Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens

19/07/2024

Sabedoria e ignorância

Atualmente procura-se divulgar a sabedoria por toda a parte: quem sabe se daqui a poucos séculos não haverá universidades destinadas a restabelecer a antiga ignorância?”

Georg Christoph Lichtenberg, citado por Murilo Mendes, em Transistor

11/01/2022

Obtenção da sabedoria

Existem três métodos para obter sabedoria. O primeiro é a reflexão, que é o mais alto. O segundo é a limitação, que é o mais fácil. O terceiro é a experiência, que é o mais amargo.

Confúcio, in 1001 frases de grandes pensadores

09/07/2020

Sabedoria

A sabedoria não vale a pena se não é possível se servir dela para inventar uma nova maneira de preparar o feijão.”
Gabriel Garcia Márquez, in Cem anos de solidão

30/04/2020

A sabedoria da loucura

Não é significativo que a língua inglesa chame as bebidas alcoólicas pelo nome de “spirits”? Donde essa curiosa sugestão? Penso que ela tem origens religiosas. No Pentecostes, os discípulos foram possuídos pelo Espírito, falaram e entenderam línguas que até então lhes eram desconhecidas, e os circunstantes tiveram a nítida impressão de que estavam bêbados. Pentecostes é loucura, nonsense, a quebra das regras familiares de compreensão, a revelação de um conhecimento que havia permanecido oculto até então, é Babel ao contrário. A sabedoria emerge da loucura. Aquilo a que damos o nome de “realidade” é “feitiço”. “É preciso fazer parar o mundo”, dizia D. Juan, o bruxo. Se isso não acontecer, ele não poderá ser visto com olhos diferentes.
Rubem Alves, in Do universo à jabuticaba

19/08/2019

A armadilha da hegemonia da escrita

Uma terceira armadilha é pensar que a sabedoria tem residência exclusiva no universo da escrita. É olhar a oralidade como um sinal de menoridade. Com alguma condescendência, é usual pensar a oralidade como patrimônio tradicional que deve ser preservado. O culto de uma sabedoria livresca pode contrariar o propósito da cultura e do livro que é o da descoberta da alteridade.
Certa vez, um menino de rua em Maputo veio-me devolver um livro que ele vira nas mãos de uma estudante à saída da escola. Notando a minha fotografia na capa, esse menino acreditou que a estudante me tinha roubado o livro.
Me comoveu esse menino que atravessou a cidade para me devolver algo que, no entender dele, me pertencia. Mas o que ele me entregava era mais do que um objeto. Ele me entregava a inquietação profunda, a interrogação: a quem pertence realmente um livro? Ele é nosso porque o adquirimos, sim. O livro deve ser objeto e mercadoria para chegar às nossas mãos. Mas só somos donos desse objeto quando ele deixa de ser objeto e deixa de ser mercadoria. O livro só cumpre o seu destino quando transitamos de leitores para produtores do texto, quando tomamos posse dele como seus co-autores.
A mais importante linha divisória em Moçambique não é tanto a fronteira que separa analfabetos e alfabetizados, mas a fronteira entre a lógica da escrita e a lógica da oralidade. A absoluta maioria dos 20 milhões de moçambicanos vive e funciona num tipo de racionalidade que tem pouco a ver com o universo urbano. Mas em Moçambique, como no resto do mundo, a lógica da escrita instalou-se com absoluta hegemonia. Nesses casos, pressupostos filosóficos do mundo rural correm o risco de ser excluídos e extintos. Algumas das ideias que venho defendendo nesta comunicação estão claramente presentes na epistemologia da ruralidade africana.
A concepção relacional da identidade, inscrita no provérbio: “Eu sou os outros”; a ideia de que a felicidade se alcança não por domínio mas por harmonias; a ideia de um tempo circular; o sentimento de gerir o mundo em diálogo com os mortos: todos estes conceitos constam da rica cosmogonia rural africana.
É evidente que não se pode romantizar esse mundo não urbanizado. Ele necessita de enfrentar o confronto com a modernidade. O desafio seria alfabetizar sem que a riqueza da oralidade fosse eliminada. O desafio seria ensinar a escrita a conversar com a oralidade.
Mia Couto, in E se Obama fosse africano

