Túpac
Amaru I
Vem
arrastando os pés pela rua de pedras. No lombo de um burrico anão,
com a corda no pescoço, caminha Túpac Amaru para o lugar onde será
degolado. Na frente, o pregoneiro o proclama tirano e traidor.
Na
praça maior, cresce o alvoroço.
– Inca,
por que te levam para cortar a tua cabeça?
Os
murmúrios da multidão indígena se transforma em gritaria. Que
mandem matar-nos todas!, pedem os gritos das mulheres.
Do
alto do tablado, Túpac Amaru levanta uma das mãos, apoia essa mão
sobre o ouvido e deixa-a cair parcimoniosamente. Cala-se, então, a
multidão.
Não
há nada que não seja silêncio quando o sabre do verdugo parte o
pescoço do neto de Huaina Cápac.
Com
Túpac Amaru se acabam quatro séculos de dinastia dos incas e quase
quarenta anos de resistência nas montanhas de Wilcabamba. Já não
descerão sobre o vale de Cuzco os vendavais da guerra, o ronco ritmo
dos caracóis-do-mar.
Eduardo Galeano, em Os Nascimentos
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