vai
pela sombra, firme,
o
desejo desespero de voltar
antes
mesmo de ir-me
antes
de cometer o crime,
me
transformar em outro
ou
em outro transformar-me
quem
sabe obra de arte,
talvez,
sei lá, falso alarme,
grito
caindo no poço,
neste
pouco poço nada vejo nem ouço,
mais
mais mais
cada
vez menos
poder
isso, sinto, é tudo que posso,
o
tão pouco tudo que podemos
leite,
leitura,
letras,
literatura,
tudo
o que passa,
tudo
o que dura
tudo
o que duramente passa
tudo
o que passageiramente dura
tudo,
tudo, tudo,
não
passa de caricatura
de
você, minha amargura
de
ver que viver não tem cura
o
barulho do serrote
o
barulho de quem lava roupa
parecem
o choro de quem chora
uma
vida pouca
parece
até que está na hora
de
levantar
e
ver que a vida
nunca
vai ser outra
Redonda.
Não, nunca vai ser redonda
essa
louca vida minha
essa
minha vida quadrada,
quadra,
quadrinha,
não,
nada,
essa
vida não vai ser minha.
Vida
quebrada ao meio,
você
nunca disse a que veio.
Paulo
Leminski
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