14/07/2025

1572 – Cuzco

Túpac Amaru I

Vem arrastando os pés pela rua de pedras. No lombo de um burrico anão, com a corda no pescoço, caminha Túpac Amaru para o lugar onde será degolado. Na frente, o pregoneiro o proclama tirano e traidor.
Na praça maior, cresce o alvoroço.
Inca, por que te levam para cortar a tua cabeça?
Os murmúrios da multidão indígena se transforma em gritaria. Que mandem matar-nos todas!, pedem os gritos das mulheres.
Do alto do tablado, Túpac Amaru levanta uma das mãos, apoia essa mão sobre o ouvido e deixa-a cair parcimoniosamente. Cala-se, então, a multidão.
Não há nada que não seja silêncio quando o sabre do verdugo parte o pescoço do neto de Huaina Cápac.
Com Túpac Amaru se acabam quatro séculos de dinastia dos incas e quase quarenta anos de resistência nas montanhas de Wilcabamba. Já não descerão sobre o vale de Cuzco os vendavais da guerra, o ronco ritmo dos caracóis-do-mar.

Eduardo Galeano, em Os Nascimentos

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