24/08/2015
A corrida de sapinhos
Era
uma vez uma corrida de sapinhos.
Eles
tinham que subir uma grande ladeira e, do lado havia uma grande
multidão, muita gente que vibrava com eles.
Começou
a competição.
A
multidão dizia:
– Não
vão conseguir! Não vão conseguir!
Os
sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava
subindo. E a multidão a aclamar:
– Não
vão conseguir! Não vão conseguir!
E
os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranquilo, sem
esforço.
No
final da competição, todos os sapinhos desistiram, menos aquele.
Todos
queriam saber o que aconteceu, e quando foram perguntar ao sapinho
como ele conseguiu chegar até o fim, descobriram que ele era SURDO!
Moral da estória: Quando queremos fazer alguma coisa que precise de coragem, não devemos escutar pessoas que falam que você não vai conseguir. Seja surdo aos apelos negativos.
Monteiro
Lobato
A face humana
Não
tenho nem mais vontade de falar e de discutir com as pessoas; e mesmo
pensar sobre elas me cansa, já que tão continuamente sou obrigado a
pensar mal. Se volto a elas, se torno a procurá-las, só vejo uma
explicação para isto: um grande amor. Um grande e doloroso amor por
essa coisa triste e castigada que é a face humana.
Lúcio
Cardoso, in Diários
O jovem casal
Estavam
esperando o bonde e fazia muito calor. Veio um bonde mas estava tão
cheio, com tanta gente pendurada nos estribos que ela apenas deu um
passo à frente, ele apenas esboçou com o braço o gesto de quem vai
pegar um balaústre – mas desistiram.
Um
homem com uma carrocinha de pão obrigou-os a recuar mais perto do
meio-fio; depois o negrinho de uma lavanderia passou com a bicicleta
tão junto que um vestido esvoaçante bateu na cara do rapaz.
Ela
se queixou de dor de cabeça; ele sentia uma dor de dente não muito
forte, mas enjoada e insistente, mas preferiu não dizer nada. Ano e
mio casados, tanta aventura sonhada, e estavam tão mal naquele
quarto de pensão no Catete, muito barulhento: “Lutaremos contra
tudo” – havia dito – e ele pensou com amargor que estavam
lutando apenas contra as baratas, as horríveis baratas do velho
sobradão. Ela apenas com um gesto de susto e nojo se encolhia a um
canto ou saía para o corredor – ele, com repugnância, ia matar o
bicho; depois, com mais desgosto ainda, jogá-lo fora.
E
havia as pulgas; havia a falta de água, e quando havia água, a fila
dos hospedes no corredor, diante da porta do chuveiro. Havia as
instalações que sempre cheiravam mal, o papel da parede amarelado e
feio, as duas velhas gordas, pintadas, da mesinha ao seu lado, que
lhe tiravam o apetite para a mesquinha comida da pensão. Toda a
tristeza, toda a mediocridade, toda a feiúra duma vida estreita onde
o mau gosto atroz e pretensioso da classe média se juntava à
minuciosa ganância comercial – um ovo era “extraordinário”,
quando eles pediam dois ovos a dona da pensão olhava com raiva,
estavam atrasados dias no pagamento.
Passou
um ônibus enorme, parou logo adiante abrindo com ruído a porta, num
grande suspiro de ar comprimido, e ela nem sequer olhou o ônibus,
era tão mais caro. Ele teve um ímpeto, segurou-a pelo braço
disposto a fazer uma pequena loucura financeira – “vamos pegar um
ônibus!” Mas o monstro se fechara e partira jogando-lhes na cara
um jato de fumaça ruim.
Ele
então chegou mais para perto dela – lá vinha outro bonde, não,
mas aquele não servia – enlaçou-a pela cintura, depois ficou
segurando seu ombro com um gesto de ternura protetora, disse-lhe
vagas meiguices, ela apenas ficou quieta. “Está doendo muito a
cabeça?” Ela disse que não. “Seu cabelo agora está mais
bonito, meio queimado de sol.” Ela sorriu levemente, mas de
repente: “ih, me esqueci da receita do médico”, pediu-lhe a
chave do quarto, ele disse que iria apanhar para ela, ela disse que
não, ela iria; quando voltou, foi exatamente a tempo de perder um
bonde quase vazio; os dois ficaram ali desanimados.
