The Kiss of Venus, de Paul McCartney
The kiss of Venus
Has got me on the go
She scored a bullseye
In the early morning glow
Early morning glow
Packed with illusions
Our world is turned around
This golden circle has a
Most harmonic sound
Harmonic sound
And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown
Now moving slowly
We circle through the square
Two passing planets in the
Sweet, sweet summer air
Sweet summer air
And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown
Reflected mountains in a lake
Is this too much to take?
Asleep or wide awake?
And if the world begins to shake
Will something have to break?
We have to stay awake
Packed with illusions
Our world is turned around
This golden circle has a
Most harmonic sound
Harmonic sound
And in the sunshine
When we stand alone
We came together with
Our secrets blown
Our secrets blown
The kiss of Venus
Has got me on the go
She scored a bullseye
In the early morning glow
Early morning glow
The kiss of Venus
Has got me on the go
O Livro das Coincidências:
a harmonia dos planetas, de John Martineau, é um minitratado
sobre os planetas, suas órbitas e as revoluções do Sol e da Lua.
Eu o reli faz pouco tempo. É uma leitura fascinante, pois quem
concebeu esse livro visualizou essas órbitas e revoluções. Por
exemplo, do ponto de vista geocêntrico, Vênus traça um pentagrama
ao redor da Terra a cada oito anos.
Quando eu li o livro pela primeira
vez, fiquei surpreso ao ver esses designs complexos no universo, e
isso me fez pensar: “Sim, é mágico... Essa vida, a
interdependência de tudo, as árvores fornecendo oxigênio; há
tanta coisa mágica acontecendo”.
Falando em coisas mágicas, quando
tocamos no Festival de Glastonbury em 2004, adorei a ideia de que
provavelmente estávamos na confluência de linhas retas, as linhas
que cruzam o globo e ao longo das quais se acredita que nossos
ancestrais fundaram cidades significativas. Esse tipo de história me
atrai. Glastonbury também é considerado o lugar em que o Rei Arthur
está enterrado. De uma forma ou de outra, é um lugar muito especial
e tem uma vibe muito vívida. Não há como negar: o local tem uma
aura distinta.
Desde os anos 1960 eu me interesso por
constelações, cosmologia e sons cósmicos. O livro de Martineau
também aborda o som – a música das esferas –, em que cada
planeta emite uma nota diferente. Isso, para mim, é muito “hippie”
– toda essa ideia de apenas curtir as coisas simples da vida e de
estar em harmonia com a natureza. “We came together with/ Our
secrets blown” – não estamos tentando esconder nada, estamos
desnudos na chuva, entramos em sintonia com nossos segredos
revelados, e o cosmos cuida de seus afazeres.
Pensar nessas coisas maiores nos torna
humildes. Aqui estamos nós, pequenos pontos neste planeta, ele
próprio um pontinho no universo, e ao mesmo tempo no coração de
tudo. E temos esse modelo da flor de lótus, que ao menos algumas
religiões (budismo e hinduísmo) consideram um símbolo importante.
Outra coisa que aprendi no livro de
Martineau é que de vez em quando Vênus passa bem pertinho da Terra,
fenômeno conhecido como “o beijo de Vênus”. Isso bastou para
incendiar a minha imaginação. Esse foi o embalo que me pôs em
movimento.
“Two passing planets in the/
Sweet, sweet summer air”. É como se nós, na condição de
pessoas, fôssemos planetas que passam – um pouco como navios
passando à noite. A sequência “Now moving slowly/ We circle
through the square” me lembra de “through the fair”
(“pela feira”), expressão usada em muitas baladas, inclusive na
tradicional balada irlandesa, “She Moved Through the Fair”.
A ideia de esquadrar o círculo (“squaring the circle”) –
de fazer algo impossível – também está à espreita em algum
lugar na vegetação rasteira desse verso. Em certo sentido, cada
canção supera a grande chance de acabar nem sendo escrita.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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