Adoro
ouvir Max dizer alô.
Ligava
para ele quando éramos amantes, adúlteros. O telefone tocava, a
secretária dele atendia e eu pedia para falar com ele. Alô, ele
dizia. Max? Eu ficava tonta, zonza, na cabine telefônica.
Estamos
divorciados há muitos anos. Ele é um inválido agora, precisa de
oxigênio, cadeira de rodas. Quando eu morava em Oakland, ele me
ligava umas cinco ou seis vezes por dia. Max tem insônia: uma vez
ele me ligou às três da manhã e perguntou se já tinha amanhecido.
Às vezes eu ficava irritada e desligava na mesma hora ou então nem
atendia.
Na
maior parte do tempo falávamos dos nossos filhos, do nosso neto ou
do gato de Max. Eu lixava as unhas, costurava, via o jogo dos Oakland
A’s enquanto conversávamos. Ele é engraçado e um grande
fofoqueiro.
Estou
morando na Cidade do México já faz quase um ano. Minha irmã Sally
está muito doente. Eu cuido da casa e dos filhos dela, trago comida
para ela, lhe dou injeções e banho. Nós duas ficamos horas
conversando, choramos e rimos, nos irritamos com as notícias, nos
preocupamos com o filho dela quando ele fica até tarde na rua.
É
impressionante como nós duas nos tornamos próximas. Temos passado
os dias inteiros juntas há tanto tempo. Vemos e ouvimos coisas da
mesma forma, sabemos o que a outra vai dizer…
Eu
raramente saio do apartamento. Nenhuma das janelas tem vista aberta
para o céu, só para o poço de ventilação do prédio ou para os
apartamentos vizinhos. Dá para ver o céu da cama de Sally, mas eu
só o vejo quando abro ou fecho as cortinas do quarto dela. Falo
espanhol com ela e com os filhos dela, com todo mundo.
Na
verdade, Sally e eu não temos mais conversado tanto. Ela sente dor
nos pulmões quando fala muito. Eu leio ou canto ou então nós
simplesmente ficamos deitadas juntas no escuro, respirando em
uníssono.
Tenho
a sensação de ter desaparecido. Na semana passada, no mercado de
Sonora, eu era tão alta, cercada de índios morenos, muitos deles
falando em nauatle. Não só eu tinha desaparecido, como estava
invisível. Quer dizer, durante um bom tempo eu achei que nem sequer
estava lá.
Claro
que eu tenho uma identidade aqui, e uma nova família, novos gatos,
novas piadas. Mas fico tentando me lembrar de quem eu era em inglês.
É
por isso que fico tão contente quando Max me liga. Ele me telefona
bastante, da Califórnia. Alô, ele diz. Conta que tem ouvido Percy
Heath, que protestou contra a pena de morte em San Quentin. Nosso
filho Keith fez ovos beneditinos para ele no domingo de Páscoa. A
mulher de Nathan, Linda, pediu para Max não telefonar tanto para
ela. Nosso neto, Nikko, disse que estava pegando no sono sem querer.
Max
me fala dos boletins de trânsito e da previsão do tempo, descreve
as roupas que aparecem no programa de Elsa Klensch. E me pergunta de
Sally.
Em
Albuquerque, quando éramos jovens, antes de eu conhecê-lo, eu ouvi
Max tocar saxofone, vi Max correr de Porsche no forte Sumter. Todo
mundo sabia quem ele era. Era bonito, rico, exótico. Uma vez eu o vi
no aeroporto, despedindo-se do pai. Ele deu um beijo de adeus no pai,
com lágrimas nos olhos. Eu quero um homem que se despeça do pai com
um beijo, pensei.
Quando
se está morrendo, é natural fazer um retrospecto da vida, pesar as
coisas, sentir arrependimentos. Eu também fiz isso nesses últimos
meses, junto com a minha irmã. Nós duas levamos um bom tempo para
nos livrarmos da raiva e da ânsia de atribuir culpas. Até as nossas
listas de arrependimentos e autorrecriminações estão ficando mais
curtas. As listas agora são daquilo que nos resta. Amigos. Lugares.
