Cantador-repentista é quixabeira
Dando fruto num chão esturricado
Espaneja o sertão empoeirado
Canta o sulco da terra preciosa
Canta o branco do leite da Mimosa
Canta a água embaçada dos barreiros
Canta a forte cantiga dos cardeiros
Dez mil vezes mais forte que as rosas.
Dando fruto num chão esturricado
Espaneja o sertão empoeirado
Canta o sulco da terra preciosa
Canta o branco do leite da Mimosa
Canta a água embaçada dos barreiros
Canta a forte cantiga dos cardeiros
Dez mil vezes mais forte que as rosas.
Vai-se embora cumpade cantador
Pega o espiche delgado dos gravetos
E faz dele um frondoso juazeiro.
Pega o espiche delgado dos gravetos
E faz dele um frondoso juazeiro.
Pega o vento que escasseia no terreiro
E faz dele um ventinho assanha-franja.
E faz dele um ventinho assanha-franja.
Canta os olhos cegantes de Maria
Canta o sol por detrás da morraria
Nodoando o infinito de laranja.
Canta o sol por detrás da morraria
Nodoando o infinito de laranja.
Não esqueça o versejo aperreado
Do matuto esbarrado por fadiga
Milharal entre a cruz e a espiga
Nem a mão suarenta na enxada.
Do matuto esbarrado por fadiga
Milharal entre a cruz e a espiga
Nem a mão suarenta na enxada.
Caveirame de rês encarniçada
Enlutando a couraça dos vaqueiros
Planta os versos nas fendas dos lajeiros
Que poemas campeiros vão florar.
Enlutando a couraça dos vaqueiros
Planta os versos nas fendas dos lajeiros
Que poemas campeiros vão florar.
Vai cantador dos carcarás
Vai cantador da jericada
Vai cantador da jericada
Canta o mato, o monturo e a garranchada
Pois o mato taí pra se cantar
Dá-lhe cantador dos trapiás
Dos barreiros nas mãos das lavadeiras
Dá-lhe cantador das carpideiras
É o chicote do verso a lapear.
Pois o mato taí pra se cantar
Dá-lhe cantador dos trapiás
Dos barreiros nas mãos das lavadeiras
Dá-lhe cantador das carpideiras
É o chicote do verso a lapear.
Jessier Quirino
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