12/03/2025

“Por que essas coisas existem?”

O pepino está amargo? Jogue-o fora! Há espinheiros na estrada? Dê a volta! Isso é suficiente. Não adicione: “Por que essas coisas existem?” Se adicionar, será ridicularizado por um homem que se familiarizou com a natureza, tal como seria por um sapateiro ou um carpinteiro se os criticasse por conta das aparas e dos retalhos nas suas oficinas.
Eles possuem espaços onde descartam as sobras dos seus trabalhos, mas a natureza universal não. Ela se circunscreveu. A maravilha da sua arte está em converter para si tudo o que dentro dela que decai, envelhece ou se inutiliza e em criar o novo a partir do velho. Ela o faz de um jeito que não necessita de substância externa nem precisa descartar o que se deteriora. Ela se contenta com seu próprio espaço, sua própria matéria e sua própria arte.

Marco Aurélio, em Meditações

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