Então
um grande carro conversível se deteve um instante perto dos dois,
diante do sinal fechado. Lá dentro havia um casal, um sujeito meio
calvo de ar importante na direção, uma mulherzinha muito pintada ao
lado, sentiram o cheiro de seu perfume caro. A mulherzinha deu-lhes
um vago olhar, examinou um pouco mais detidamente a moça, correndo
os olhos da cabeça até os sapatos pobres – enquanto o senhor meio
calvo dizia alguma coisa sobre anéis, e no momento do carro partir
com um arranco macio e poderoso ouviram que a mulherzinha dizia: “se
ele deixar aquele por quinze contos, eu fico”.
Quinze
contos – isso entrou dolorosamente pelos ouvidos do rapaz, parece
que foi bater, como um soco, em seu estômago mal alimentado –
quinze contos, meses e meses de pensão! Então olhou a mulher e
achou-a tão linda e triste com uma blusinha branca, tão frágil,
tão jovem e tão querida, que sentiu os olhos arderem de vontade de
chorar de humilhação por ser tão pobre; disse: “Viu aquela vaca
dizendo que ia comprar um anel de quinze contos?”
Vinha
o bonde.
Rubem
Braga, in Os melhores contos
Soneto XXIII

Cidadezinha
cheia de graça…
Tão
que até causa dó!
Com
seus burricos a pastar na praça…
Sua
igrejinha de uma torre só…
Nuvens
que venham, nuvens e asas,
Não
param nunca nem um segundo…
E
fica a torre, sobre as velhas casas,
Fica
cismando como é vasto o mundo!…
Eu
que de longe venho perdido,
Sem
pouso fixo (a triste sina!)
Ah,
quem me tera ter lá nascido!
Lá
toda a vida poder morar!
Cidadezinha…
Tão pequenina
Que
toda cabe num só olhar.
Mário
Quintana
22/08/2015
Podemos
Podemos
atear fogo
à
memória da casa
desaprender
um idioma
palavra
por palavra
podemos
esquecer uma cidade
suas
ruas pontes armarinhos
armazéns
guindastes teleféricos
e
se ela tiver um rio
podemos
esquecer o rio
mesmo
contra a correnteza
mas
não podemos proteger com o corpo
um
outro corpo do envelhecimento
lançando-nos
sobre a lembrança dele.
Ana
Martins Marques
São João dos cachorros

A
princípio era um só. Mas os latidos foram despertando outros.
Desespero de quem não quer olhar. Não pode e nem deve olhar, porque
o cão lê o medo no olho do homem. E aí é pior. Sente o
resfolegar, o rosnar dos cães bem na sua perna. Anda como autômato.
Se correr... Nenhuma arma. Nenhum pedaço de pau, nenhuma pedra.
Uma
lua fosca e débeis luzes de postes retorcidos iluminam a rua de
terra, deserta. Os cães continuam a segui-lo. Aliás, persegui-lo.
Acuam-no como caça preciosa. Cada quarteirão vencido parecia ter
léguas de distância. Cada esquina dobrada, mais cães se juntavam à
procissão barulhenta no seu encalço.
Levava
um pacote de alimentos para gatos e um livro desgastado de tantas e
quantas leituras. Não criava bichos de estimação. De bicho,
bastava a si próprio. Os gatos, de um amigo. Daí os alimentos.. Os
cães querem é o gato imaginário escondido no saco, pensou. Jogasse
fora o alimento? Mais fúria, quem sabe... O livro, não. Leitura não
alimenta cachorro. Subisse numa árvore? Merda de cidade mal
arborizada... Desse um grito feito Tarzan dos gibis? Arriscado bancar
o herói quadrinizado.