Ela gostaria de poder dançar danzón com o amante dela. Quer
ver a parroquia em Veracruz, palmeiras, lanternas ao luar,
cachorros e gatos entre os sapatos lustrosos dos dançarinos.
Recordamos escolas de uma sala só no Arizona, o céu quando
esquiávamos nos Andes.
Ela
parou de se preocupar com os filhos, com o que vai ser deles quando
ela morrer. Eu provavelmente vou voltar a me preocupar com os meus
quando for embora daqui, mas por ora nós simplesmente temos nos
deixado ir devagar ao sabor dos ritmos e padrões de cada novo dia.
Alguns dias são cheios de dor e vômito, outros são calmos, com uma
marimba tocando ao longe, o apito do vendedor de camote à noite…
Não
sinto mais remorso por causa do meu alcoolismo. Antes de eu sair da
Califórnia, o meu filho mais novo, Joel, veio tomar café da manhã
comigo. O mesmo filho de quem eu costumava roubar e que já me disse
que eu não era mãe dele. Fiz panquecas de queijo; tomamos café e
lemos o jornal, resmungando um com o outro de Rickey Henderson,
George Bush. Depois ele foi para o trabalho; me deu um beijo e disse
Até mais, mãe. Até mais, eu disse.
No
mundo inteiro, mães estão tomando café com os filhos,
despedindo-se deles na porta. Será que elas têm noção da gratidão
que eu senti, ali parada, acenando? Suspensão da pena.
Eu
tinha dezenove anos quando o meu primeiro marido me deixou. Depois me
casei com Jude, um homem atencioso, com um senso de humor irônico.
Ele
era uma boa pessoa. Queria me ajudar a criar meus dois filhos
pequenos.
Max
foi nosso padrinho de casamento. Depois da cerimônia, no quintal dos
fundos da nossa casa, Jude foi trabalhar — ele tocava piano no bar
Al Monte. A outra testemunha, Shirley, minha melhor amiga, foi embora
sem dizer quase nada. Ela estava muito contrariada por eu ter me
casado com Jude, achava que eu tinha feito isso por desespero.
Max
ficou. Depois que as crianças foram dormir, a gente ficou por lá,
comendo o bolo do casamento e tomando champanhe. Ele falou sobre a
Espanha e eu sobre o Chile. Ele me falou sobre os seus anos em
Harvard, com Jude e Creeley. Sobre tocar saxofone quando o bebop
estava surgindo. Charlie Parker, Bud Powell, Dizzy Gillespie. Max
tinha sido viciado em heroína nesse tempo. Para falar a verdade, eu
não sabia o que isso significava. Heroína para mim tinha uma
conotação positiva… Jane Eyre, Becky Sharp, Tess.
Jude
tocava à noite. Acordava no fim da tarde e praticava, ou ele e Max
passavam horas tocando duetos, depois a gente jantava. Então, ele ia
para o trabalho. Max me ajudava a lavar a louça e a botar as
crianças na cama.
Eu
não podia incomodar Jude no trabalho. Quando havia alguém rondando
a casa, quando os meninos ficavam doentes, quando um pneu do meu
carro furava, era para Max que eu ligava. Alô, ele dizia.
Enfim,
um ano depois tivemos um caso. Foi intenso e passional, uma grande
confusão. Jude se recusava a falar do assunto. Eu o deixei para ir
morar sozinha com as crianças. Jude apareceu e me disse para entrar
no carro. Íamos para Nova York, onde Jude ia tocar jazz e nós íamos
salvar o nosso casamento.
Nunca
falávamos sobre Max. Nós dois trabalhávamos muito em Nova York.
Jude praticava e fazia apresentações. Tocou em casamentos no Bronx,
em shows de strippers em Nova Jersey até conseguir se sindicalizar.
