O
pepino está amargo? Jogue-o fora! Há espinheiros na estrada? Dê a
volta! Isso é suficiente. Não adicione: “Por que essas coisas
existem?” Se adicionar, será ridicularizado por um homem que se
familiarizou com a natureza, tal como seria por um sapateiro ou um
carpinteiro se os criticasse por conta das aparas e dos retalhos nas
suas oficinas.
Eles
possuem espaços onde descartam as sobras dos seus trabalhos, mas a
natureza universal não. Ela se circunscreveu. A maravilha da sua
arte está em converter para si tudo o que dentro dela que decai,
envelhece ou se inutiliza e em criar o novo a partir do velho. Ela o
faz de um jeito que não necessita de substância externa nem precisa
descartar o que se deteriora. Ela se contenta com seu próprio
espaço, sua própria matéria e sua própria arte.
Marco Aurélio, em Meditações
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