quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Psicanálise

Desculpe-me, doutor, mas os sonetos
carrego há muito tempo e, de reboque,
levo a paixão por Ela e um velho Rock,
que canto pelas ruas dos meus guetos.

Meu tratamento exige o eletrochoque
e a camisa-de-força dos quartetos.
Não volto para a terra dos insetos,
lá não tem nada e aqui me sobra estoque.

Eu não sou louco, apenas sou poeta.
Alado, eu sei, mas lúcido e moderno:
preste atenção no vinco do meu terno!

Deitar-me no sofá não me completa,
— ah! Esqueci a gravata borboleta —
que mais dizer, doutor, se sou eterno?

Nathan de Castro, poeta mineiro

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