quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O ar e o vento

Vento - Van Gogh

Pelos caminhos vou, como o burrinho de São Fernando, um pouquinho a pé e outro pouquinho andando. Às vezes me reconheço nos demais. Me reconheço nos que ficarão, nos amigos abrigos, loucos lindos de justiça e bichos voadores da beleza e demais vadios e mal cuidados que andam por aí e que por aí continuarão, como continuarão as estrelas da noite e as ondas do mar. Então, quando me reconheço neles, eu sou ar aprendendo a saber-me continuado no vento.
Acho que foi Vallejo, Cesar Vallejo, que disse que às vezes o vento muda de ar.
Quando eu já não estiver, o vento estará, continuará estando.
Eduardo Galeano, in O livro dos abraços

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