Van
Gogh escrevendo ao irmão pedindo tintas
Hemingway
testando sua espingarda
Céline
falindo como médico
a
impossibilidade de ser humano
Villon
expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner
bêbado nas sarjetas de sua cidade
a
impossibilidade de ser humano
Burroughs
matando a esposa com uma arma
Mailer
esfaqueando a dele
a
impossibilidade de ser humano
Maupassant
enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski
enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane
pulando de um barco na voragem da hélice
a
impossibilidade
Sylvia
com a cabeça no forno como batata assada
Harry
Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca
assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a
impossibilidade
Artaud
sentado num banco de hospício
Chatterton
tomando veneno de rato
Shakespeare
um plagiador
Beethoven
com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a
impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche
totalmente enlouquecido
a
impossibilidade de ser humano
demasiado
humano
esse
respirar
pra
dentro e pra fora
pra
fora e pra dentro
esses
marginais
esses
covardes
esses
campeões
esses
loucos cães da glória
movendo
um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
Charles Bukowski, em Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido
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