15/06/2019

Sobre o sofrimento e sobre a felicidade

Acho que sabedoria é saber sofrer pelas razões certas. Quem não sofre, quando há razões para isso, está doente. Se uma pessoa querida morre e o coração não sangra, se um golpe duro da vida atinge a quem se ama e os olhos não choram, se uma desgraça cai sobre o povo e a alma não fica triste, se o fogo consome as florestas e o corpo não queima também, é porque algo está errado com a gente.
Quem é feliz e nunca sofre, padece de uma grave enfermidade e precisa ser tratada a fim de aprender a sofrer. Sofrer pelas razões certas significa que estamos em contato com a realidade, que o corpo e a alma sentem a tristeza das perdas e que existe em nós o poder do amor. Só não sofrem, quando para isso há razões, aqueles que perderam a capacidade de amar. Toda experiência de amor traz, encolhida no seu ventre, à espera, a possibilidade de sofrer. Assim, a receita para não sofrer é muito simples: basta matar o amor.
Mas que enorme seria a perda se isso acontecesse! Porque é o sofrimento que nos faz pensar. Pensamos ou para encontrar formas de eliminar o sofrimento, quando isso é possível, ou para dar um sentido ao sofrimento, quando ele não pode ser evitado. O pensamento, assim, filho da dor, está a serviço da alegria. Todas as belas conquistas do espírito humano, da poesia à ciência, nasceram assim.
Mas há outros sofrimentos que não nascem de perdas reais. A felicidade pode ser destruída por uma doença que mora em nossos olhos. O que é ilustrada por esta estorieta que gosto de contar:

***

Um homem, felizardo, encontrou uma garrafa onde morava um gênio. Libertado de sua prisão, o gênio lhe disse:
- Tenho o poder de torná-lo feliz. Atenderei a todos os seus pedidos, sem nenhum limite!
Tomado por uma onda de felicidade, o homem começou a imaginar todas aquelas coisas com que sempre sonhara e nunca imaginara poder ter. coisas que o tornariam feliz para sempre! E os seus olhos brilhavam ao contemplar os objetos dos seus desejos: casas em lugares paradisíacos, viagens por países longínquos, banquetes com comidas exóticas, carros, iates, aviões, lindas mulheres que o amariam com amor terno e fiel, um corpo eternamente jovem, belo e potente… Ah!, o que ele imaginava estava além de tudo o que sonhara, e agora seus olhos deslumbrados se deleitavam nos objetos que o tornariam feliz. Estava pronto a transformar seus sonhos em realidade e felicidade.
- Vou dizer o que desejo – disse ele ao gênio.
- Há apenas um pequeno detalhe, insignificante, que é preciso esclarecer – o gênio acrescentou.
- Pois diga – replicou o homem.
- É que tudo o que você tiver, seu inimigo terá em dobro…
Ao ouvir essas palavras, uma perversa metamorfose aconteceu com os seus olhos. Seu deleite tranquilos nos objetos do seu desejo se transformou num movimento aflito entre o que o gênio lhe daria – até aquele momento muito mais do que tudo com que jamais sonhara, mais que suficiente para a sua felicidade – e aquilo que seria dado ao seu pior inimigo. E, quando seus olhos o contemplavam e o que ele teria, como ele se sentia pobre e desgraçado! A visão da felicidade do outro estragara, para sempre, a sua própria felicidade.
- Já sei o que quero pedir – disse ele finalmente ao gênio.
- Pois faça o seu pedido! -, o gênio replicou.
- Me fure um olho!”
Rubem Alves, in A eternidade numa hora

09/06/2019

27/04/2019

Pobreza da sabedoria

Odeio os sábios por sua complacência, sua covardia e sua reserva. Amo infinitamente mais as paixões devorantes do que o humor equilibrado, que torna um homem insensível tanto ao prazer quanto à dor. O sábio ignora o trágico da paixão e do medo da morte, assim como desconhece o élan e o risco, o heroísmo bárbaro, grotesco ou sublime. Ele expressa-se por meio de máximas e dá conselhos. O sábio nada vive, nada sente, nem deseja ou espera. Ele regozija-se em nivelar diversos conteúdos da vida e a assumir-lhes as consequências. Muito mais complexos parecem-me aqueles que, apesar deste nivelamento, não param de se atormentar. A existência do sábio é vazia e estéril, pois desprovida de antinomias e desespero. As existências devoradas pelas contradições intransponíveis são infinitamente mais fecundas. A resignação do sábio vem do vazio, e não do fogo interior. Eu preferiria mil vezes morrer deste fogo do que do vazio e da resignação.
Emil Cioran, in Nos cumes do desespero

14/04/2019

A verdade, que palavra!

A maior estupidez que o espírito humano já pôde conceber é a ideia da libertação por meio da supressão do desejo. Por que dificultar a vida, por que destruí-la em prol de um ganho tão estéril quanto a indiferença total, junto a uma liberação ilusória? Como ousaríamos falar ainda da vida quando a esvaziamos completamente em nós mesmos? Eu tenho mais estima pelo indivíduo de desejos contrariados, infeliz no amor e desesperado, do que pelo sábio impassível e orgulhoso. Todos deveriam desvanecer para que a vida continue tal como é.
Odeio a sabedoria desses homens não afetados pelas verdades, que não sofrem nos nervos, na carne e no sangue. Eu amo apenas as verdades vitais, as verdades orgânicas provenientes de nossa inquietude. Todos aqueles que pensam de maneira viva têm razão, pois jamais se encontrará um argumento decisivo contra eles. E mesmo que algum se apresentasse, eles não resistiriam à vida. Que algumas pessoas ainda teimem em buscar a verdade - eu, disto, somente me surpreendo. Não se compreendeu, então, que ela não existe?
Emil Cioran, in Nos cumes do desespero

19/01/2019

Dos sábios e dos tolos

Os que querem parecer sábios entre os tolos, acabam por parecer tolos entre os sábios.”
Quintiliano

17/01/2019

Sabedoria

O meio mais seguro de ocultarmos aos outros os limites do nosso saber é nunca os ultrapassar.”

