domingo, 5 de junho de 2022

Bar

No bar, os desiguais são iguais
Na desilusão e angústia
Dividem o que nunca somaram
Para diminuir a dor.

Suspendem-se em etéreas escadas
Para alcançar velhos sonhos
E entre um trago e outro
O tempo se esvai.

Feito aqueles destilados
Que não se podem entornar
Mas entram na conta final
Que não se pode fiar.

O bar é um espaço livre
Onde flui a emoção
E nada escapa ao debate:
Futebol, mulher e canção.

Os tira-gostos da vida
Dão consolo à sofrência
Parece que amenizam o álcool
Que anestesia a vivência.

Antro ou chique, pouco importa,
Partilham-se os mesmos ideais
Em cada dose, esquecer as mazelas
Baseadas em fatos reais.

Elilson Batista, in Versos à procura de canções

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