Olhamos
eternamente
para
as estrelas
como
mendigos
que
eternamente
olham
para as mãos.
E
imaginamos
cousas
absurdas
de
realização.
Cousas
que não existem
e
cujo valor
é
o de consistirem
parte
da ilusão.
E
olhamos eternamente
para
as estrelas
porque
parecem diferentes.
E
quando agrupadas
eu
as revejo individualizadas.
Estrelas...
só.
Quem
sabe se naquela imensidão
elas
sofrem o mal dissolvente,
passivo,
mas
dissolvente ainda: solidão.
Brilham
para o mundo.
No
entanto estão sozinhas
na
lúgubre fantasia de pontas.
Nunca,
meditem,
nunca
as encontraremos
pois
elas olham
igualmente
para nós
e
nos desejam
porque
estão sós.
Hilda Hilst, in Baladas
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