quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O fio da fábula

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/Edward_Burne-Jones_-_Tile_Design_-_Theseus_and_the_Minotaur_in_the_Labyrinth_-_Google_Art_Project.jpg/574px-Edward_Burne-Jones_-_Tile_Design_-_Theseus_and_the_Minotaur_in_the_Labyrinth_-_Google_Art_Project.jpg 
Theseus and the Minotaur in the Labyrinth (1861), de Edward Burne-Jones


O fio que a mão de Ariadne deixou na mão de Teseu (na outra estava a espada) para que este afundasse no labirinto e descobrisse o centro, o homem com cabeça de touro ou, como quer Dante, o touro com cabeça de homem, e lhe desse morte e pudesse, já executada a proeza, destecer as redes de pedra e voltar a ela, a seu amor.
As coisas aconteceram assim. Teseu não podia saber que do outro lado do labirinto estava o outro labirinto, o do tempo, e que em algum lugar prefixado estava Medeia.
O fio se perdeu; o labirinto se perdeu também. Agora nem sequer sabemos se nos rodeia um labirinto, um secreto cosmos ou um caos ao azar. Nosso bonito dever é imaginar que há um labirinto e um fio. Nunca daremos com o fio; talvez o encontramos e o perdemos em um ato de fé, em uma cadência, no sonho, nas palavras que se chamam filosofia ou na mera e simples felicidade.
Jorge Luis Borges, in Os conjurados

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