Faço
a mim mesmo uma antiquíssima pergunta. Como proceder quando o Estado
exige de mim um ato inadmissível e quando a sociedade espera que eu
assuma atitudes que minha consciência rejeita? É clara minha
resposta. Sou totalmente dependente da sociedade em que vivo.
Portanto terei de submeter-me a suas prescrições. E nunca sou
responsável por atos que executo sob uma imposição irreprimível.
Bela resposta! Observo que este pensamento desmente com violência o
sentimento inato de justiça. Evidentemente, o constrangimento pode
atenuar em parte a responsabilidade. Mas não a suprime nunca. E por
ocasião do processo de Nuremberg, esta moral era sentida sem
precisar de provas.
Ora,
nossas instituições, nossas leis, costumes, todos os nossos valores
se baseiam em sentimentos inatos de justiça. Existem e se manifestam
em todos os homens. Mas as organizações humanas, caso não se
apoiem e se equilibrem sobre a responsabilidade das comunidades, são
impotentes. Devo despertar e sustentar este sentimento de
responsabilidade moral; é um dever em face da sociedade.
Hoje
os cientistas e os técnicos estão investidos de uma
responsabilidade moral particularmente pesada, porque o progresso das
armas de extermínio maciço está entregue à sua competência. Por
isto julgo indispensável a criação de uma “sociedade para a
responsabilidade social na Ciência”. Esclareceria os problemas por
discuti-los e o homem aprenderia a forjar para si um juízo
independente sobre as opções que se lhe apresentarem. Ofereceria
também um auxílio àqueles que têm uma necessidade imperiosa do
mesmo. Porque os cientistas, uma vez que seguem a via de sua
consciência, estão arriscados a conhecer cruéis momentos.
Albert Einstein, in Como Vejo o Mundo
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