Era
uma vez
um
gato chinês
que
morava em Xangai
sem
mãe e sem pai,
que
sorria amarelo
para
o Rio Amarelo,
com
seu olhos puxados,
um
pra cada lado.
Era
um gato mais preto
que
tinha nanquim,
de
bigodes compridos
feito
mandarim,
que
quando espirrava
só
fazia “chin!”
Era
um gato esquisito:
comia
com palitos
e
quando tinha fome
miava
“ming-au!”
mas
lambia o mingau
com
sua língua de pau.
Não
era um bicho mau
esse
gato chinês,
era
até legal.
Quer
que eu conte outra vez?
José Paulo Paes, in Antologia Poética
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