A
barra da calça molhada pela baba dos famintos. Suor lhe empapa o
corpo. Caminhando e pensando no grande idiota que inventou ser o cão
o melhor amigo do homem. Melhor amigo é da sua mãe, imbecil, à
merda. Xinga o pensamento.
Aqueles
os ex-cães. Noturnos que não têm dono. Esquecem origem, medalha e
pedigree, se é que um dia tiveram. Rosnam violentos como o lobo.
Cobiçam o homem na selva cidade. Mundo cão, esse.
O
cérebro esmiuçou conhecimentos caninos. Não muitos. Sabia da
escola treinadora de cães. Caçar bandidos. Farejar pó. Não se
enquadrava no figurino. E então? Como sair daquela? Lembrava amigo
morto pela baba de cachorro louco. Calafrio no corpo. Náusea. Não
esmorecer. Estômago vira, revira. Vomitar pirão com torresmo.
Travou o gogó.
Abocanhada
na perna da calça. Apertou o passo. Pernas pesavam toneladas.
Ouvidos se acostumavam à latomia espumosa. Rápida olha para trás.
Muitos os cães. Rua inteira coberta de pelos encardidos. Profusão
de bocas arreganhadas. Mar de orelhas, pontiagudos os chifres.
Assemelhavam-se à manada de búfalos pronta ao estouro. Ladravam,
mordiam-se entre si. Não a sombra por falta de espaço.
Estranha
alcateia, sem líder, cavalgando a noite. Ele, a mascote. Merda de
cidade pequena com tantos cachorros assim. Povo pobre. De onde tiram
alimento para essas feras? Que milagre faz sobra de tão pouco na
vida? Boca dos filhos. Filhos da puta esses cães magros e
asquerosos.
Dormia
a cidade. Ele, o fantasma de ruas sombrias, acuado. Fingisse de
morto? O bafio da cachorrada em seu rosto. Cheirá-lo com seus
focinhos frios, baba gosmenta, pulgas, carrapatos e carrapichos no
pelo bernento. Ideia melhor precisava ter.
Iam
e vinham à sua frente, em semicírculos. Urubus à espreita da
carniça. Hienas farejando a presa.
Arrastava
um cão pequeno abocanhado nos fiapos da mesclinha azul. Um tropeção
seria o diabo. Levantou a vista. A pracinha à frente. Um coreto.
Miragem da noite, oásis de salvação. Último reduto da esperança
em frangalhos.
Quando
a cidade acordou, viu o nicho da praça preenchido por estranho
santo, maltrapilho. O breviário na mão esquerda, um livro de Poe.
Na direita, o maná dos gatos. Prestavam-lhe tributo os cães. Um mar
deles.
Aos
poucos, o povo foi se aproximando cauteloso por entre os bichos.
Ajoelhavam-se ao lado dos cachorros que coalhavam a praça. Estranho
aquele são francisco de assis que deixara os pássaros e se dedicava
aos cães. Sangravam-lhe as pernas esfarrapadas.
–
Viva
São João dos Cachorros! –
histérico, o povo.
–
À
merda vocês todos! –
o xingo entredentes.
Formigavam
os pés. Batatas de cãibra subiam e desciam como lagartos pela
barriga da perna. Cada braço, um cabo de aço. Ruptura à vista.
–
Viva
São João dos Cachorros! –
o povo.
–
À
puta que pariu vocês todos! –
inaudível protesto afogava-se na garganta.
Num
momento em que o povo se curvou, olhos fechados, tentou se mover.
Inútil. Pernas e braços não mais o obedeciam. Boca cerrada, língua
travada. Gritar, como?
–
Viva
São João dos Cachorros! –
a ladainha do povo.
–
É
a puta que pariu vocês to...! –
não consegue mais o pensamento engessado.
Tempo
demais fingindo-se santo. Agora, paciência. Era uma estátua de
verdade.
Línguas ávidas vão lambendo as chagas de pedra encarnada.
Línguas ávidas vão lambendo as chagas de pedra encarnada.
José
de Castro, in www.marceloabdon.com.br
Primeira vez da vovó
Vovó,
você se lembra da sua primeira vez?
–
Primeira
vez o que, minha filha?
