Para
que as Musas residentes lá no Olimpo
façam
meus poemas palavras que desejem,
eu
que, à sombra de um deus muito mais triste, habito
a
fralda de uma montanha muito mais verde,
declaro
não serem os versos que escrevo obras
de
arte mas bases, paredes e donaires
de
templos construídos com mãos e com sobras
de
paixões, mergulhos, fodas, livros, viagens
(precário
material com o qual é elaborado
tudo
o que merece aspirar a eterna glória)
e
— ainda com os seus andaimes — os consagro
a
elas, às filhas alegres da Memória,
deusa
que não é, como querem crer os néscios,
a
guardiã do passado, com o qual pouco
se
importa, mas antes a que nos oferece o
esquecimento
quando canta o imorredouro.
Antonio Cícero, em Guardar
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