Sem
lei nem Rei, me vi arremessado
bem
menino a um Planalto pedregoso.
Cambaleando,
cego, ao Sol do Acaso,
vi
o mundo rugir. Tigre maldoso.
O
cantar do Sertão, Rifle apontado,
vinha
malhar seu Corpo furioso.
Era
o Canto demente, sufocado,
rugido
nos Caminhos sem repouso.
E
veio o Sonho: e foi despedaçado!
E
veio o Sangue: o marco iluminado,
a
luta extraviada e a minha grei!
Tudo
apontava o Sol! Fiquei embaixo,
na
Cadeia que estive e em que me acho,
a
Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei!
Ariano Suassuna, em Poemas
Nenhum comentário:
Postar um comentário