sexta-feira, 1 de maio de 2026

Canção de Mim Mesmo

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Viajantes e inquiridores me rodeiam,
Pessoas que encontro, o efeito sobre mim de minha infância
Ou o distrito e a cidade em que vivo, ou a nação,
As últimas datas, descobertas, invenções, sociedades, autores velhos e novos,

Meu jantar, traje, parceiros, olhares, elogios, tributos,
A indiferença real ou fantasiada de algum homem ou mulher que amo,
A doença de um parente ou minha, ou malfeito ou perda ou falta de dinheiro, ou depressões ou exaltações,
Batalhas, os horrores da guerra fratricida, a febre de notícias duvidosas, os eventos incertos,
Estas coisas vêm a mim dias e noites e se vão de mim de novo, Mas elas não são o Eu mesmo.

Entre o puxar e arrastar fica o que sou,
Fica divertido, complacente, compassivo, ocioso, unitário,
Abaixa os olhos, está ereto, ou dobra um braço num certo repouso impalpável,
Olhando de lado, curioso, o que virá a seguir,
Dentro e fora do jogo e o assistindo e o admirando.

No meu próprio passado
Vejo onde transpirei pela névoa
Com linguistas e contendores,
Não tenho escárnios ou argumentos, eu presencio e espero.

Walt Whitman, em Folhas de Relva

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