Eu fazia roupas para crianças que eram vendidas até na
Bloomingdale’s. Estávamos felizes. Nova York era maravilhosa
naquela época. Allen Ginsberg e Ed Dorn lendo na YMCA. A exposição
de Mark Rothko no MoMA, durante a grande nevasca. A luz era intensa
por causa da neve nas claraboias; as pinturas latejavam. A gente
ouvia Bill Evans e Scott LaFaro. John Coltrane no sax soprano. A
primeira noite de Ornette no Five Spot.
Durante
o dia, enquanto Jude dormia, eu e os meninos passeávamos pela cidade
inteira de metrô, saltando em estações diferentes a cada dia.
Andamos de barca várias e várias vezes. Uma vez, quando Jude estava
tocando no Grossinger’s, acampamos no Central Park. Para você ver
como Nova York era agradável na época, ou como eu era idiota… A
gente morava na Greenwich Street na altura do Washington Market,
perto da Fulton Street.
Jude
fez uma caixa de brinquedos vermelha para os meninos, pendurou
balanços nos canos do nosso loft. Era paciente e rigoroso com eles.
À noite, quando ele chegava em casa, fazíamos amor. Toda raiva,
tristeza e afeto que existiam entre nós viravam eletricidade nos
nossos corpos. Nunca nada disso era dito em voz alta.
À
noite, quando Jude estava no trabalho, eu lia para Ben e Keith,
cantava para eles dormirem e depois ia costurar. Ligava para o
programa de rádio de Symphony Sid e pedia para ele tocar Charlie
Parker e King Pleasure, até que ele me disse para parar de ligar
tanto para lá. Os verões eram muito quentes e nós dormíamos no
terraço. Os invernos eram frios e não havia aquecimento depois das
cinco nem nos fins de semana. Os meninos iam para a cama de luva e
protetor de ouvido.
Agora,
no México, eu canto músicas de King Pleasure para Sally. “Little
Red Top”. “Parker’s Mood”. “Sometimes I’m Happy”.
É
horrível quando não há mais nada que se possa fazer.
Em
Nova York, quando o telefone tocava à noite, era Max.
Alô,
ele dizia.
Ele
estava correndo no Havaí. Estava correndo em Wisconsin. Estava vendo
televisão e pensou em mim. As íris estavam florescendo no Novo
México. Enxurradas repentinas em arroios em agosto. Choupos ficavam
amarelos no outono.
Ele
ia a Nova York com frequência, para ouvir música, mas eu nunca me
encontrei com ele. Ele ligava e me falava de Nova York e eu falava
para ele de Nova York. Case comigo, ele dizia, me dê uma razão para
viver. Fale comigo, eu dizia, não desligue.
Uma
noite, fazia um frio insuportável e Ben e Keith estavam dormindo
comigo, vestidos com agasalhos de neve. As persianas chacoalhavam com
o vento, persianas do tempo de Herman Melville. Era domingo, então
não havia carros. Lá embaixo, nas ruas, o veleiro passava, numa
carroça puxada a cavalo. Ploc ploc. Uma chuva fria de granizo
assobiava atrás das janelas e Max ligou. Alô, ele disse. Estou logo
aqui na esquina, numa cabine telefônica.
Ele
veio trazendo rosas, uma garrafa de conhaque e quatro passagens para
Acapulco. Acordei os meninos e fomos embora.
Não
é verdade, aquilo que eu disse sobre não ter arrependimentos,
embora eu não tenha sentido o menor remorso na época. Foi só uma
das muitas coisas erradas que eu fiz na vida, ir embora daquele
jeito.
O
Plaza Hotel estava quentinho. Não, estava quente de verdade. Ben e
Keith entraram na banheira fumegante com uma expressão reverente,
como se estivessem num batismo texano. Adormeceram envoltos em roupas
de cama brancas e limpas. No quarto ao lado, Max e eu fizemos amor e
ficamos conversando até de manhã.
