Por outro lado, estou hoje um pouco
cansada e é sobre o prazer do cansaço dolorido que vou falar. Todo
prazer intenso toca no limiar da dor. Isso é bom. O sono, quando
vem, é como um leve desmaio, um desmaio de amor.
Morrer deve ser assim: por algum
motivo estar-se tão cansado que só o sono da morte compensa. Morrer
às vezes parece um egoísmo. Mas quem morre às vezes precisa muito.
Será que morrer é o último prazer
terreno?
Clarice Lispector, em Todas as crônicas
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