eu quebraria os bulevares como palhas
e jogaria os velhos poetas confusos
que sorvem leite
e levantam pesos
nas detenções de bêbados de Iowa
até San Diego;
eu anunciaria minha própria firme
reivindicação de imortalidade
bem quieto
já que ninguém escutaria mesmo,
e eu quebraria a Vitrola
eu quebraria a alma de Caruso
numa noite quente cheia de moscas;
eu sairia empinando uma bunda judaica
requebrando pelos bulevares
numa velha bicicleta italiana de
corrida,
lançando olhares para trás
sempre sabendo
como boas-noites na Alemanha
ou luvas atiradas ao chão,
acontece.
eu choraria pelos exércitos da
Espanha,
eu choraria pelos índios viciados em
vinho,
eu choraria, inclusive, por Gable
mortos
e conseguisse achar uma lágrima;
eu escreveria introduções para
livros de poesia
de rapazes que já perderam metade da
audição
devido à palavra;
eu mataria um elefante com um facão
de caça
para ver sua tromba cair feito uma
meia vazia.
eu encontraria coisas na areia e
coisas
embaixo da minha cama: marcas de
dentes, marcas de braço, sinais,
pontas, manchas de tinta, manchas de
amor, rabiscos
de Swinburne…
eu derrubaria as montanhas por seus
caroços de azeitona,
eu prantearia mergulhadores de narizes
mortos
com isso aís,
e por falar nisso
eu esmagaria e mataria mais uma mosca
ou escreveria
mais um poema inútil.
Charles Bukowski, em Tempestade para os vivos e para os mortos
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