A Hard Day’s Night
De John Lennon e Paul McCartney
It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright
You know I work all day
To get you money to buy you things
And it’s worth it just to hear
you say
You’re gonna give me everything
So why on earth should I moan
’Cause when I get you alone
You know I feel okay
When I’m home
Everything seems to be right
When I’m home
Feeling you holding me tight,
tight, yeah
It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright
So why on earth should I moan
’Cause when I get you alone
You know I feel okay
When I’m home
Everything seems to be right
When I’m home
Feeling you holding me tight,
tight, yeah
It’s been a hard day’s night
And I’ve been working like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleeping like a log
But when I get home to you
I find the things that you do
Will make me feel alright
You know I feel alright
You know I feel alright
Claro, esta canção se inspira
parcialmente na peça teatral Longa jornada noite adentro, de
Eugene O’Neill. Estava em cartaz em Londres na época. Ou seja,
estávamos meio que cientes dessa expressão. O grande barato no
Ringo é que do nada ele vinha com essas tiradas inesperadas. Ele
falava esses malapropismos, coisas ligeiramente fora da casa, mas
geniais. Acho que a diferença entre nós e a maioria das pessoas é
que não só ouvíamos essas expressões incomuns, mas prestávamos
atenção nelas. Um dia, Ringo falou: “Nossa, esta foi uma noite de
um dia difícil”, e nós exclamamos: “O quê? Uma noite de um dia
difícil? Isso é brilhante!”.
Sem dúvida, o título é um
comentário sobre a loucura de nossas vidas. Eu diria que esse era o
comentário predominante de John sobre as coisas. Mas sempre
andávamos extenuados, por isso, essa era a expressão perfeita para
o nosso estado de espírito.
Ainda éramos muito jovens. Tínhamos
22, 23 anos. E já éramos mundialmente famosos. Após um tempo,
ficamos um pouco cansados disso. Muita gritaria, muitos autógrafos,
muita falta de privacidade. Isso vai minando você um pouco. Mas, no
começo da fama, era impossível não achar tudo muito emocionante.
Sonhávamos com o dia em que as pessoas nos pediriam autógrafo. Eu
treinava. Todos nós treinávamos. E o meu autógrafo é praticamente
o mesmo hoje, exceto que agora é só “Paul” em vez de “JP”.
A caligrafia de meus cadernos escolares é parecida com a de meu
autógrafo hoje.
De modo que, sabe, você sempre torce
para isso acontecer. Ter uma guitarra ótima, ser capaz de comprar
uma casa pro seu pai – esse tipo de coisa. Lá estávamos nós, com
nossas camisas sociais, nossas gravatinhas, nossos graciosos
alfinetes de gravata, as jaquetas de três botões. E todos fumando
cigarros Rothmans ou Peter Stuyvesant – ou, no caso de Ringo, Lark,
porque ele sempre foi, sabe, o Sr. Elegante. Seja como for, era muito
emocionante ser jovem, rico e famoso.
Muito já foi dito sobre o acorde que
abre a canção. Eu ainda não sei o que é. Se você me pedisse para
tocar, eu não saberia; primeiro teria que resolver isso. Acho que
talvez tenhamos dois acordes ali, um Sol e um Fá. John basicamente
escreveu a canção e eu acho que ajudei com o trecho do contraste –
“When I’m home/ Everything seems to be right”. Quem
canta esse trecho sou eu, então é bem provável que eu tenha
contribuído com isso. Em geral, eu canto a parte mais aguda.
Àquela altura, os nossos discos já
estavam ficando um pouco mais sofisticados, mais experimentais, então
usávamos um bom número de truques. Por exemplo, se George Harrison
tocasse um solo meio acelerado demais, então George Martin diminuía
o ritmo, gravando com a metade do andamento. Sempre dizíamos que
George Martin era o adulto por trás do vidro, e nós éramos as
crianças no estúdio. Ele ajudava com arranjos musicais e sabia
tocar piano, e aprendemos muitos truques técnicos com ele.
Não creio que estivéssemos tentando
ser particularmente sugestivos com as letras; acho que só éramos
jovens. Peter Sellers fez uma interpretação legal da canção,
declamando pausadamente este verso para maximizar o seu duplo
sentido: “Feeling you... holding me... tight”.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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