O cidadão pra ter água
Nas torneiras do seu lar
Tem que pagar uma taxa
Todo mês sem atrasar...
Paga, mas às vezes vê
Faltar água pra usar;
Só não vê no fim do mês
Na porta da casa dele
A conta d’água faltar.
Pra ter eletricidade
Na casa que ele tem,
Tem uma conta mensal
Que pro endereço vem,
E a grana tem que ir
Pro bolso não sei de quem.
Aqui no Brasil se gente
Comesse papel de conta
O povo vivia bem.
Quem mora de aluguel
Tem mais um débito a quitar.
Com quase tudo na vida
O homem tem que gastar;
Só não gasta pra ser preso,
Pra ser traído e votar...
Tirando esses aliados,
Que ele queira ou não queira,
O resto tem que pagar.
Quem tem telefone fixo,
Por mês paga uma fatura.
Tendo casa, todo ano
Paga conta à prefeitura.
Não procurando acertar,
A prefeitura procura...
Quem bota a sela no burro
Só esquece do remédio
De botar na pisadura.
Para possuir um carro
Ou uma moto é assim:
Paga por ano uma taxa,
Achando bom ou ruim.
Pra ter celular da Claro,
Da Oi, da Vivo ou da Tim,
Tem que gastar com recarga
Ou deixa de possui-lo,
Ou tem conta até o fim.
Quando se acha doente,
Aí é que é taxado.
Se o SUS não resolver,
Paga pra ser internado.
Se for preciso operar,
Paga pra ser operado.
Por incrível que pareça,
Até no dia que morre
Paga pra ser enterrado.
José Ribamar, poeta caraubense, radicado em Mossoró.
Nenhum comentário:
Postar um comentário