domingo, 6 de novembro de 2011

É o chicote do verso a lapear

Cantador-repentista é quixabeira      
Dando fruto num chão esturricado
Espaneja o sertão empoeirado
Canta o sulco da terra preciosa
Canta o branco do leite da Mimosa
Canta a água embaçada dos barreiros
Canta a forte cantiga dos cardeiros
Dez mil vezes mais forte que as rosas.

Vai-se embora cumpade cantador       
Pega o espiche delgado dos gravetos
E faz dele um frondoso juazeiro.

Pega o vento que escasseia no terreiro
E faz dele um ventinho assanha-franja.

Canta os olhos cegantes de Maria
Canta o sol por detrás da morraria
Nodoando o infinito de laranja.

Não esqueça o versejo aperreado
Do matuto esbarrado por fadiga
Milharal entre a cruz e a espiga
Nem a mão suarenta na enxada.

Caveirame de rês encarniçada
Enlutando a couraça dos vaqueiros
Planta os versos nas fendas dos lajeiros 
Que poemas campeiros vão florar.

Vai cantador dos carcarás
Vai cantador da jericada

Canta o mato, o monturo e a garranchada
Pois o mato taí pra se cantar
Dá-lhe cantador dos trapiás
Dos barreiros nas mãos das lavadeiras
Dá-lhe cantador das carpideiras
É o chicote do verso a lapear.

Jessier Quirino

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