Giacomo Leopardi

18/12/2018

Sabedoria

A velhice deu a Barthes a coragem para dizer aquilo que ele sempre soubera: que os saberes, frequentemente, são as sepulturas da sabedoria. Sabedoria não é aquilo que se obtém pela adição de saberes. O sábio que escreveu o Tao-Te-Ching , há séculos, já tinha percebido isso: “Os que têm saber não são sábios; os que são sábios não têm saber”. As universidades estão cheias de eruditos tolos. Por outro lado, conheço pessoas sem diploma que são sábias.
A diferença entre elas?
As pessoas que têm saberes, cientistas e similares, têm conhecimento do mundo e têm poder para agir sobre ele, porque saber é poder . São muito importantes. Para se cozinhar é preciso que exista a ciência dos fogos, dos utensílios, dos ingredientes, das panelas.
Os conhecimentos nos dão meios para viver.
A sabedoria nos dá razões para viver. Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio.
Os programas de escola por que nossas crianças e adolescentes têm de passar são cadeias de saberes. Mas onde se encontra a sabedoria? Ausente. Sabedoria não é saber científico. Não cai no vestibular. Ela não pode ser avaliada em testes de múltipla escolha.
Rubem Alves, in Variações sobre o prazer

30/10/2018

Saberes, sabores...

Até aqui construí escadas, construí saberes. Agora abandonei as escadas, abandonei os saberes. Dedico-me aos sabores das frutas que se encontram além da escada. Desejo agora ensinar os sabores. Mas os sabores não podem ser ditos. Ensinar sem falar: somente os taoístas conhecem essa arte impossível”.
Roland Barthes

19/05/2018

Do desprendimento da bondade

Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como ato de solidariedade. Daí: “Não dês as tuas esmolas diante dos homens, para seres visto por eles”. A bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem quer que se veja a si mesmo no ato de fazer uma boa obra deixa de ser bom; será, no máximo, um membro útil da sociedade ou zeloso membro de uma igreja. Daí: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.”
(...) O amor à sabedoria e o amor à bondade, que se resolvem nas atividades de filosofar e de praticar boas ações, têm em comum o fato de que cessam imediatamente - cancelam-se, por assim dizer - sempre que se presume que o homem pode ser sábio ou ser bom. Sempre houve tentativas de dar vida ao que jamais pode sobreviver ao momento fugaz do próprio ato, e todas elas levaram ao absurdo.
Hannah Arendt, in A condição humana

02/02/2017

Sabedoria

A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois.”
Leon Tolstói

04/01/2017

Sabedoria

Entre outras vantagens, a sabedoria também tem isto de bom: só se pode ser ultrapassado por outro durante a fase de ascensão. Quando se chega ao cume, não mais subsistem diferenças: a sabedoria é um estado constante, não passível de qualquer incremento. Acaso o Sol pode aumentar de tamanho ou a Lua sair da sua órbita? Os oceanos também não crescem; o mundo conserva sempre a sua forma e as suas medidas. Todos os seres que atingiram as suas dimensões ideais já não podem aumentar e, por isso, todos os homens que atingirem a sapiência são de valor inteiramente idêntico. De entre eles, cada um terá as suas qualidades próprias: um poderá ser mais afável, outro mais desembaraçado, outro de palavra mais pronta, outro dotado de maior eloquência. Mas o ponto que nos interessa - a sapiência que gera a beatitude - essa será igual em todos eles.”
Sêneca, in Cartas a Lucílio

15/08/2016

O saber

Não há dúvida alguma de que a superioridade do homem reside no saber. Nele estão guardadas muitas coisas, que os reis com todos os seus tesouros não podem comprar, sobre os quais não se impõe o seu manto, das quais os seus informantes e alcaguetes não dão notícias alguma, cujas terras de origem não podem ser alcançadas pelos veleiros dos seus navegantes e descobridores.”
Francis Bacon

03/06/2016

Relação pacífica com a natureza

A sabedoria consiste, no fundo, em ter uma relação pacífica com o que está fora de nós, com a natureza. Para meu avô, bastava saber o nome das árvores, dos animais e ter uma ideia aproximada do tempo. Com quatrocentas ou quinhentas palavras se vivia. Pode ser que tenhamos de reconhecer que a sabedoria cabe nessas poucas palavras e que, quando começamos a entrar nos matizes, tudo se diversifica. Às vezes, as palavras fazem que nos detenhamos nelas.
José Saramago, in As palavras de Saramago

20/07/2015

A verdade é quase sempre triste

Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo, sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito, não se pode ser muito feliz. A verdade é quase sempre triste.”
Miguel Esteves Cardoso