segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

1602 – Recife

A primeira expedição contra Palmares

Nos engenhos, que espremem e amassam canas e homens, se mede o trabalho de cada escravo como se mede o peso das canas e a pressão do trapiche e o calor do forno. A força de um escravo se esgota em cinco anos, mas em um único ano recupera seu dono o preço que por ele pagou. Quando os escravos deixam de ser braços úteis e se transformam em bocas inúteis, recebem de presente a liberdade.
Nas serras do nordeste do Brasil se escondem os escravos que conquistaram a liberdade antes de que os derrubassem a súbita velhice ou a morte antecipada Palmares se chamam os santuários onde se refugiam os quilombolas, nas florestas de altas palmeiras de Alagoas.
O governador-geral do Brasil envia a primeira expedição contra Palmares. A integram uns poucos brancos e mestiços pobres, ansiosos por capturar e vender negros, uns quantos índios a quem prometeram pentes, facas e espelhinhos, e muitos mulatos.
Ao regressar do rio Itapicurú, o comandante da expedição, Bartolomeu Bezerra, anuncia no Recife: O foco da rebelião foi destruído. Tem quem acredite.

Eduardo Galeano, em Os Nascimentos

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