Tomamos
champanhe sobrevoando Illinois. Trocamos beijos enquanto os meninos
dormiam na nossa frente e nuvens passavam diante da janela. Quando
pousamos, o céu sobre Acapulco estava listrado de rosa e coral.
Nós
quatro nadamos, depois comemos lagosta e depois nadamos mais um
pouco. De manhã, o sol brilhava por entre as persianas de madeira,
fazendo listras em Max, Ben e Keith. Eu me sentava na cama e ficava
olhando para eles, feliz.
Max
carregava cada um dos meninos para a cama e o cobria. Beijava-os com
carinho, do mesmo jeito como tinha beijado o pai. Max dormia tão
profundamente quanto eles. Eu achava que ele devia estar exausto por
causa do que nós estávamos fazendo, por ele estar deixando a esposa
e assumindo uma família.
Ele
ensinou os dois a nadar e a mergulhar com snorkel. Contava coisas
para eles. Contava coisas para mim. Coisas sobre a vida, sobre
pessoas que ele conhecia. Nós três nos interrompíamos contando
coisas para ele também. Ficávamos deitados na areia fina da praia
Caleta, quentes ao sol. Keith e Ben me enterravam na areia. Max
contornava os meus lábios com o dedo. Explosões de cor do sol
contra as minhas pálpebras fechadas e sujas de areia. Desejo.
À
noitinha, a gente ia ao parque perto das docas, onde havia triciclos
para alugar. Max e eu ficávamos de mãos dadas enquanto os meninos
corriam furiosamente ao redor do parque, passando como relâmpagos
por bougainvílleas rosa, canáceas vermelhas. Atrás deles, navios
eram carregados nas docas.
Uma
tarde, minha mãe e meu pai, conversando sem parar, subiram a prancha
de embarque do S. S. Stavangerfjord, um navio norueguês.
Minha irmã tinha me escrito contando que eles estavam viajando de
Tacoma para Valparaíso. Meus pais não estavam falando comigo nessa
época, por causa do meu casamento com Jude. Eu não podia chamá-los
e dizer: Oi, mamãe! Oi, papai! Que coincidência, não? Esse aqui é
o Max.
No
entanto, saber que os meus pais estavam logo ali fez com que eu me
sentisse bem. E agora eles estavam na balaustrada enquanto o navio
zarpava. Meu pai estava queimado de sol e usava um chapéu branco de
aba mole. Minha mãe fumava. Ben e Keith corriam cada vez mais rápido
pela pista de cimento, gritando um para o outro e para nós… Olha
pra mim!
Hoje
houve uma grande explosão de gás em Guadalajara, centenas de
pessoas morreram e tiveram suas casas destruídas. Max ligou para
saber se eu estava bem. Contei a ele que agora no México todo mundo
estava achando engraçado sair por aí perguntando: “Escuta… você
está sentindo cheiro de gás?”.
Em
Acapulco, fizemos amigos no hotel. Don e María, que tinham uma filha
de seis anos, Lourdes. À noite, as crianças ficavam colorindo na
varanda deles até pegarem no sono.
Ficávamos
lá até bem tarde, até a lua ficar alta e pálida. Don e Max
jogavam xadrez à luz de uma lamparina a querosene. Afagos de
mariposas. María e eu nos deitávamos transversalmente numa enorme
rede e ficávamos conversando baixinho sobre coisas bobas como
roupas, nossos filhos, amor. Ela e Don só estavam casados havia seis
meses. Antes de conhecê-lo, ela estava muito sozinha. Eu contei a
ela que, de manhã, eu dizia o nome de Max antes mesmo de abrir os
olhos. Ela disse que a vida dela era como um disco triste tocando sem
parar o dia todo e agora, num segundo, o disco tinha sido virado e
pronto, música. Max ouviu o que ela disse e sorriu para mim. Viu,
amor, a gente é o lado B agora.
