08/09/2026

The Kiss of Venus | Paul McCartney

 


The Kiss of Venus, de Paul McCartney

The kiss of Venus
Has got me on the go
She scored a bullseye
In the early morning glow
Early morning glow

Packed with illusions
Our world is turned around
This golden circle has a
Most harmonic sound
Harmonic sound

And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown

Now moving slowly
We circle through the square
Two passing planets in the
Sweet, sweet summer air
Sweet summer air

And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown

Reflected mountains in a lake
Is this too much to take?
Asleep or wide awake?
And if the world begins to shake
Will something have to break?
We have to stay awake

Packed with illusions
Our world is turned around
This golden circle has a
Most harmonic sound
Harmonic sound

And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown

The kiss of Venus
Has got me on the go
She scored a bullseye
In the early morning glow
Early morning glow

The kiss of Venus
Has got me on the go

O Livro das Coincidências: a harmonia dos planetas, de John Martineau, é um minitratado sobre os planetas, suas órbitas e as revoluções do Sol e da Lua. Eu o reli faz pouco tempo. É uma leitura fascinante, pois quem concebeu esse livro visualizou essas órbitas e revoluções. Por exemplo, do ponto de vista geocêntrico, Vênus traça um pentagrama ao redor da Terra a cada oito anos.
Quando eu li o livro pela primeira vez, fiquei surpreso ao ver esses designs complexos no universo, e isso me fez pensar: “Sim, é mágico... Essa vida, a interdependência de tudo, as árvores fornecendo oxigênio; há tanta coisa mágica acontecendo”.
Falando em coisas mágicas, quando tocamos no Festival de Glastonbury em 2004, adorei a ideia de que provavelmente estávamos na confluência de linhas retas, as linhas que cruzam o globo e ao longo das quais se acredita que nossos ancestrais fundaram cidades significativas. Esse tipo de história me atrai. Glastonbury também é considerado o lugar em que o Rei Arthur está enterrado. De uma forma ou de outra, é um lugar muito especial e tem uma vibe muito vívida. Não há como negar: o local tem uma aura distinta.
Desde os anos 1960 eu me interesso por constelações, cosmologia e sons cósmicos. O livro de Martineau também aborda o som – a música das esferas –, em que cada planeta emite uma nota diferente. Isso, para mim, é muito “hippie” – toda essa ideia de apenas curtir as coisas simples da vida e de estar em harmonia com a natureza. “We came together with/ Our secrets blown” – não estamos tentando esconder nada, estamos desnudos na chuva, entramos em sintonia com nossos segredos revelados, e o cosmos cuida de seus afazeres.
Pensar nessas coisas maiores nos torna humildes. Aqui estamos nós, pequenos pontos neste planeta, ele próprio um pontinho no universo, e ao mesmo tempo no coração de tudo. E temos esse modelo da flor de lótus, que ao menos algumas religiões (budismo e hinduísmo) consideram um símbolo importante.
Outra coisa que aprendi no livro de Martineau é que de vez em quando Vênus passa bem pertinho da Terra, fenômeno conhecido como “o beijo de Vênus”. Isso bastou para incendiar a minha imaginação. Esse foi o embalo que me pôs em movimento.
Two passing planets in the/ Sweet, sweet summer air”. É como se nós, na condição de pessoas, fôssemos planetas que passam – um pouco como navios passando à noite. A sequência “Now moving slowly/ We circle through the square” me lembra de “through the fair” (“pela feira”), expressão usada em muitas baladas, inclusive na tradicional balada irlandesa, “She Moved Through the Fair”. A ideia de esquadrar o círculo (“squaring the circle”) – de fazer algo impossível – também está à espreita em algum lugar na vegetação rasteira desse verso. Em certo sentido, cada canção supera a grande chance de acabar nem sendo escrita.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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