04/12/2011
Tá doido o fura-barreira

Que esfrie cá na Serra por esses tempos até se entende. Que Tude de Osório desaposente o casaco de lã azul, quando passa de sua casa, na Rua de Baixo, em busca das graças da virgem da Conceição ou da capelinha do Rosário, onde Martins Roriz edificou uma Ermida, no mesmo local do encontro do corpo da mulher morta por indígenas, também se entende.
Que o tempo pareça começo de inverno, já véspera de Agosto, se entende. E reverdeça jitiranas e camarás, escureçam as folhas do abacateiro, se entende. E até se glorifique. Pois será verde a serra por mais trinta dias, mesmo que o inverno curto e fora de tempo se mande pras bandas do sul.
Que nasça mesmo agora a cebola-braba, assusta. Mas se entende. A cebola-braba nasce no começo da noite e pela manhã já está florada. Certa vez, a mulher de um cachaceiro de cá propôs ao marido: “Migué, vamo fazer uma aposta. Eu planto uma jaqueira e você só volta a beber quando ela butá jaca”. Miguel respondeu em cima da bucha: “Num faço essa aposta nem cum cebola-braba”. A jaqueira leva cerca de dez anos para frutificar.
Que o galo-de-campina cante no verão o canto do inverno, vá lá. O nosso cabeça-vermelha, cardeal lá do sul, galo-de-campina do sertão tem vários cantos. Na gaiola ele perde esse dom. Só canta de um jeito. No mato, solto e livre, não. Ele tem um canto apropriado para cada tempo. O canto da postura. O canto de ensinar aos filhotes o voo e buscar sementes no campo. E um canto dobrado, o mais belo, que é o da conquista e acasalamento. Esse trinado coincide com o início do inverno nos anos de fartura. Estão matando o galo-de-campina. Como já mataram o corrupio e outras espécies. Cadê o Ibama e o Ministério Público? Aqui a natureza faz tudo sozinha. É governo e fiscal da lei. Sozinha de meu Deus!
Chove e venta de forma diferente há alguns meses. Agosto é mês de vento, sabemos. Mas venta forte desde Maio.
A serra se cobre de névoa de forma nova, em modificado tempo do seu jeito. Como se estivéssemos numa outra região de clima ou localização diversa.
E pra ser mais inteligente, não preciso alcançar a genialidade dos novos tempos. Na criatividade, impossível. Basta a generosidade do leitor que perde alguns minutos do seu tempo para ler a conversa que desconverso nesse canto de página que o Novo Jornal me reserva nas edições do Domingo.
Esqueci o fura-barreira. Ele tá doido? Pois veja que o pobre coitado, portador da mais consistente isperiênça de inverno foi traído pelos novos tempos da natureza maculada.
Sua forma de cantar, seu jeito de arrumar a casa de postura, sua permissão de aparecer pela madrugada, seu balançar de asas, penas soltas de cores diferentes, tudo dando sinal de chuva ou seca, entrou em parafuso.
Que danado tá dizendo o fura-barreira? Té mais.
03/12/2011
A voz
Saiam luas, desçam rios
Virem páginas dos pensamentos
Lanço estrelas do meu canto
Sobre as camas dos apartamentos
Virem mares todos os sertões
Que choram pedras aqui
Dentro
Pra esse fogo que queima tão lento
Vento, vento, vento
Aos cantores nos televisores
Flores, flores, flores
Para o povo lá em Bocaiúva
Chuva, chuva, chuva, chuva, chuva
Bate tambor de criôla
Sangra o dedo no tambor
Que as crianças ainda cantam
Numa orquestra de cavacos
E os velhos ainda choram seus bordões
Que palavras sejam gestos
Gestos sejam pensamentos
Da voz que move nossos corações.
Virem páginas dos pensamentos
Lanço estrelas do meu canto
Sobre as camas dos apartamentos
Virem mares todos os sertões
Que choram pedras aqui
Dentro
Pra esse fogo que queima tão lento
Vento, vento, vento
Aos cantores nos televisores
Flores, flores, flores
Para o povo lá em Bocaiúva
Chuva, chuva, chuva, chuva, chuva
Bate tambor de criôla
Sangra o dedo no tambor
Que as crianças ainda cantam
Numa orquestra de cavacos
E os velhos ainda choram seus bordões
Que palavras sejam gestos
Gestos sejam pensamentos
Da voz que move nossos corações.
Composição: Vander Lee
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
A Arte para crianças
Ela estava sentada numa cadeira ali, na frente de um prato de sopa que chegava a altura de seus olhos. Tinha o nariz enrugado e os dentes apertados e os braços cruzados. A mãe pediu ajuda:
— Conta uma história para ela, Onélio — Pediu — Conta, você que é escritor...
