideia do governo é ter o edifício concluído em 2012, data em que se comemora o centenário do nascimento de Kim Il Sung, o fundador do país. Talvez então o Hotel Ryugyong possa parecer qualquer coisa como isto, embora não se saiba bem para quê.
Benjamin Júnior, in obviousmag.org

06/11/2011

As esculturas de mãos gigantescas de Mário Irarrázabal

Mano del Desierto é o nome de uma perturbante escultura monumental que emerge do solo em pleno deserto chileno. Não se trata, porém, de um caso isolado. Existem obras idênticas por outros lugares do globo: Madrid, Veneza ou Punta del Este, no Uruguai. O que faz nascer do solo estas mãos colossais?


 Mário Irarrázabal - escultura de mão monumental


Em pleno deserto de Atacama, no Chile, junto da rodovia panamericana, uma gigantesca mão ergue-se cerca de onze metros acima do solo arenoso. Na verdade apenas os dedos e uma parte da mão são visíveis; o pulso, o braço jazem abaixo da terra e dão-nos uma ideia do tamanho colossal do resto do corpo a que pertencem. Mas a ilusão não passa disso mesmo. Trata-se de uma escultura monumental do chileno Mário Irarrázabal feita de concreto reforçado com aço, tal como se fosse um edifício, ali colocada ostensivamente desde 1992. Mas esta obra não é um caso isolado.

No verão de 1982, na cidade uruguaia de Punta del Este, teve lugar uma workshop de escultura ao ar livre. Vários artistas participaram no evento, entre os quais um jovem chileno de nome Mário Irarrázabal, que escolheu a praia para construir o seu trabalho, ao contrário dos seus pares que optaram por realizar os seus na cidade. O local inspirou o artista, que concebeu e ergueu em seis dias apenas uma escultura colossal que representa as pontas dos dedos de uma mão de alguém que se afoga. Irarrázabal utilizou o concreto como material base, reforçado com uma estrutura de varas e aço e rede metálica e coberto com um revestimento plástico à prova de corrosão.



 Mário Irarrázabal - escultura de mão monumental

A força expressiva da obra logo levou a que fosse batizada de Monumento ao Afogado ou ainda La Mano, e a que ali permanecesse até aos dias de hoje, enquanto que as restantes esculturas caíram no esquecimento. Mas o seu impacto não ficou por aqui. O escultor replicou a mão noutros locais do mundo, como Madrid e Veneza. Em 1992 realizou uma nova réplica na sua terra natal, o Chile. É essa mão colossal que podemos ver no deserto de Atacama e que a paisagem árida torna ainda mais perturbadora.


 Mário Irarrázabal - escultura de mão monumental

Benjamin Júnior, in obviousmag.org