Clementina
Carolina de Jesus
Ganhamos
uma rosa de ouro
Uma
rosa desenhada em canção
Algodão
em sorriso ex-escravo
Sua
tataraneta judoca
Negra
como vazio em noite escura
De
cabelos lindos alvoroçados
Como
se o vento os tivesse penteando
Uma
redonda flor como o sol
Brilha
em seu olhar escondida
A
menina espantada da Cidade de Deus
Entra
em portas que nunca se abriram
Dos
seus olhos de espanto e fuga
Cai
uma chuva que enxuga sua dor.
José Carlos Capinan, em Cancioneiro geral
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