sábado, 18 de junho de 2022

A mãe da doçura

Vai fazer cinco anos já da pequena mancha de sangue. Tive um susto esquisito, quase licencioso. Voltaria a menstruar? Dionélia teve a Salete aos cinquenta e três anos. Eu, com mais de sessenta, certamente um caso da medicina, ‘mulher sexagenária engravida em inesperada e esplêndida primavera’. Exultava, recém-nascidos me tiram a razão, viro a mãe da doçura. Ridícula não fui, só patética, de qualquer jeito objeto de compaixão, o que recebi em medida bem calcada, uma compaixão acima de minhas fantasias mais delirantes.

Adélia Prado, in Quero minha mãe

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