Tínhamos
outros amigos também. Raúl, o mergulhador, e a mulher dele,
Soledad. Um fim de semana, nós seis fizemos mariscos no vapor na
varanda do nosso hotel. Tínhamos mandado todas as crianças tirarem
uma soneca. Mas, uma a uma, elas foram aparecendo por lá, querendo
ver o que estava acontecendo. Volta pra cama! Uma queria água, outra
simplesmente não estava conseguindo dormir. Volta pra cama. Keith
veio e disse que tinha visto uma girafa! Agora volta pra cama, daqui
a pouco a gente acorda vocês. Ben veio e disse que tinha visto
tigres e elefantes. Ah, pelo amor de Deus. Mas lá estava, na rua
abaixo de nós: um desfile de circo. Acordamos todas as crianças,
então. Um dos homens do circo achou que Max fosse um astro do cinema
e eles nos deram ingressos grátis. Nós todos fomos ao circo naquela
noite. Foi mágico, mas as crianças pegaram no sono antes do fim do
número do trapézio.
Houve
um terremoto na Califórnia hoje. Max ligou para dizer que não tinha
sido culpa dele e que não estava conseguindo encontrar seu gato.
Uma
lua poente espectral brilhava sobre nós quando fizemos amor naquela
noite. Depois ficamos deitados um ao lado do outro debaixo do
ventilador de madeira, quentes, grudentos. A mão de Max no meu
cabelo. Obrigada, sussurrei, para Deus, acho…
De
manhã, quando eu acordava, os braços dele estavam em volta de mim,
seus lábios no meu pescoço, sua mão na minha coxa.
Um
dia eu acordei antes do sol nascer e ele não estava lá. O quarto
estava em silêncio. Ele deve estar nadando, pensei. Fui ao banheiro.
Max estava sentado no vaso, esquentando alguma coisa numa colher
enegrecida. Havia uma seringa na pia.
“Alô”,
ele disse.
“Max,
o que é isso?”
“Heroína”,
ele disse.
Isso
parece o fim de uma história, ou o começo, quando na verdade foi só
uma parte dos anos que estavam por vir. Tempos de intensa felicidade
tecnicolor e também de momentos sórdidos e assustadores.
Tivemos
mais dois filhos, Nathan e Joel. Viajamos por todo o México e pelos
Estados Unidos num Beechcraft Bonanza. Moramos em Oaxaca e, por fim,
nos instalamos numa aldeia na costa do México. Fomos felizes, todos
nós, durante um bom tempo e, então, tudo ficou difícil e solitário
porque ele gostava muito mais da heroína.
Detox
não… Max diz pelo telefone… Retox, é disso que todo mundo
precisa. E “Simplesmente diga não”? O certo seria dizer: Não,
obrigado. Ele está brincando, não se droga já faz muitos anos.
Durante
meses Sally e eu nos desdobramos tentando analisar nossas vidas,
nossos casamentos, nossos filhos. Ela nunca bebeu nem fumou como eu.
O
ex-marido de Sally é político. Quase todo dia ele passa por aqui,
num carro com dois guarda-costas e uma escolta de dois carros com
mais homens dentro. Sally é tão próxima dele quanto eu sou de Max.
Então, o que é o casamento afinal? Eu nunca consegui descobrir. E
agora é a morte que eu não entendo.
Não
só a morte de Sally. O meu país, depois de Rodney King e dos
tumultos em Los Angeles. Pelo mundo todo, a fúria e o desespero.
Sally
e eu fazemos rébus uma para a outra para que ela não force os
pulmões falando. Rébus são mensagens em que você faz desenhos em
vez de escrever palavras ou letras. “Violência”, por exemplo, é
uma viola e uma lança. “Dá nojo” é uma pessoa com cara de asco
olhando para uma barata. A gente ri baixinho no quarto dela,
desenhando. Na verdade, o amor não é mais um mistério para mim.
Max liga e diz alô. Eu digo a ele que a minha irmã vai morrer não
demora muito. Como você está?, ele pergunta.
Lucia Berlin, em Manual da faxineira: Contos escolhidos

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