E Onélio Jorge Cardoso, esgrimindo a colher de sopa, fez seu conto:
— Era uma vez um passarinho que não queria comer a comidinha. O passarinho tinha o biquinho fechadinho, fechadinho, e a mamãezinha dizia: "Você vai ficar aviãozinho, passarinho, se não comer a comidinha". Mas o passarinho não ouvia a mamãezinha e não abria o biquinho...
E então a menina interrompeu:
— Que passarinho de merdinha — opinou.
Eduardo Galeano, in O livro dos abraços
02/12/2011
O Livro

“Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em César e Cleópatra de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.
(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objeto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria”.
Jorge Luís Borges, in Ensaio: O Livro
O novo homem
O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
“Nove meses, eu?
Nem nove minutos.”
Quem já concebeu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio,
e, per omnia secula,
livre, papagaio, sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.
Carlos Drummond de Andrade, in Versiprosa
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
“Nove meses, eu?
Nem nove minutos.”
Quem já concebeu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio,
e, per omnia secula,
livre, papagaio, sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.
Carlos Drummond de Andrade, in Versiprosa
100 livros sobre comunicação para download
O Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira, de Portugal, disponibilizou para download legal e gratuito cerca de 100 livros sobre comunicação. Os livros estão disponíveis em formato PDF. Os interessados em obter a versão impressa poderão fazê-lo sob encomenda, com preços acessíveis. A maior parte dos livros são publicações do ano de 2010 e 2011. Para acessar: http://bit.ly/eI9n2o.
01/12/2011
Riso rápido
Há muito tempo não me divertia tanto. A cada página uma risada, até chegar às lágrimas. Isso aconteceu com a leitura de Pano Rápido, lançamento da CEPE, em que Joca Souza Leão, colunista do JBF, reúne textos publicados por ele na revista Algomais. São histórias da noite, fragmentos de conversas de intelectuais, fatos pitorescos, recolhidos aqui e ali. Tempos e pessoas inesquecíveis da boemia recifense desfilam no melhor dos estilos, numa espécie de pinga-fogo engraçadíssimo.Com orelha de Garibaldi Otávio e Aluízio Falcão e prefácio de Homero Fonseca, o livro se caracteriza pela Excelência gráfica, impresso em papel couchê fosco e com primorosa edição gráfica e caricaturas de Ricardo Melo. Algo de fazer inveja a antigos amantes das artes gráficas em Pernambuco, como Gastão de Holanda, João Alexandre Barbosa e Ionaldo Cavalcanti, saudosos expertos no assunto.
Um dos aspectos mais interessantes da novel publicação é que ali estão presentes os mais importantes nomes da intelectualidade pernambucana. Engenheiros, jornalistas, publicitários, escritores, poetas e, naturalmente, advogados, muitos advogados. Como se sabe, há muitos anos a Faculdade de Direito do Recife fornece brilhantes causídicos, que mais cedo ou mais tarde se embrenham pela noite do Recife produzindo as mais belas páginas literárias ou originando as piadas mais engraçadas.
Algumas histórias são conhecidas, como a do aluno que não respondera a nenhuma pergunta na prova oral de Medicina e o professor Bezerra Coutinho, para provocá-lo, pediu ao bedel:
- Malaquias, traz um feixe de capim.
O aluno emendou:
- E um guaraná para mim.
Tanto quanto as histórias, toca ao coração dos mais “antigos” a lembrança de lugares que fazem parte do folclore ou da vida social recifense, como o Bar Savoy e o Restaurante Leite, entre outros. Surgem aqui e ali nomes que de alguma forma, ou em algum momento, nos emocionaram, como Carlos Luís de Andrade e Carmita, Renato Carneiro Campos, Mauro Mota, Mário Florêncio, Félix de Athayde, Paulo Cavalcanti, Carlos Fernando e José Wilker -para citar apenas os que conheci mais de perto.
O mais importante é a graça e originalidade das histórias, que se revestem de autenticidade inquestionável. Concluo com uma história que não está no livro mas é verdadeira e se enquadraria, suponho, em seu estilo e objetivos. Ao contar na redação da revista onde trabalhava (Transporte Moderno, da Editora Abril), que comprara minha primeira geladeira, um dos colegas perguntou: “Quantos pés?” – Resposta ingênua: “Quatro, ué”. E era redator de uma revista técnica.
Flávio Tiné, na coluna Deu no Jornal, do Besta Fubana
Resgatando um Clássico: O Ébrio
Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou...
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento.
Já fui feliz e recebido com nobreza, até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé,
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então:
O falso lar que amava e que a chorar deixei.
Cada parente, cada amigo, era um ladrão;
Me abandonaram e roubaram o que amei.
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar:
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição.
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração.
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo.
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou...
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento.
Já fui feliz e recebido com nobreza, até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé,
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então:
O falso lar que amava e que a chorar deixei.
Cada parente, cada amigo, era um ladrão;
Me abandonaram e roubaram o que amei.
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar:
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição.
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração.
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo.
Composição: Vicente Celestino
Poeminho do contra
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana
Mudança
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental...
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
Clarice Lispector
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