A primeira expedição contra
Palmares
Nos engenhos, que espremem e amassam
canas e homens, se mede o trabalho de cada escravo como se mede o
peso das canas e a pressão do trapiche e o calor do forno. A força
de um escravo se esgota em cinco anos, mas em um único ano recupera
seu dono o preço que por ele pagou. Quando os escravos deixam de ser
braços úteis e se transformam em bocas inúteis, recebem de
presente a liberdade.
Nas serras do nordeste do Brasil se
escondem os escravos que conquistaram a liberdade antes de que os
derrubassem a súbita velhice ou a morte antecipada Palmares se
chamam os santuários onde se refugiam os quilombolas, nas florestas
de altas palmeiras de Alagoas.
O governador-geral do Brasil envia a
primeira expedição contra Palmares. A integram uns poucos brancos e
mestiços pobres, ansiosos por capturar e vender negros, uns quantos
índios a quem prometeram pentes, facas e espelhinhos, e muitos
mulatos.
Ao regressar do rio Itapicurú, o
comandante da expedição, Bartolomeu Bezerra, anuncia no Recife: O
foco da rebelião foi destruído. Tem quem acredite.
Eduardo Galeano, em Os Nascimentos
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