Golden Earth Girl
De Paul McCartney
Lançamento: Off the Ground,
1993
Golden earth girl, female animal
Sings to the wind, resting at
sunset
In a mossy nest
Sensing moonlight in the air
Moonlight in the air
Good clear water, friend of
wilderness
Sees in the pool her own reflection
In another world
Someone over there is counting
Fish in a sunbeam
In eggshell seas
Fish in a sunbeam
Eggshell finish
Nature’s lover climbs the
primrose hill
Smiles at the sky, watching the
sunset
From a mossy nest
As she falls asleep she’s
counting
Fish in a sunbeam
In eggshell seas
Fish in a sunbeam
Eggshell finish
Embora esta canção seja
primordialmente uma ode a Linda, que era mesmo uma “moça da terra
dourada” – e a minha esposa há 24 anos na época desse
lançamento –, também serve como uma pequena referência a John e
Yoko. Yoko costumava apontar e dizer: “Olha só aquela nuvem”, e
ela gostava de usar palavras conectadas com a natureza. Sempre gostei
disso no trabalho dela, e mais tarde John abordou isso com o jeito
surreal que ele tinha de trocar as coisas.
Fiquei conhecendo Yoko desde a chegada
dela a Londres, em meados dos anos 1960. Na verdade, eu a conheci
antes que o John. Eu me lembro de que ela chegou à minha casa e
disse: “Estamos coletando partituras para o aniversário de John
Cage. Tem uma partitura para nos ceder?”. Respondi: “Na verdade,
não temos partituras. Temos palavras no papel, uma folha com a
letra”. Ela disse: “Sim, bem, isso seria bom”. Expliquei a ela
que eu mesmo não tinha nada parecido, mas falei que John talvez
tivesse. E então eu a encaminhei a ele. Nem tenho certeza se ela
aceitou esse convite. Sei que logo depois ela fez uma exposição
numa pequena galeria que uns amigos e eu ajudamos a montar. A Indica
Gallery ficava no porão da livraria homônima, em Mason’s Yard,
Londres. John foi à exposição e acho que foi ali que ele e Yoko se
conheceram, no final de 1966. Ele subiu os degraus de uma escada para
ver o que Yoko tinha escrito no teto, chegou bem pertinho para ler e
lá estava escrito: “Yes”. Então ele pensou: “É um sinal; é
isto”, e os dois se apaixonaram perdidamente.
Logo que se tornaram um casal, quando
tinha uma gravação dos Beatles, ela estava presente. Acho que isso
começou nas sessões do “Álbum Branco” – ou seja, no fim da
primavera de 1968. E, no início, todos nós – exceto John –
achamos aquilo bastante intrusivo, mas acabamos concordando e
trabalhamos com ela ao nosso redor. E por fim cheguei à conclusão
de que, olha, se John a ama, deixe estar, só nos resta apoiar esse
relacionamento. Em essência, o meu sentimento era esse.
Então, um ou dois anos depois, os
Beatles se separaram, e foi um período crítico, um momento triste
em que sobraram farpas para todos os lados. E eu senti que John e
Yoko eram especialmente bons no quesito farpas, dando entrevistas ou
fazendo comentários que acabavam chegando até mim. Nem sempre eram
coisas muito agradáveis. Se eu for analisar hoje o que aconteceu, eu
meio que ficava pensando: “Por quê? Está chateado e então diz
algo desagradável?”.
Com o tempo, a poeira baixou, e o meu
relacionamento com John melhorou, e eu costumava me encontrar com ele
em Nova York ou falar com ele pelo telefone. Mais tarde, em 1975, ele
e Yoko tiveram um filho, Sean, então tínhamos ainda mais coisas em
comum e sempre trocávamos ideias sobre a paternidade. Estava tudo
bem, até que ele foi morto. E, claro, a partir de então, realmente
fui solidário com Yoko. Perdi o meu amigo, mas ela perdeu o marido,
o pai do filho dela.
Em suas letras, John incluía alusões
a Yoko e à natureza. Na canção “Julia”, ele usa a expressão
“ocean child”, que, até onde eu sei, é o significado do nome
“Yoko”, criança do oceano. Aqui, eu utilizo um tipo de imagem
semelhante para Linda: “Good clear water, friend of wilderness”,
água boa e cristalina, amiga do agreste. Curiosamente, John escreveu
para o “Álbum Branco” a canção “Child of Nature”, que
acabou não entrando no álbum, e ele a reescreveu como “Jealous
Guy”. Como já falei, Linda realmente me ajudou a encontrar um
outro lado de mim mesmo. Se alguém merece o título de “Criança
da natureza”, é ela.
Golden earth girl, female animal
Sings to the wind, resting at
sunset
In a mossy nest.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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