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Amigos
me têm perguntado sobre as razões da minha mudança de estilo. Eu
só escrevia crônicas com princípio, meio e fim. De repente,
comecei a escrever fragmentos, como estes. Acontece que a cabeça é
uma caixa de segredos onde se ajuntam os mais diferentes tipos de
pensamentos. Alguns deles são tranqueiras mesmo e os jogo fora. (Mas
já me arrependi muito de supostas tranqueiras que joguei fora para
descobrir, muito mais tarde, que não eram tranqueiras...) Outros
ficam lá dentro e vão ajuntando, enchendo minha canastra secreta.
Não é possível transformá-los todos em peças literárias porque
o tempo é curto e o espaço também. Mas não tenho coragem de me
livrar deles. Resolvi então retirá-los da caixa em que estavam
guardados e transformá-los em brinquedos.
Rubem
Alves, in Do universo à jabuticaba
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