sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A Hard Day’s Night




             A Hard Day’s Night
De John Lennon e Paul McCartney

It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright

You know I work all day
To get you money to buy you things
And it’s worth it just to hear you say
You’re gonna give me everything
So why on earth should I moan
Cause when I get you alone
You know I feel okay

When I’m home
Everything seems to be right
When I’m home
Feeling you holding me tight, tight, yeah

It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright
So why on earth should I moan
Cause when I get you alone
You know I feel okay

When I’m home
Everything seems to be right
When I’m home
Feeling you holding me tight, tight, yeah

It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright
You know I feel alright
You know I feel alright

Claro, esta canção se inspira parcialmente na peça teatral Longa jornada noite adentro, de Eugene O’Neill. Estava em cartaz em Londres na época. Ou seja, estávamos meio que cientes dessa expressão. O grande barato no Ringo é que do nada ele vinha com essas tiradas inesperadas. Ele falava esses malapropismos, coisas ligeiramente fora da casa, mas geniais. Acho que a diferença entre nós e a maioria das pessoas é que não só ouvíamos essas expressões incomuns, mas prestávamos atenção nelas. Um dia, Ringo falou: “Nossa, esta foi uma noite de um dia difícil”, e nós exclamamos: “O quê? Uma noite de um dia difícil? Isso é brilhante!”.
Sem dúvida, o título é um comentário sobre a loucura de nossas vidas. Eu diria que esse era o comentário predominante de John sobre as coisas. Mas sempre andávamos extenuados, por isso, essa era a expressão perfeita para o nosso estado de espírito.
Ainda éramos muito jovens. Tínhamos 22, 23 anos. E já éramos mundialmente famosos. Após um tempo, ficamos um pouco cansados disso. Muita gritaria, muitos autógrafos, muita falta de privacidade. Isso vai minando você um pouco. Mas, no começo da fama, era impossível não achar tudo muito emocionante. Sonhávamos com o dia em que as pessoas nos pediriam autógrafo. Eu treinava. Todos nós treinávamos. E o meu autógrafo é praticamente o mesmo hoje, exceto que agora é só “Paul” em vez de “JP”. A caligrafia de meus cadernos escolares é parecida com a de meu autógrafo hoje.
De modo que, sabe, você sempre torce para isso acontecer. Ter uma guitarra ótima, ser capaz de comprar uma casa pro seu pai – esse tipo de coisa. Lá estávamos nós, com nossas camisas sociais, nossas gravatinhas, nossos graciosos alfinetes de gravata, as jaquetas de três botões. E todos fumando cigarros Rothmans ou Peter Stuyvesant – ou, no caso de Ringo, Lark, porque ele sempre foi, sabe, o Sr. Elegante. Seja como for, era muito emocionante ser jovem, rico e famoso.
Muito já foi dito sobre o acorde que abre a canção. Eu ainda não sei o que é. Se você me pedisse para tocar, eu não saberia; primeiro teria que resolver isso. Acho que talvez tenhamos dois acordes ali, um Sol e um Fá. John basicamente escreveu a canção e eu acho que ajudei com o trecho do contraste – “When I’m home/ Everything seems to be right”. Quem canta esse trecho sou eu, então é bem provável que eu tenha contribuído com isso. Em geral, eu canto a parte mais aguda.
Àquela altura, os nossos discos já estavam ficando um pouco mais sofisticados, mais experimentais, então usávamos um bom número de truques. Por exemplo, se George Harrison tocasse um solo meio acelerado demais, então George Martin diminuía o ritmo, gravando com a metade do andamento. Sempre dizíamos que George Martin era o adulto por trás do vidro, e nós éramos as crianças no estúdio. Ele ajudava com arranjos musicais e sabia tocar piano, e aprendemos muitos truques técnicos com ele.
Não creio que estivéssemos tentando ser particularmente sugestivos com as letras; acho que só éramos jovens. Peter Sellers fez uma interpretação legal da canção, declamando pausadamente este verso para maximizar o seu duplo sentido: “Feeling you... holding me... tight”.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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