quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Escrever ao sabor da pena

Esta frase me ficou na memória e nem sequer sei de onde ela veio. Para começar, não se usa mais pena. E depois, sobretudo, escrever à máquina, ou com o que seja não é um sabor. Não, não estou falando de procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe à tona — até vir como num parto a primeira palavra que a exprima.

Clarice Lispector, em Crônicas para jovens: de escrita e vida

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