– Que
fez sexo.
–
Uuuuuuuu…
– Faz
tanto tempo assim?
–
Espera
que eu ainda não terminei. Uuuuuuuuuu…
– Foi
com quem?
– Um
cadete. Ele ia ser mandado para o front no dia seguinte e disse que
queria levar com ele a lembrança da nossa última noite juntos. Não
pude recusar. Dali a duas semanas recebi a notícia de que ele tinha
morrido.
– Que
front era esse, vovó?
– O
front. Da guerra. Não me lembro qual delas. Fiquei chocada com a
notícia e me internei num convento, onde fiquei pelo resto da vida.
– Vovó,
você viveu num convento?
– Não
vivi? Espera um pouquinho. Acho que estou misturando as coisas. Isso
foi um romance que eu li. Ó cabeça.
–
Então,
quem foi o primeiro?
– O
primeiro o quê?
– Com
quem você fez sexo, vovó.
–
Uuuuuuuuu…
Deixa ver. Como era o nome dele… Gilbert qualquer coisa. Gilbert
Roland!
– Acho
que esse era um ator.
– Não,
não, não. Era nosso vizinho. Nos encontrávamos no fundo do
quintal, sob a goiabeira. Até hoje não posso sentir cheiro de
goiaba que me lembro do Gilbert Roland. Foi o primeiro e o único.
Nunca mais amei ninguém.
– Vovó.
Você casou com o vovô. Teve cinco filhos com o vovô. Você amava o
vovô.
– Tudo
fingimento.
– E
há quanto tempo você não faz sexo?
–
Uuuuuuuuuuu…
– Com
quem foi a última vez?
– Eu
já era viúva. Um dia bateram na porta. Era o Juan Carlos da
Espanha. Na época ele ainda era príncipe. Tinha errado de porta,
estava procurando não sei quem. Mandei entrar e começamos a
conversar. Assuntos gerais. Ele pediu para ver o meu quarto… E
aconteceu. Nunca mais nos vimos. Mas ele não deixa de me escrever.
– Vovó,
você tem cartas do rei Juan Carlos da Espanha?
– Estão
por aí, em algum lugar.
– E
são cartas amorosas?
–
Uuuuuuuuuuuu…
Luís
Fernando Veríssimo
21/08/2015
A frouxidão no amor é uma ofensa
A
frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão; fervor, e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão; fervor, e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Vê
qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Tu
só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
Talvez
me enfadaria aspecto iroso;
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-se cativo, e não me faz ditoso.
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-se cativo, e não me faz ditoso.
Manuel
Maria Barbosa du Bocage
Direitos sociais
“Em sua dimensão mais ampla, os direitos sociais entraram na história do constitucionalismo moderno com a Constituição de Weimar. A mais fundamentada razão da sua aparente contradição, mas real complementaridade, com relação aos direitos de liberdade é a que vê nesses direitos uma integração dos direitos de liberdade, no sentido de que eles são a própria condição do seu exercício efetivo. Os direitos de liberdade só podem ser assegurados garantindo-se a cada um o mínimo de bem-estar que permite uma vida digna.”
Norberto Bobbio, in A era dos direitos
Feliz por nada
Geralmente,
quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um
novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos,
perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê.
Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei
que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz
apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
[...]
Feliz
porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz
porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco
será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que
sua cama.
Esquece.
Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz
por nada, nada mesmo?
Talvez
passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de
felicidade inferniza.
“Faça
isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá
pelo mesmo caminho?
Particularmente,
gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar
as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e
assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não
estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando
“realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque
felicidade é calma.
Consciência.
É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do
imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como
é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é,
são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos
os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não
terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem
falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se
punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se
é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos
libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade
e ao mesmo tempo ser livre.
Adequação
e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a
energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A
vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que
responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu
prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega
de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado
e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser
feliz por nada talvez seja isso.
Martha
Medeiros
20/08/2015
Perguntas e respostas
“Quando
a gente acha tem tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as
perguntas...”
Luís
Fernando Veríssimo
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