08/07/2025

Darl


Ele se dirige ao celeiro e entra no pífio, com as costas abauladas.
Dewey Dell carrega o cesto num braço, e na outra mão alguma coisa quadrada, embrulhada em jornal. Seu rosto está calmo e sério, os olhos cavilosos e alertas; dentro deles, posso ver as costas de Peabody como duas ervilhas redondas em dois dedais: talvez nas costas de Peabody existam dois desses vermes que nos corroem sub-repticiamente, com firmeza, e saem do outro lado e então a gente desperta logo do sono ou da vigília, com uma expressão súbita, intensa, de preocupação na cara. Ela põe o cesto na carroça e sobe, a perna surgindo comprida embaixo do vestido justo: a alavanca que move o mundo; o calibre que mede o comprimento e a largura da vida. Ela se senta ao lado de Vardaman e deixa o pacote no colo.
Então, ele entra no celeiro. Não olhou para trás. “Não é direito”, diz Pai. “Não lhe custa ter um pouco de consideração pela morta.”
Vamos”, diz Cash. “Ele que fique aqui, se quiser. E se sentirá muito bem. Talvez vá pernoitar na casa de Tull.”
Ele nos alcançará”, eu digo. “Irá pelo atalho e nos pegará no caminho de Tull.”
Ele teria encilhado aquele cavalo”, diz Pai, “se eu não o impedisse. Esta maldita besta selvagem, pior que um gato montes. Uma ofensa deliberada contra ela e contra mim.” A carroça se move; as orelhas das mulas sacodem-se. Atrás de nós, por cima da casa, imóveis no céu, em círculos ascendentes, eles diminuem de tamanho e desaparecem.

William Faulkner, em Enquanto Agonizo

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